Jean Wyllys, o lhama, dará a volta por cima. Bolsonaro tem boa parte de culpa nisso!

17
116

Dia desses me encaminharam um vídeo do deputado Jean Wyllys, do PSOL, depondo na Comissão de Ética da Câmara. O vídeo foi gravado no dia 6, e mostra Jean dando suas explicações para o ocorrido em 17 de abril, quando ele cuspiu no também deputado Jair Bolsonaro. Este blog e alguns outros avisaram que a reação de Bolsonaro ao ato foi frouxa e molenga. O sujeito cuspiu em sua cara e ele demorou a reagir. No começo nem ia processá-lo. Depois, o partido resolveu representar contra Wyllys no Conselho de Ética.

Enquanto o deputado do PSOL se vangloriava de seu ato inclusive nas redes sociais, Bolsonaro ficou acuado, como se fosse o culpado. Perdeu mais tempo dando explicações e justificando sua posição do que atacando o oponente e o rotulando. Eis que o vídeo mostra a lhama – Jean Wyllys – dando um baile retórico que, sem nenhuma dúvida, servirá não apenas para reforçar sua narrativa de vítima da história como também vai servir para provavelmente absolvê-lo. Veja o vídeo:

Em seu depoimento, Jean apela para a emoção, se colocando na posição de vítima. Ele não perde nenhuma oportunidade de rotular seus adversários, não desperdiça os frames e ataca o tempo todo, mas consegue fazer isso parecendo a vítima, não o agressor.

No decorrer da semana, uma perícia feita pela Polícia Civil do Distrito Federal averiguou o vídeo em que Eduardo Bolsonaro comenta o caso. O vídeo é de 18 de abril, um dia após a cuspida. O que a perícia constatou é que houve uma adulteração na imagem e que Bolsonaro – ou quem editou o vídeo – incluiu ali uma legenda que não existia. Isto é um fato, não é uma opinião. Eduardo Bolsonaro usou um vídeo adulterado – por ele ou por outrem – e este vídeo foi anexado como evidência no processo contra Jean. Uma bela cagada.

Diante disso, é óbvio que Jean Wyllys aproveitou a situação para contra-atacar, algo que deveria ser compreendido pela direita como o mínimo a ser feito. A reação de Jair Bolsonaro diante da descoberta de que seu filho tinha material falso em mãos foi a pior possível, porque ele perdeu a maior parte do tempo defendendo o filho enquanto deveria ter destacado fatos realmente importantes, sendo um deles o fato de que, fosse premeditado ou não, ele cuspiu. Aliás, o vídeo verdadeiro mostra Jean Wyllys falando com Chico Alencar e se vangloriando do feito. Depois, nas redes sociais, ele se vangloriou novamente. Ter se vangloriado é até mais grave do que ter premeditado o ato, pois mostra que ele nem se arrependeu depois de fazer.

Ou seja, cabia a Jair Bolsonaro reforçar que ele é a vítima e que Jean o atacou com uma cuspida. Mas no máximo Bolsonaro fez alguns comentários infelizes. Cabia a Jair Bolsonaro, em vez de defender o indefensável – no caso, a adulteração no vídeo – atacar Jean Wyllys e mostrar que ele está tentando desviar o foco.

Nós sabemos que na prática pouco importa se o cuspe foi ou não premeditado, isso é um detalhe até banal. Porém, juridicamente, apresentar uma prova falsa como se fosse verdadeira pode simplesmente anular todo o processo. Se somarmos esse erro grotesco com a excelente atuação teatral do deputado do PSOL, já dá para prever o que vai acontecer: ele será absolvido e, de quebra, ainda poderão processar Eduardo pela falsificação de uma prova.

Uma lástima!

Anúncios

17 COMMENTS

  1. O Eduardo pegou uma fita da Record News. Não adulterou nada. Quem disse isso foi o Lauro Jardim (Laurita Garden), d’O Globo, que não perde oportunidade de difamar a família Bolsonaro.

    • Exato! Lauro Jardim, esse sim um mentiroso, postou uma notícia falsa afim de difamar Eduardo Bolsonaro. Não dá para usar como fonte Lauro Jardim e outros jornalistas conhecidos da grande mídia para fazer textos falando de Bolsonaro, pois eles sempre fazem matérias enviesadas ou mentirosas.

      • Importa quem adulterou? Importa que foi adulterada. Mesmo assim, isso é só UM ponto do problema – a parte principal é que a vítima (Bolsonaro) se comporta como acusado (ou seja, se defendendo ao invés de atacar). Pode apostar que, se os papéis fossem invertidos, Jean Wyllys não pouparia munição – vídeo adulterado ou não.

  2. Aceitar cusparada calado é o cúmulo da covardia. Se Bolsonaro demonstra medinho até de um merda como esse Jean, como poderá comandar um país num momento em que se exije coragem e enfrentamento? Nem morto dou meu voto pra essa galinha.

  3. Bolsonaro só não avançou nele pois está tentando deixar uma boa visão a midia, mesmo ela criando mentiras, imagina se ele tivesse partido com paus e pedras, 2018 em sua candidatura poderia vir a ser um fracasso com os desavisados das TVs abertas brasileiras.

    • Mas ficando na defensiva (enquanto Jean Wyllys está atacando) não ajuda na construção de sua imagem. E não era para avançar fisicamente. Era para massacrá-lo na ROTULAGEM E NO VITIMISMO como Wyllys fez.

  4. Bolsonaro, assim como a direita em geral, está tão acostumado a ficar na defensiva que não sabe agir na ofensiva, reage como se ele fosse o acusado.

  5. Quem considera a reação de Bolsonaro como frouxo, deveria avaliar o que poderia ter acontecido se fosse o contrário.. Percebam que no processo de Maria do Rosário ele somente se defendeu e foi processado, imaginem se ele fizesse qualquer coisa contra o coitadinho em plenário o que poderia acontecer, lembrando que um dos ideais petistas é a cassação do mandato de Bolsonaro.

  6. Tá, mas aonde está o processo contra o Eduardo Bolsonaro? Já que ele também cuspiu no Jean, o que também tem vídeo e também é fato.

    https://youtu.be/K3-9g4xKmw0

    Se esse vídeo não abrir é só procurar no Google.

    Ainda sobre os Bolsonaros ( a hipocrisia bate no teto)!
    Eles vivem divulgando mentiras, não é primeira vez:
    http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pericia-da-policia-civil-mostra-que-video-de-bolsonaro-contra-jean-wyllys-e-montagem.html

    Quando vi “ceticismo” no nome do site, achei que fosse sério mas parece mais um site polarizado coxinhes.

  7. A bem da verdade, o deputado Bolsonaro tem o costume de usar certas pessoas e suas circunstancias no seu proselitismo politico em defesa da família, da ética e dos mais altos valores morais. Até aí tudo bem. O que ele não pode, em nome dessa defesa, é se “aproximar” demasiado do nível dos que critica, confundindo seus simpatizantes, seu eleitorado e até seus detratores (além de lhes dar oportunidades para atacá-lo, como nesse caso, com algum sucesso).
    Assim como o deputado, existem pessoas, eventuais oponentes, que sabem viver, e bem, nesse tênue limite escolhido, entre a crítica de valores, costumes e comportamento e o bate-boca escandaloso, sem conteúdo, apenas televisivo. Como se diz por aí: “perdeu uma boa oportunidade de ficar calado” e de agir com mais cuidado, atenção e estratégia!

  8. Certo, mas você sempre esteve à frente do próprio “Jan Uílis” nas críticas aos Bolsonaros. Por tudo e por nada. Não esquente a cabeça agora. Ou a intenção é só criticá-los mais uma vez?

Deixe uma resposta