A discussão atual não pode ser apenas sobre corrupção. Há algo ainda mais grave…

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Em meio a histeria política dos dias de hoje muita gente confunde as coisas, troca as bolas e inverte totalmente a ordem dos fatores. Uma luta popular “contra a corrupção”, por exemplo, é tudo o que políticos querem, porque em teoria todos eles são “contra a corrupção”. Há, aliás, um bom motivo para que todos sejam “contra a corrupção”, e o motivo é que corrupção é um termo completamente abstrato. Quando você foca suas energias em uma luta contra uma abstração, você deixa de lado a luta por algo concreto de verdade.

A corrupção, se formos considerá-la como os desvios de verba, a compra de poder político, etc., é muito mais um efeito do que a causa de um problema, especialmente quando tratamos de uma corrupção desenfreada como a que assola o país. O problema que é verdadeiramente a causa de outros problemas – inclusive da corrupção – é o excesso de estatização somado a um alto nível de impunidade.

Por que é fácil roubar no Brasil? É fácil porque as leis, na prática, costumam ser desviadas de suas finalidades originais. Qualquer advogado de porta de cadeia consegue encontrar brechas na legislação para poupar um criminoso de uma punição adequada. Contudo, quando falamos dos grandes roubos, dos desvios milionários como os que aconteceram na Petrobrás ou através do BNDES, temos aí um fato incontestável: os políticos têm acesso a dinheiro demais, e um dinheiro que não lhes pertence. Por isso, é não apenas fácil roubar, mas também é fácil roubar por longos períodos de tempo sem que ninguém perceba.

Mesmo a Operação Lava-Jato chegou tarde. Desde que ela começou a desenterrar o que havia de podridão na política, foram descobertos esquemas antigos, coisas que aconteceram há mais de 10 anos. Hoje, mesmo que todos os corruptos fossem presos, muitos deles viveram com luxo e mordomia durante longos anos.

No entanto, nada disso teria sido possível se a Petrobrás fosse uma empresa privada, porque executivos de uma empresa privada que desviam dinheiro, quando descobertos, são imediatamente demitidos e processados. Os repasses do governo petista a Cuba, Venezuela e outros países latino-americanos nunca teriam ocorrido se o BNDES, criado no governo militar, não existisse.

Não podemos nos iludir. Vivemos em um país cuja arrecadação tributária do ano passado chegou a quase R$ 2 trilhões, e este ano é bem provável que ultrapasse essa marca. Entretanto, a maior parte desse dinheiro não é usado para custear áreas como saúde, segurança pública, educação. Pelo contrário. quase metade disso é usada para manter o próprio sistema político em si, e não falamos só de senadores, deputados, mas também de todos aqueles que vêm com o pacote, como assessores, secretários, pessoas que trabalham no Congresso ou no Palácio do Planalto, etc. Outros montantes bilionários são usados para financiar obras através do BNDES, e a própria descoberta do Pré-Sal foi, na prática, um grande ralo de dinheiro público que nunca mais será recuperado.

A corrupção é ruim, mas é muito mais um efeito daquilo que o excesso de controle estatal causa. Em vez de lutar “contra a corrupção”, que é uma luta vaga e pouco efetiva, deve-se lutar para tirar dinheiro e controle das mãos dos políticos. No Brasil de hoje, com a Constituição Federal que possuímos, é relativamente fácil que um comunista radical vença e instaure uma ditadura, pois no âmbito jurídico ela já praticamente existe.

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3 COMMENTS

  1. Caro Luciano, você fala de 10 anos… O grande Faoro, em seu prefácio, vai mais de mil anos, em terras lusas, bem antes do terra brasilis.. O Jhony VI, apenas transplantou o esquema pras Bruzundangas…
    Vivemos o mesmo de sempre a mais de 180 anos…

  2. Gosto muito das suas análises. É a primeira coisa que leio para tentar me situar no atual panorama político, separando o joio do trigo, que a mídia impressa e da TV passam para nos confundir. Parabéns!

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