Como tratar de verdade um "amigo" comunista

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Recebi um artigo do WikiHow sobre “Como respeitar um amigo comunista”. Li o artigo e fiquei em dúvida se ele era sério ou se era uma brincadeira sem graça, mas vou considerar que seja sério e farei aqui uma breve análise a respeito dele.

Em primeiro caso, o artigo parte do pressuposto no qual “o amigo comunista” é vítima de desrespeito, não como se ele próprio o praticasse. Como bem sabemos, a realidade é diferente disso. Geralmente é o “amigo” comunista quem desrespeita os demais, não o contrário. É normalmente o “amigo” comunista que chama os outros de alienados, coxinhas, entre outras coisas do tipo. É quase sempre o “amigo” comunista que, na primeira oportunidade, dá uma rasteira em quem quer que seja em nome de sua agenda política. Dito isso, vou tratar de alguns pontos principais do artigo que considerei mais relevantes.

“Se alguém não possui as mesmas crenças que você, ele não merece ser julgado ou criticado. Deixe as crenças de lado e trate a pessoa com o devido respeito. Bons amigos não devem ser maldosos uns com os outros. O respeito poderá focar em coisas como o trabalho duro, o tratamento dispensado aos outros e as habilidades e características pessoais.” (Fonte)

Aqui temos o primeiro “equívoco”. A ideia por trás desse parágrafo é a fé cega na crença, que se trata justamente de acreditar que o comunista necessariamente é alguém que acredita naquilo que diz acreditar. Como já tratamos deste assunto aqui no site, creio que seja desnecessário explanar demais, basta saber que não é bem assim que funciona. Comunistas são, na maioria das vezes, pessoas mal intencionadas ou com interesses totalitários que querem apenas usar a crença como ferramenta, sem necessariamente crer nela.

“Ninguém deve ser intimidado pelas crenças que possui. Se ele recebe um tratamento grosseiro das pessoas que se opõem ao comunismo, defenda-o. Isso será muito bom para a amizade de vocês e abrirá os olhos dos outros.”

Aqui, temos mais do mesmo. Fé cega na crença. Claro que o autor deste artigo pode ser simplesmente um embromador, mas não descarto a hipótese de que seja um liberal ou um conservador iludido.

“Faça perguntas sobre as crenças políticas do seu amigo. Aprender um com o outro é essencial em qualquer relacionamento, e nossos amigos têm muito a oferecer. Pergunte sobre as crenças comunistas dele. Faça perguntas abertas, que comecem com o que ou como e abstenha-se de quaisquer interrupções ou julgamentos.”

Esse trecho aqui parece uma bela piada. O texto sugere – além da fé cega na crença – uma postura praticamente subserviente com o “amigo” comunista. A sugestão dada aí é que você faça todo o esforço do mundo para não questionar seu “amiguinho”, que você seja extremamente compreensivo com tudo o que venha dele. Eu não chamaria isso de amizade, está mais para uma relação entre príncipe e servo.

“Aprenda mais sobre o comunismo. O comunismo é uma teoria, e quando nos concentramos nos erros das pessoas que o praticaram falsamente, não aprendemos nada. Tente ler “Os Princípios Básicos do Comunismo”, de Engels, “O Estado e a Revolução”, de Lenin, ou o “Manifesto Comunista”, de Marx e Engels. Além disso, tome cuidado com as fontes onde busca informação porque, às vezes, a propaganda e jornalismo parciais procuram criar ódio e medo.”

Ok. Aqui nós temos uma evidência de que o artigo provavelmente foi escrito por um comunista, talvez ele só queira criar escravos. Até porque ele parte do pressuposto no qual você não sabe nada sobre comunismo e que, talvez por isso, não seja uma comunista. Quem realmente acredita nisso?

“Saiba distinguir o comunismo das tiranias e ditaduras. Um equívoco muito comum sobre o comunismo é defini-lo com base no que ocorreu no passado. A maioria dos países que tentaram criar uma economia comunista acabaram criando um sistema mais parecido com uma tirania ou ditadura. Um comunista de verdade não apoia a ditadura dos governantes sobre a população.”

Essa parte aqui foi pura sacanagem. Como assim distinguir comunismo de ditaduras? Todas as experiências comunistas foram ditaduras, os tratados comunistas escritos por Marx e Engels propõem uma ditadura, os intelectuais que fizeram releituras de Marx e Engels eram defensores do totalitarismo. Isso não faz sentido. Aqui já dá para ter quase certeza que o artigo foi escrito por alguém de extrema-esquerda.

“Tentar tirar a credibilidade de uma teoria política difamando a vida pessoal das pessoas que a apoiam é um argumento conhecido como “ad hominem”. Esta é uma falácia lógica muito comum, portanto tome cuidado.”

Espere. Não é exatamente isso que os comunistas fazem todo o tempo?

“Ouça com interesse e responda sem sarcasmo. Uma discussão pode transformar-se rapidamente em uma briga e a melhor forma de evitar isso é ouvindo a pessoa como um bom pai ou aluno ouviria.”

Como assim, aluno? Como assim, um bom pai? Isso é uma amizade ou algum tipo de escravidão voluntária? O artigo da WikiHow, se é mesmo uma coisa séria, está completamente fora de órbita – ou foi escrito por uma pessoa sem o mínimo de decência.

O restante do artigo é basicamente uma repetição do que já foi aí exposto. Cabe a mim, agora, fazer uma breve sugestão sobre como o seu “amigo” comunista deve ser tratado, e dividirei isso em três etapas. Vamos lá:

  1. Tenha em mente que se seu amigo é comunista e você não é, talvez só você seja amigo dele e não o contrário. Comunistas são, em essência, pessoas que apoiam uma ideia cuja base é por si só totalitária. Se um comunista leu Karl Marx e ainda assim o defende, ele é essencialmente canalha, e se ele leu e concordou com tudo o que Marx sugeriu, ele será capaz de te apunhalar pelas costas quando sua “amizade” bater de frente com algum interesse político. Não é raro ver “homens” feministas que se dão mal nas mãos do movimento em algum momento e são atacados por seus próprios “amigos e amigas”, por exemplo.
  2. Esqueça a ideologia. Talvez seu “amigo” nem acredite no comunismo, ele pode perfeitamente estar utilizando a teoria comunista para atrair seguidores e, aos poucos, alcançar poder político ou financeiro. Ademais, o maior problema não é o que o seu “amigo” acredita ou deixa de acreditar, mas a forma como ele se comporta ou se comportará diante dos fatos. Alguém que acha ou finge achar moralmente aceitável escravizar uma população inteira e submeter um povo a uma ditadura sangrenta, ou alguém que ache razoável matar opositores políticos como fez Fidel Castro, Che Guevara, etc., não há de ser boa gente.
  3. Faça testes éticos e morais com ele. Julgue-o, sim, toda vez em que perceber que há uma conduta questionável por parte dele. Coloque-o em “sinucas”, situações nas quais ele seja obrigado a escolher entre uma coisa moralmente correta e outra moralmente questionável. Se ele for mesmo o poço de inocência que o artigo da WikiHow sugere, não apenas você terá a chance de “salvar um amigo” como também ele próprio não terá motivos para ficar bravo com você. Se, por outro lado, ele falhar nesses testes, se ele se colocar me posição questionável ou condenável, certamente sua amizade com ele não vale a pena.

Em resumo, eis como tratar de verdade um amigo comunista.

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14 COMMENTS

  1. Luciano, outra tática que considero muito boa é fazer perguntas em que você dá duas opções ao seu “amigo” comunista de modo que ele seja obrigado a se revelar um psicopata ou se posicionar contra algum comunista psicopata.
    Nesse vídeo o David Horowitz faz isso perfeitamente:

    Ou seja, tem desmascarar esses canalhas!

  2. Peraí, deixa eu ver se entendi direito: para compreender o comunismo eu tenho que (1) ler as obras de Marx, Engels, Lenin e outro e (2) não “confundir” o comunismo com os governos e grupos que foram diretamente inspirados nesses autores? Tá serto!

    • é aquela falacia do “escocês falso”. O comunismo verdadeiro nunca foi implementado, se a coisa não ta funcionando a solução é mais comunismo e por ai vai…

  3. “Amigo” comunista já é um pouco difícil. Melhor manter uma distância polida e ter sempre em mente a certeza de que vão dar o bote assim que puderem.

  4. Amigo de verdade questiona o outro quando o vê a cometer erros.
    A classificação de simpatizantes de ideologias de esquerda (comunismo, socialismo, fascismo, nazismo, etc) comporta apenas três tipos de indivíduos:
    Tipo 1: possui deficiência em suas faculdades mentais (explicado; nada a fazer além de ajuda médica);
    Tipo 2: mal informado (pode mudar de ideia; se não for do tipo 3)
    Tipo 3: mal intencionado (irreparável)

  5. Eu geralmente trato comunistas (muitos colegas de trabalho) com sarcasmo. Acha bonito ver protestos na França onde queimam carros? Que tal se eu queimar o seu carro para ver se o senhor se sensibilizar pela causa? Não gosta de propriedade privada? Pode me dar a sua, pois eu gosto bastante. Defende bandidos por qualquer motivo que seja? Adote um, e por ai vai… geralmente ficam sem resposta.

  6. Depois que você entende o que é, realmente ser um COMUNISTA, você entende o porquê é IMPOSSÍVEL qualquer vínculo afetivo com um comunista. Para entender plenamente esta verdade, porém, a pessoa precisa antes disso, entender o conceito de PERVERSÃO tal como é explicado pela psicanálise:
    Segundo a psicanálise, o termo “PERVERSÃO”, significa uma alteração/inversão CONSCIENTE da realidade. O indivíduo perverso, para satisfazer os seus desejos e taras (no caso a tara é o poder absoluto), cria um mundo fictício a sua volta com suas próprias Leis e Regras, sendo o único objetivo destas Leis e Regras a SATISFAÇÃO DO PRÓPRIO GOZO (dele, pervertido).
    A perversão é, por isso, MUITO DIFERENTE de outras patologias psíquicas como, neurose, esquizofrenia ou paranóia, já que, na perversão, o individuo é o CRIADOR VOLUNTÁRIO E ÚNICO do seu estado de alienação. Fazendo uma analogia, podemos dizer que o indivíduo se trancou em uma cela e jogou a chave fora: Ele, pervertido, não quer “ser salvo” mas, unicamente, desfrutar de sua perversão, sem se importar com nada nem ninguém além disso.

    As Leis que um pervertido segue, não são as leis que conhecemos mas as do seu mundo particular que ele mesmo criou. Assim, para um pervertido, mentir, extorquir, roubar, matar são apenas “ferramentas” para atingir os seus objetivos e não barreiras morais que devem ser respeitadas e seguidas por todos. Para um pervertido, tudo é válido, desde que lhe permita atingir o seu gozo. Naturalmente, nem todo o perverso é comunista, porém, todo comunista é perverso.
    Quando estudei um pouco de psicanálise e entendi o conceito de “perversão”, deixei de lado qualquer vínculo afetivo com esquerdistas e passei a enxergá-los como de fato são: Inimigos mortais da humanidade.

  7. Diego,
    estou aplaudindo DE PÉ o seu perfeito comentário.

    Brilhante no úrtimu!

    Ainda ha pouco acabei de fazer o seguinte comentário num post:

    (…)
    uma das coisas mais características do marxismo é a INCOERENCIA. Afinal, para Marx o que importa é a PRAXIS, o resultado efetivo e nenhum outro julgamento deve ser feito se não em função de se ATINGIR o OBJETIVO.

    Isso significa que um marxista não deve ter qualquer vestígio de VERGONHA na CARA, pois não deve se envergonhar de mentir e nem mesmo de ser flagrado na mentira, não deve ter vergonha de se CONTARDIZER e muito menos vergonha de ser flagrado na contradição. Nada disso! Mentir e contradizer-se e mesmo ser flagrado em tal vergonhoso comportamento, PARA um MARXISTA, DEVE SER MOTIVO de ORGULHO. Falta de vergonha na cara, para o marxismo é qualidade indispensável. Trotski não deixou dúvida sobre isso, pois que o mais intelectualizado marxista.

    RA EA/Veja ainda se afirma simpático ao trotskismo e assimilou perfeitamente a idéia de que mentir e contradizer-se, quanto mais flagrantemente, maior é sua qualidade. Afinal ao ser flagrado na mentira e/ou na incoerência SÓ DEMONSTRA o QUANTO o SECTÁTIO É FIEL ao OBJETIVO. ESSA É A MORAL DELES, os marxistas, NÃO É A NOSSA. Afinal, qualquer indivíduo que defenda a liberdade e a honestidade envergonha-se de mentior e mais ainda de ser flagrado na mentira ou incoerência.

    PORÉM, um ideológico, seguidor de ideologias, qualquer ideologia, NÃO SE ENVERGONHA de valer-se de artifícios canalhas em nome de seu objetivo (estabelecer a PRAXIS), ao contrário, com tal procedimento canalha ele está mostrando a seus pares o quanto é fiel à causa e assim é moralmente elevado. Afinal a moral deles (os esquerditas) valoriza a dedicação ao objetivo e não a dedicação à verdade nem à honestidade. Aliás honestidade é depreciativo moral para esquerdistas, sobretudo trotskistas.

    Daí jamais se ter visto um esquerdista (marxista ou socialista) se mostrar envergonhado ao ser desmascarado. Ao contrário, sempre que um destes canalhas é desmascarado ele exibe um semblante moralmente orgulhoso, pois ESSA È A MORAL DELES.

    Veja Paulo Beti como se mostrou qdo do mensalão, sem qualquer sintoma de vergonha na cara.
    Veja Lula e políticos desmascarados em suas alegações, especialmente o caso de elevar milhões à classe média (rebaixando o valor da renda para nesta enquadrar miseráveis)
    Veja Gleisi, Humberto Costa, Guimarães (irmão de Genoino), Lindberg, Renan e tantos outros pústulas que não demonstram, sequer, o mais ínfimo constrangimento por mentir e se contradizerem. Lindberg e Gleisi são expoentes em tal canalhice e ostentação orgulhosa.

    Veja os jornalistas, apresentadores, ancoras, artistas e canalhas de todos os fedores que não transparecem qualquer vestigio de constrangimento ao serem flagrados em mentiras e contradições. A Mentira, para estes canalhas, segundo a moral deles tem o valor da verdade para a nossa moral. Jamais espere constranger um canalha IDEOLÓGICO ao desmascara-lo. Ao contrário ele se sentirá orgulhoso ao estar demonstrando cabalmente a seus pares ideológicos o quanto é dedicado ielmente à causa. Não é possivel competir com ideológicos no quesito DESCARAMENTO. Essa é a força deles, a MORAL DELES: tudo que for em benefício da causa, do objetivo de dominar e se sobrepor aos demais, é moralmente valorizado. Pois o que importa é a PRAXIS, é o objetivo na pratica.

    ….

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