Marina lidera todos cenários de segundo turno para 2018. Por que não estou surpreso?

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Nos resultados da pesquisa para 2018 do Datafolha, encontramos a seguinte informação importante: Marina Silva lidera para todos os cenários de segundo turno. A pergunta é: por que não estou surpreso?

Antes, é bom que se diga: os resultados não são definitivos e ela pode muito bem ser um cavalo paraguaio pela terceira vez. Mas é preciso tomar um cuidado adicional com o fato de que a rejeição à política tradicional é muito maior agora do que há tempos atrás o discurso da “nova política” é o principal mote de Marina Silva. Lembre-se também que as principais narrativas do medo criadas pelo PT contra Marina em 2014 caíram em descrédito com o estelionato eleitoral do partido. Assim, Marina de fato tem mais musculatura.

Um dos principais cenários de primeiro turno, no entanto, mostra Lula em primeiro:

_____________________________cenario

Na expansão deste cenário, no segundo turno, Marina venceria Lula por 10 pontos de vantagem.

O que é relevante neste gráfico é que – se somarmos os resultados de Lula, Marina, Ciro e Luciana Gento – vemos a extrema-esquerda com 47 pontos. Esse é um detalhe com o qual teremos que lidar daqui para a frente.

Este blog sempre avisou que as narrativas atualmente escolhidas por uma boa parte da direita – o “fora todos” – não iriam prejudicar a todos, mas dar mais força à extrema-esquerda. Também avisei mais de uma dezena de vezes que toda a narrativa atual de “agora é Fora Temer, já que tiramos o PT” era só uma política de desgaste planejada pela extrema-esquerda para aumentar a popularidade dos candidatos que estão em seu espectro político.

Intervencionistas, por exemplo, são adeptos do “fora todos”. Acham que vão conseguir uma intervenção militar, o que é inviável. Mas conseguirão aumentar o clima de rejeição à política tradicional, o que será capitalizado por gente como Marina Silva e Ciro Gomes. Óbvio.

Uma coisa que sempre falei por aqui é quanto ao equívoco do discurso “apenas contra a corrupção”. Na verdade, o discurso deveria ser principalmente contra a corrupção organizada ou, melhor, os projetos totalitários de poder com base na corrupção. O termo “corrupção” é muito vago e permite jogar muita gente no mesmo saco.

Cabe agora à direita começar a avaliar os resultados das próximas pesquisas em linha com os discursos que estão sendo feitos. Se aqueles próximos à direita ou ao centro quiserem algo em 2018 (ou até antes, se Temer cair), talvez é melhor pensar em um candidato “fora da política”, algo como ocorreu com João Dória em São Paulo. Mas qualquer iniciativa só pode ser pensada se tivermos em mente que a extrema-esquerda é a favorita para 2018 (ou antes) e este é um desafio com o qual teremos que lidar.

Em tempo: não é preciso queimar muito a mufa para saber que “eleições diretas já” (ao invés de 2018) é algo que só ajuda a extrema-esquerda. Os leitores deste blog já estão carecas de saber disso. Mas vamos que vamos. A política é bela exatamente por isso: ela é quase toda definida por nossas escolhas. E como diria Alvin Toffler em sua frase já repetida várias vezes aqui: “se você não tem uma estratégia, então é parte da estratégia de alguém”. A tendência é que, se um candidato de extrema-esquerda vencer em 2018 (ou antes), aqueles da direita que lutam “apenas contra a corrupção” (como se a questão fosse só essa) talvez sejam presenteados com um novo projeto totalitário de poder no estilo petista, que novamente alcançará recordes de corrupção no intuito de nos transformar em uma Venezuela.

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11 COMMENTS

  1. Eu acredito na Datafolha e no Papai Noel.

    O que a mídia está tentando fazer é induzir as pessoas a pensar em votar na Marina:

    “Ela está na frente nas pesquisas, então vou votar nela.”

  2. Cavalo paraguaio é uma gíria utilizada no futebol brasileiro para designar equipes ou jogadores que tenham uma boa atuação no começo de um campeonato, ou mesmo em uma partida, e a seguir decaem de modo a serem superados pelos demais. – Wikipédia

  3. Artigo inútil uma vez que considera a pesquisa como válida. Inocentemente tornou-se um agente da desinformação ao tentar validar teses próprias. É preciso mais cuidado ao replicar a informação. Ao ler a pesquisa vê-se que mais de 80% não sabe em quem votar. Lula tem 9% o que é um recall baixo para quem já teve a popularidade monstruosa que teve.

  4. Acreditar piamente na pesquisa Datafolha – que foi urdida com o claro propósito de livrar Lula da prisão, bem como reabilitá-lo e à esquerda como forças políticas para 2018 – é “fazer parte da estratégia de alguém.

    O pior é que os “reinaldos azevedos” da vida morderam a isca.

  5. Infelizmente, Luciano, parece que vc não aprendeu com o “study case” da eleição de Trump. A sua análise usa a lógica corretamente, mas falha miseravelmente nas premissas. É aquele clássico exemplo do “se 2+2=5 então o dobro de 2+2 vale 10”. Já foi mais do que escancarado o fato da imprensa ser 99,999% de viés esquerdistas. Idem os ditos “institutos de pesquisas”, que estão mais pra mãe dinhah ou torcida organizada do que empreendimentos isentos. O dito favoritismo da extrema-esquerda só pode ser enxergado do ponto de vista de que ela quase detém o monópolio da comunicação de massa, pois tudo que é artista, jornalista ou repórter de TV, jornal ou revista impressa é mais um peão esquerdista, sem esquecer o objetivo comum que eles possuem com os ditos globalistas proprietários daqueles meios: a destruição da cultura oidental e dos valores da família. Assim, a estratégia primal acima de todas é a mesma que foi usada nas eleições americanas: o uso de meios independentes de comunicação baseados na internet e aplicativos para smartphones. Infelizmente, diferente dos EUA, há o fator complicador de que o percentual nacional com acesso à internet é bem menor que nos EUA, apesar de que a cultura do smartphone está bem disseminada. O campo de batalha que envolve os desdentados e miseráveis, que trocam voto por dentadura ou tijolo, é território perdido, pois é com apoio dessa turma que os renans e os gomes da vida se alimentam de votos (vide o caso do ivo gomes promovendo distribuição gratuita de vale combustível e foi eleito!). O campo de batalha perigoso para esquerda é o ciberespaço com as mídias sociais. Tanto é verdade que há uma LEGIÃO que compões a MAV esquerdista, majoritariamente recrutados entre funças e comissionados, que passam o expediente das repartições públicas em constante combate virtual, recebendo reforço de mortadelas contratados e demais simpatizantes. Em suma, o seu post desvia do foco de que a imprensa e os institutos de pesquisa são tropa adversária.

  6. ficar repetindo estas “pesquisas” é tolice. Vcs tão caindo no golpe.
    Pra começar lula estará preso antes das proximas eleições e o cenário vai mudar muito.

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