Temer poderia assistir a aula de frame do primeiro filme da série Mad Max. Isso reverteria sua situação…

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O presidente Michel Temer vive em situação de recuo. Tem sido assim desde o início de seu mandato. É atacado pela extrema-esquerda – e agora até por parte da direita, que caiu na lábia da extrema-esquerda, unicamente por ser incapaz de entender o jogo do poder -, e dificilmente supera os frames adversários.

Quando surgiu a deleção da Odebrecht – muito menos comprometedora do que as centenas de delações envolvendo petistas, pois no caso de Temer não havia prova de recebimento de propina, ao menos até o momento -, novamente ele recuou. Alguns achavam que nesta segunda ele pediria a “renúncia”.

Ronaldo Caiado – outro direitista com um belo passado político, mas que também caiu na lábia da extrema-esquerda – pediu a renúncia do presidente.

Em todos esses momentos, não vimos Temer superar os frames adversários. Daria para fazer Ronaldo Caiado urinar somente ao lhe dizer: “Qualquer um que pede a renúncia confessa que não tem uma acusação legítima em mãos, pois se tivesse tentaria o impeachment, e não pedir renúncia. Ademais, cadê o pedido de renúncia de Caiado? Por que ele não dá o exemplo?”.

Em relação às acusações da Odebrecht, Temer poderia ter ido para a ofensiva mostrando que “esta é sua diferença: delatores não conseguem provar pagamento de propina, enquanto provas disso abundam nas delações sobre petistas”. Claro que para o frame “rodar bem” seria preciso ir para a desconstrução dos petistas, preferencialmente partindo de aliados no Planalto. Criar um slogan forte igualmente faria bem.

Seja lá como for, Temer não compra essas brigas. Como resultado, está em situação senão frágil, ao menos complicada. Mas é por sua escolha. Temer deveria partir mais para o confronto com seus adversários. Se ele não quer se envolver diretamente, que tenha a ajuda de seus aliados mais próximos. Mas é preciso atacar. E nada de apenas dizer “não sou (x)”, pois isso é ficar na defensiva. E nada de ficar apenas se equiparando aos frames adversários. É preciso superar os frames do inimigo.

Em suma, na guerra política, Temer reverteria sua situação se fizesse no discurso político aquilo que o personagem Mad Max fez, em uma perseguição de carros, com o vilão Nightrider na cena inicial do primeiro filme da série Mad Max, de 1978.

Vale a pena assistir a cena, lembrando que enquanto outros apenas perseguiam o psicopata, Mad Max foi o único que “superou os frames” do oponente. Superar os frames do adversário não é apenas se defender, ou apenas rebater um “você é golpista” com “golpista é você”. Isso é ficar no mesmo nível do frame adversário. Superar o frame é que traz os melhores resultados. Superar o frame oponente é ir acima daquilo que ele pode prever, complicando a reação inimiga.

Enfim, o que representa superar os frames adversários? A cena tem 4 minutos – na verdade, está editada para se tornar mais dinâmica -, e durante quase todo o tempo vemos outros policiais no máximo ficando no mesmo nível do frame de Nightrider. Já Mad Max, que aparece do meio para o final da cena, faz o oposto: ficou acima da capacidade de reação do inimigo. Eis o controle de frame em uma cena de perseguição de carros. Agora é só aplicar o mesmo princípio na guerra de frames dos discursos.

A cena não tem legendas, mas dá para sentir o contexto. Aliás, a expressão do vilão após ver finalmente um adversário “controlar o frame” é bem realista. Eles perdem a confiança quando este tipo de combate acontece:

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3 COMMENTS

  1. Luciano Ayan, não sei por que você critica direitistas que criticam Temer. Temer é da truma de Dilma e Lula, foi graças a ele e ao seu apoio que eles conseguiram passar tantas leis absurdas. Temer já defendeu a “democracia social” em um discurso na UNASUL, obviamente estava defendendo a social democracia, o socialismo gradualista. O partido de Temer, o PMDB, no seu governo, fez uma economia mais esquerdista que a do PT, segundo dados dos estudos dos Institutos Cato e Fraser. Temer é uma versão mais rica e menos carismática do Lula, PT, PSDB e PMDB são todos a mesma coisa, são todos partidos de extrema esquerda que querem implantar o socialismo. É o que Kogos falou, na tesoura de Lenin, o PT é uma das lâminas, o PSDB é a outra, e o PMDB é o parafuso que segura as duas lâminas. Por isso acho completamente válido que Caiado e outros direitistas critiquem Temer.

    • Já parou para pensar no ditado “quem tudo quer, nada tem”? Explica direitinho porque sua reclamação não faz sentido.

      Ou você acredita na “solução mágica” de tirar todo mundo de uma vez e colocar a “pessoa certa” lá?

      Não interessa o que você deseja que a realidade seja. A realidade é o que ela é. Você usa os meios que você tem para atingir um determinado fim, e não fica esperando pelo “meio ideal”.

      Criticar Temer é certo. É desejável, até. Mas esperar que ele renuncie, além de ingênuo é pedir para colocar QUEM no comando?

  2. Um detalhe pouco falado Temer não tem que se preocupar com lava jato, não importa, um presidente só pode ser processado por atos do seu mandato.
    Não importa que filmaram ele assaltando uma velhinha, o que importa é atos de seu mandato.
    E isso é mais um motivo para ele não ficar na defensiva.

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