2016: o ano em que a direita pensa que venceu, mas, no final, perdeu…

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Sabe aquele jogo em que você está ganhando de 7×0 até os 30 minutos do segundo tempo e que se conclui com a vitória de 10×7 para o time adversário? Pois é, este foi o ano de 2016 para a direita. Uma série de gols dava a impressão de nossa goleada para, no fim, perdermos o jogo. O ano de 2016 é o ano da esquerda.

Por que digo isso? Alguém pode achar tal declaração absurda depois do Brexit, do impeachment de Dilma, da vitória de Trump, da queda de Matteo Renzi,  e da derrota acachapante do PT nas eleições de 2016. Porém, esses são os gols iniciais de que falei.

A esquerda virou o jogo exatamente após tomar o mais dolorido dos gols: a vitória de Donald Trump. Em pouco mais de um mês eles construíram uma narrativa de “fake news”, realizaram várias encenações teatrais – na qual até o Facebook fingiu que discordava – e agora estabeleceram os “fact checkers” junto ao Facebook. Todos os “fact checkers”, é claro, são organizações de esquerda. Já existem textos da extrema-esquerda vibrando com a escolha destes “fact checkers”. Em suma, o ano se concluiu com o estabelecimento de uma ditadura de nível global, que terá seus efeitos percebidos a partir do início de 2017.

Para a direita, que fique a reflexão: faltou uma visão mais holística dessa guerra. Faltou, principalmente, começar a pensar todo o empreendimento em torno de luta pelo poder. A esquerda, ao contrário, fez isso, nem que para isso tivesse que acabar com aquilo que ficou conhecido por esquerda democrática. Com a implementação dos “fact checkers” de esquerda no Facebook, há pouco espaço para se falar em esquerda democrática.

Cabe agora à direita se preparar para as batalhas mais importantes dessa guerra política em 2017. Não será fácil, é verdade. Mas que fique uma lição definitiva: ou aprendemos a pensar as questões em termos de luta pelo poder ou qualquer conceito que temos de liberdade será apenas um conto da carochinha no futuro.

Algo que faltou, por exemplo, foi o contato direto com parlamentares na exigência de uma lei garantindo a liberdade de expressão e proibindo a participação de “fact checkers” desse tipo. Mas essa é apenas uma ideia. O que importa é que o assunto deveria ter sido tratado e discutido na esfera do debate parlamentar e no estabelecimento de projetos de lei para garantir a liberdade.

Que fique o aprendizado. Agora cabe aguardar as consequências do totalitarismo para que surja, enfim, a compreensão de que uma das batalhas centrais vai envolver a luta pela liberdade de expressão.

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9 COMMENTS

  1. Esse blog errou (não tanto quanto a esquerda) nas previsões feitas para Donald Trump, então vou continuar torcendo para essas previsões negativas não se manifestarem. O fato(não o fato salvador,kkkk) é que os oligarcas das mídias sociais e tradicionais estão apavorados com a presidência de Donald Trump(um homem que decididamente está disposto a vingança) e estão errando a mão nas medidas totalitárias. As mídias sociais censurando direitistas já não é novidade, vamos torcer para que Trump nacionalize esses canalhas.

    • Como eu poderia ter errado “previsões sobre o Donald Trump” se eu não fiz nenhuma previsão sobre ele? Eu não faço “previsões”. Quem faz “previsão” é comentarista de futebol. Analiso riscos e tendências. Mas reconheço que subestimei um tanto Trump, mas não estipulei nenhum resultado para as eleições.

      • Quem subestimou Trump foi a mídia mundial também(subestimar na minha definição é prever ou ter preconceito que determinado sujeito não tem muito futuro,etc), mas não culpo as pessoas que tenham caído na lábia de tantos “experts” que mentiam deliberadamente. Esse video é bem educativo nesse caso: https://www.youtube.com/watch?v=iUBrSN9FgMY

        90% das reportagens da mídia americana foram contra Trump e mesmo assim ele ganhou.

        Off topic tem um filosofo marxista chamado Zizec que critica a esquerda em geral de ser elitista e estar perdendo gradativamente a classe trabalhadora para a direita, pelo menos na europa. Bom saber que ninguém da esquerda deu ouvido para ele, kkkk.

        Acho que um dos motivos para a esquerda estar perdendo é a crença deles no feminismo e liderança feminina. Lula conseguio governar por 2 mandatos, saiu popular e elegeu uma sucessora que em 2 mandatos incompletos (primeira mulher a levar um impeachment no Brasil, progresso) manchou o PT que talvez eles nem se recuperem (Deus queira).

        Mesma coisa nos EUA, pensaram que poderiam eleger um presidente somente por cause do orgão genitor feminino.

  2. Luciano, não viaja! Gosto das suas publicações, embora às vezes você viage um pouco. Mas nessa questão você está viajando e exagerando demais. Se acha mesmo que por causa dessa vitória de Pirro eles nos ultrapassaram, eu só lamento.

    • Concordo que foi um pouco de exagero dizer que essa derrota com esse tipo de checagem do facebook tenha apagado o maravilhoso ano de 2016 para a direita (vale ressaltar que o facebook já usa algoritmos de censura de conteúdo e tenho desconfianças quanto ao uso sobre material conservador). Minha preocupação é a Direita relaxar na luta política e não ficar alerta com as táticas da esquerda como já aconteceu por muito tempo!

      • “Minha preocupação é a Direita relaxar na luta política e não ficar alerta com as táticas da esquerda como já aconteceu por muito tempo!” Concordo plenamente.

        O grande problema da direita ñ é essa vitória pontual, que fere a liberdade de expressão, que a extrema esquerda conseguiu, mas a falta de engajamento e mobilização em torno de um projeto de longo prazo.
        Acredito que quando Trump falou que o movimento que o elegeu precisa continuar, acredito que ele estivesse se referindo justamente a isso.

        O tomada de espaços (mídia, universidades, etc) deveria ser o foco central de um projeto de longo prazo. Mas, direitistas não militantes profissionais, trabalham e tem suas vidas e por isso não podem ou simplesmente não querem dedicar tanto tempo em nome de uma causa. Isso é um ponto positivo até, mas que acaba sendo uma desvantagem perante o modus operandi da militância esquerdista. Direitistas preferem o objetivo de curto prazo, por isso se mobilizam mais facilmente em torno de uma eleição, por exemplo. Por isso acho q a batalha se dará agora através dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). Espero q a direita, principalmente a americana, saiba usar esses órgãos institucionais para fazer pressão e tentar contornar os golpes que a esquerda tentará implementar através da mídia e outras organizações.

  3. Discordo da visão pessimista do artigo. Apesar do nome do site ser ceticismo político, o que caracteriza uma certa desconfiança e descrença de tudo, acho que o ano de 2016 é para comemorar! A esquerda só apanhou no campo político e encontrou grandes desafiadores na guerra de narrativas, na luta cultural (Paul Joseph Watson, Milo Yiannopoulos, BreitBart, InfoWars, entre outros), inclusive no Brasil. A direita ainda começa a andar na luta cultural, mas para quem não tinha nada, em 2016 tivemos um grande avanço. Como deixei numa “reply” acima, a preocupação com a acomodação é muito válida devido a falta de engajamento da direita em objetivos e projetos de longo prazo. Mas, não acho que voltemos a estaca zero. É como andar de bicicleta: Uma vez que se aprende é difícil de esquecer.

    Quanto ao ponto principal colocado no artigo, em relação a vitória da esquerda em relação a narrativa das “fake news”, o que fazer? Essa é a questão. Sabemos a tempos que as principais redes sociais, em especial o Facebook, são tomadas por diretores e gerentes esquerdistas e politicamente corretos. A única solução apresentada, que é a pressão sobre o poder legislativo, só será possível quando iniciar o mandato de Trump, por tanto não cabe uma crítica a uma estratégia que ainda não havia possibilidade de ser realizada. Faltaram sugestões no artigo. O que fazer? Criar um mecanismo de busca e uma rede social tão popular quanto o Google e o Facebook que não tenham diretores politicamente tendenciosos? Buscar estratégias para burlar a censura?

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