Chorar mais por criminosos que pelas vítimas pode ser mais cruel que bradar “bandido bom é bandido morto”

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Embora possamos discordar de Janaína Paschoal numa coisa ou outra, ela normalmente é coerente e sensata no que diz.

Sobre as manifestações pedindo morte de bandidos, ela afirma: “A vítima, o acusado, o preso, o policial, os familiares da vítima e do preso… Todos têm direitos fundamentais. Parem de particularizar! Estou profundamente triste com tudo que li e ouvi, entre ontem e hoje. Volto logo mais para explicar. Mas, por favor, reflitam se não estamos rumando à barbárie. Os direitos fundamentais são de TODOS!”.

É preciso separar as coisas, embora ela esteja correta, em termos. Claro que sair pedindo o extermínio de criminosos é uma barbárie. É assim que muitos inocentes são assassinados. É para evitar tal injustiça que serve o Estado de Direito. Até aqui, sem discordâncias.

Mas falta dizer algo adicional – que não discorda da opinião de Janaína, mas a complementa – sobre um padrão que podemos mapear: compreensão dos atos imorais a partir de atenuante.  Isso significa que mesmo que possamos reconhecer um ato como imoral, igualmente compreendemos que há atenuantes para quem o pratique. Por exemplo, a extrema-esquerda faz isso com os criminosos violentos.

Observe o padrão:

  • “Ele estuprou a mulher, mas ele também é uma vítima da sociedade”
  • “Ele assaltou o morador, mas quem é você para jogar a primeira pedra? Será que o ‘acusado’ não sofreu na vida também?”

Nesse modelo de narrativa, as sentenças reconhecem e condenam os crimes mas, em parte, os justificam. Essa é a narrativa padrão da extrema-esquerda sobre os crimes violentos.

Mas o padrão narrativo da compreensão dos atos imorais a partir de atenuante pode e deve ser utilizada de forma muito mais justa para explicar comportamentos de potenciais vítimas de crime. Veja:

  • “Ele disse que ‘bandido bom é bandido morto’, mas ele também é vítima potencial de crimes, e vive com medo”
  • “Ele afirmou que ‘deveriam morrer mais’ bandidos nos massacres dos presídios, mas quem é você para jogar a primeira pedra? Será que essa pessoa não sofreu violência de criminosos na vida também?”.

Assim, não precisamos (e não devemos) julgar como corretas as declarações que pedem “bandido bom é bandido morto” ou “tomara que morram mais bandidos nas prisões”. Mas mesmo que julguemos as declarações como moralmente falhas, podemos podemos aplicar o padrão compreensão dos atos imorais a partir de atenuante para quem fornece tais declarações. A partir daí, basta utilizarmos a empatia para tentar compreender os motivos daqueles que estão pedindo o extermínio de criminosos.

A problematização é: por que apenas os criminosos violentos devem ser beneficiados com a aplicação do padrão compreensão dos atos imorais a partir de atenuante?

Isso nos leva a outro questionamento, igualmente muito justo: no momento de chorar mais pelos criminosos do que pelas vítimas inocentes – como fez a mídia – não está sendo praticada uma crueldade com a maior parte da população que tem sido vítima de crimes? Será que os longos minutos dedicados pela grande mídia – sempre colocando seus jornalistas para encerar expressões pesarosas, quando no fundo muitos riam por dentro ou ao menos manifestavam alívio – para “chorar” pelos bandidos mortos não servirá para inflamar a maior parte da população que se sentiu desprezada e humilhada ao ver que os bandidos merecem mais “choro” que as vítimas?

Essa é outra problematização inevitável. Assim, é preciso compreender de forma humanitária aqueles que estão pedindo “bandido bom é bandido morto”. O sofrimento dessas pessoas nas mãos de bandidos – ou ao menos o medo de que isso aconteça – não pode ser ignorado. Oprimir as vítimas (ou potenciais vítimas) que se manifestam de modo inflamado contra os criminosos violentos é a maior das desumanidades.

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9 COMMENTS

  1. Um dos exemplos utilizados está equivocado pelo seguinte motivo: a esquerda também é seletiva em relação à natureza do crime, não levando em conta a crueldade e violência do crime praticado, mas considerando exclusivamente posições ideológicas.

    Assim sendo, a esquerda vitimiza sem nenhuma cerimônia um assassino cruel. Mas, por outro lado, não terá a mesma complacência caso esse crime seja o de estupro.

    Claro que estupro é repudiável. Mas essa desonestidade da esquerda pela qual criminosos cruéis são paternalizados caso a natureza do crime não vá de encontro às reivindicações de nenhum movimento social deve ser apontada.

  2. Vamos mudar a frase para ver se é útil. “bandido bom é bandido vivo”. O bandido vivo vai te roubar, estuprar, matar, se ele for preso ele vivo no cadeia é um bandido que matou, roubou, estuprou e agora é sustentado pelas pessoas que ele roubou, matou, estuprou.

    Não, a frase mudou e não consegui achar utilidade. Melhor é mesmo, “bandido bom é bandido morto”, ele roubou, matou, estuprou e por seus atos merece morrer. Isso é moral e lógico.

  3. Enir Farinhon tú és um idiota ,cale esta sua boca como disse o JR leve uma bandinho bom para sua casa, e coloque ele junto com seu filhos. para você ver o quanto ele é bonzinho.Idiota, esquerdista é tudo uma merda só.

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