Os direitistas que promovem campanha de ódio contra evangélicos estão certos ao fazê-lo?

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Um fenômeno tem sido visto na Internet: algumas pessoas de direita tem aceitado (e até promovido) uma verdadeira campanha de ódio contra evangélicos. Que a extrema-esquerda faça isso, não é novidade, uma vez que faz parte do projeto político deles perseguir as religiões tradicionais. Mas e quanto a direita?

Vou excluir da equação alguns (não todos) católicos que possam ter alguma rivalidade com evangélicos, pois não é um movimento considerável de promoção de animosidades mais radicais. A questão que abordarei aqui trata alguns liberais que andaram dizendo, após a tentativa de assassinato sobre o pastor Valdomiro, que “ele fez por merecer” ou “é justo, pois ele explora os fiéis”. Será que eles estão moralmente certos em agir assim? Ou pelo menos estariam tecnicamente corretos? A resposta é não, em ambos os casos.

A alocação voluntária de recursos

Para começar, é preciso entender que os liberais defendem, antes de tudo, a alocação voluntária de recursos. Qualquer alocação voluntária de recursos é um ato que moralmente coloca seus praticantes em status superior aos que forçam alocação involuntária de recursos. É um princípio moral, diante do qual não deve existir dificuldade de entendimento.

A “exploração” que um pastor faria de seu fiel (a alegação de 10 entre 10 liberais que promovem a campanha anti-religião) não deveria ser um problema para quem não comunga da mesma religião que este fiel, ou até mesmo não possua religião alguma. Podemos considerar, por exemplo, casais que se separam e, em muitos casos, acusam o outro de “exploração psicológica” ou “venda de ilusões”. Nem por isso, devemos nos intrometer. Não é nosso problema. A alocação voluntária de recursos compreende que um dos lados pode influenciar mais o outro e sair em vantagem.

Assim, não faz sentido algum defender qualquer tipo de violência ou opressão sobre um líder religioso que estaria, segundo a argumentação de alguns, “explorando seus fiéis”. A “exploração” de um fiel por seu pastor é um problema deles, tanto como a “exploração” que existiria em grande parte das relações amorosas. (Claro que um espertão pode querer acabar com o namoro do amigo pois está interessado na namorada dele, mas isso é uma questão tática e específica, e não relacionada a todos os relacionamentos amorosos).

Assim, claro está que o liberal que resolve defender ações de opressão e violência contra um evangélico apenas por que “acha que ele explora os fiéis” está em desacordo com o princípio liberal fundamental que defende a supremacia das alocações voluntárias de recursos sobre as alocações movidas por coerção.

Eu sou ateu e entendo que a relação entre fiéis religiosos e seus pastores é um problema deles. Desde que falamos sobre alocações voluntárias de recursos, não é problema meu. Em papo isso: não me importa.

O uso da violência contra divergentes

Se já tratamos da questão de que defender violência contra um pastor evangélico apenas por não gostar da religião dele (ou achá-lo um explorador) é imoral sob a ótica liberal, também temos o fato de que o próprio uso da violência contra discordantes também entra em desacordo com o liberalismo.

Se alguém não gosta do que o pastor Valdomiro prega, refute-o. Que faça propaganda em favor de outro discurso. Que promova a ideia divergente. Mas nada justifica a violência, principalmente no caso de alguém envolvido apenas em alocação voluntária de recursos, como falado anteriormente.

A questão tática

Esses dois aspectos tratam da questão moral. Ou seja, é imoral oprimir alguém que atue unicamente em alocação voluntária de recursos, assim como é imoral praticar violência contra alguém por única divergência de ideias.

Mas para além da questão moral, temos a questão tática: não faz sentido entrar em guerra “santa” contra evangélicos, mesmo alguém sendo ateu liberal ou ateu conservador. Mas por que? Simples: os evangélicos não são os principais adversários dos liberais e, em muitos casos, estão distantes daqueles que chamamos de “inimigos fundamentais”. Um inimigo fundamental é seu principal adversário durante um conflito.

Por exemplo, as rivalidades entre pessoas de vários países ficaram em segundo plano enquanto todos se juntaram para vencer Hitler. Este era o inimigo fundamental.

Muitas vezes a direita “trava” no momento de identificar os inimigos fundamentais. Foi somente assim que muita gente de direita ficou em dúvidas entre votar em Marcelo Crivella ou Marcelo Freixo, no Rio. Foi preciso utilizar muitas frases de efeito e metáforas para “destravar” algumas mentes, caso contrário poderíamos ter complicado uma vitória fácil de Crivella. Exemplo de abordagens utilizadas: “Eu prefiro um crente batendo em minha porta do que um bandido pulando o meu muro”. Daí era só lembrar a diferença entre a alocação voluntária de recursos (dos pastores) com a alocação sob coerção (que os socialistas levam até o limite) para saber que não havia motivo para titubear: era Crivella na cabeça, junto com “fora Freixo”.

Em resumo, não apenas moralmente, como também taticamente, qualquer tipo de campanha de ódio feita contra evangélicos – por parte da direita – não se justifica.

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11 COMMENTS

  1. A diferença entre o wahabismo e o neopentocostalismo é apenas, e por enquanto, o modus operandi. A intenção de ser hegemônico e usar a força do Estado para impor seu modo de vida é a mesma. Vide o esforço em derrubar estátuas de Iemanjá em Petrolina, Praia Grande e São Vicente. Qualquer semelhança com talibãs destruindo as estátuas de vidas deitados não é mera coincidência.

  2. Vamos imaginar a seguinte situação

    Você compra uma caixa de remédios a e quando chega em casa, abre e descobre que dentro das embalagens, há somente água ou cápsulas de farinha..

    A locação de recursos foi voluntária; você comprou por que quis, mas pagou por algo que não surte o efeito esperado, e qualquer um com o mínimo de bom senso vai entender a safadeza da transação.

    Igreja evangélica é a mesma coisa. Pastores exploram a ignorância e o desespero de gente pobre e despreparada. Não há absolutamente nenhuma virtude em fazer isso e é por isso que deve ser combatido.

    A voluntariedade da transação também cobre conhecimento sobre a natureza da troca. Trocar dinheiro por enganação é golpe.

    • Só é possível acusar alguém de golpe em relação a BENS E SERVIÇOS TANGÍVEIS, e coisas do tipo. Se você aplicasse seu princípio, poderia punir as partes de qualquer relacionamento amoroso frustrado, pois sempre uma parte dirá que “me venderam esperanças irreais”. É nonsense.

    • Pois é. Tanto drama foi feito em relação ao ocorrido com o ser e agora ele está se aproveitando da situação para continuar sua campanha de manipulação escancarada da boa vontade dos seus seguidores da forma mais escrota e imbecil que eu já vi. Já venderam tijolo, travesseiro, meia e até pano com o suor dele, com promessas de “milagre instantâneo”, mas essa aí superou todas as expectativas minhas.

  3. Esses tipos de pastor movidos à grana são chamados pela Bíblia de inimigos da cruz de Cristo. Eles deturpam a mensagem do Evangelho para angariar vantagens. Ezequiel 34 nelles!!

  4. É claro que o argumento do Luciano é verdadeiro! Imagina se começar uma guerra de católicos contra evangélico.. Imagina agora os evangélicos argumentando contra católicos pois tem seus templos reformados com dinheiro público, suas TV’s com dinheiro público… existe algo mais esquerdista que isso? Mas não é esse o caminho que a direita deve tomar. Deixemos os embates teológicos para depois.

  5. Um aspecto que é ridículo é porque quase todos os católicos estão criticando os evangélicos por causa de meia dúzia de pastores estúpidos. Mas quanto vem escândalos de padres gays e pedófilos não tem criticas nem dos católicos nem dos padres sim. Só o silêncio.

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