Rodrigo Constantino está errado: Alexandre Borges não tem competência para fazer parte da GloboNews

11
186

Normalmente quando eu escrevo um texto comentando taticamente a atuação de alguém de direita, surge o butthurt, não tanto a partir dos formadores de opinião criticados, mas de alguns de seus seguidores. Sendo assim, já aviso que estou criticando uma posição específica de direita do Constantino e não a pessoa. Acredito que direitistas como ele também poderão objetar outra posição de direita, e isso é plenamente normal. Como Constantino é civilizado ao encarar críticas construtivas, não vejo motivos para polêmica desnecessária.

Entendo que, no que tange ao posicionamento político, devemos dividir a direita em dois tipos: paternalistas e críticos. O paternalista adota, vez por outra, a fé cega na crença, que é uma especialização da crença no discurso. O discurso paternalista quase sempre adota uma narrativa caridosa em relação ao adversário, como se fosse um pai aconselhando o filho. É assim que Friedrich Hayek disse: “Se o socialista entendesse de economia, não seria socialista”, o que é o mesmo que dizer “se o hacker entendesse de tecnologia, não seria hacker”. Isso não é uma visualização da esquerda como ela é, mas uma visão caridosa e paternalista. Na verdade, o socialista entende de economia, mas usa seus conhecimentos para objetivos adversos aos nossos. Eis a visão crítica, que busca se opor ao adversário real, visualizando-o como ele realmente é, e não como um pai buscaria visualizar um filho.

O paternalismo parece entender que “todos são bons”. A partir disso, quando o seu adversário te esmaga, basta aconselhá-lo na direção de “adquirir mais competência”. Veja o que diz Constantino:

constantino

Discordo radicalmente disso (e aí o direitismo crítico deve ser uma oposição ao direitismo paternalista). A competência de alguém deve ser avaliada em relação ao seu objetivo. Se formos escolher alguém para mentir em nome de um projeto totalitário e globalista, adotando cinismo psicopático e distorcendo todo e qualquer evento do mundo, os repórteres da Globo News são muito mais competentes do que Alexandre Borges.

Digo mais: se algum dia Alexandre Borges adquirir essa “competência”, passaria a ser visto, aí sim, com desconfiança por nós. Bem ao contrário do que ocorre hoje, quando ele faz um bom trabalho, extremamente útil para a direita. Mas esse tipo de trabalho não é o que a GloboNews quer. E nem faria sentido que eles quisessem isso.

Para compreender como essa noção se aplica a quase tudo na vida dos conflitos, basta saber que as ações militares de Hitler não surgiram de “falta de competência”, mas sim no uso da competência técnica em uma direção oposta ao que nós, amantes da liberdade queríamos. Uma pessoa como Winston Churchill, um dos maiores símbolos do combate ao nazismo, não precisaria “ensinar competência” ou “entregar competência” aos nazistas. Ao contrário: precisaria usar sua competência contra eles.

O pensamento tecnocrata é danoso por achar que grande parte das questões são “questões de competência técnica”, como se vivêssemos em um mundo onde a leitura de manuais e a participação em cursos nos levasse a uma sociedade da fraternidade universal. Mas o mundo real não é assim: é uma arena de interesses conflitantes. Se olharmos as coisas com menos paternalismo (e mais visão crítica), notaremos que nossos adversários não são “tontinhos enganados”, mas manipuladores em prol de um projeto de poder que se opõe aos nossos interesses.

Os repórteres da GloboNews são muito bons no que fazem, mas escolheram seu lado, que é exatamente oposto ao nosso. Eles não precisam de nossos conselhos sobre “aquisição de competência”, mas de nosso combate. A GloboNews não tem que ser “preenchida” com pessoas do nosso lado, mas derrubada.

Anúncios

11 COMMENTS

  1. ah vah! um post de ironia não comporta esse preciosismo todo neh? Menas! hahaha Mas o recado é bom: Essa turma canhota sabe muito bem ser canalha e tomar espaços, nós que somos bobinhos. por acaso ninguém é amigo de um dos Marinho para ao menos pedir um pouquinho de imparcialidade, um tiquinho só?

  2. Acho que o Constantino simplesmente quis desqualificar os jornalistas. Uma forma indireta de chama-los de burros. Eles, como você disse, não são nada burros mas rotula-los de burros está bom.

  3. Não sei não Luciano. Acho que tem as duas coisas. Socialistas conscientes de sua tarefa e ignorantes que se fossem bem informados mudariam de lado. Mas a sua abordagem é a mais correta no caso da globo, pois mesmo que haja idiotas úteis eles estão sob o comando do cabeçudo de brinquinho.

  4. E pensar que somos nós que sustentamos essa cambada de picaretas da EngodoNews. Pagamos por informações fidedignas e recebemos propaganda ideológica. Prestadores de serviços que não atendem aos anseios dos consumidores devem ser mandados pro olho da rua. A começar pelo diretor de jornalismo. O tal do careca de brinquinho.

  5. A mentalidade e o comportamento dos esquerdistas não podem ser confundidos com ignorância eles são inquestionavelmente pessoas de má índole, são guiados pela mais pura e total calhordice.

  6. Luciano Ayan, discordo da sua afirmação de que “a GloboNews não tem que ser “preenchida” com pessoas do nosso lado, mas derrubada”.

    Não que o boicote à imprensa esquerdista deva deixar de ser feito. Mas ele pode ser feito ao mesmo tempo em que ocorre a ocupação de espaços, conforme esclarecido por Felipe Moura Brasil:

    “Já basta a esquerda pedindo cabeças

    Blog resume como esquerdistas e direitistas lidam com “ocupação de espaços”

    Esquerda real celebra quando esquerdistas “ocupam espaços” em veículos de fato ou supostamente não esquerdistas, como ensinava Antonio Gramsci.

    Ela sabe que isto em nada compromete a demonização desses veículos e ainda abre uma fresta interna para a disseminação de sua narrativa ao público dos mesmos.

    Direita virtual, sem oferecer qualquer patrocínio ou trincheira alternativa, condena ou cobra saída de liberais e conservadores que “ocuparam espaços” em veículos esquerdistas ou não integralmente direitistas.

    Deslumbrada precocemente com o poder da internet e vitórias políticas parciais e pontuais, a direita até hoje não sabe por que perde o debate e o ambiente cultural do país para a esquerda.

    Uma das razões é simples:

    Enquanto esquerdistas buscam maneiras de espalhar mentiras por todos os meios, direitistas só querem que as verdades sejam espalhadas se for por meios impolutos, juntinho com os miguxos.”

    http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/ja-basta-a-esquerda-pedindo-cabecas/

Deixe uma resposta