Fabiano – que atacou este site – reconhece que aplicou “fake news”, mas continua com narrativa “fake”

3
82

Nada como um dia após o outro. Fabiano Angélico fez perseguição política contra este site ao divulgar conteúdo que tentava nos rotular como “site de fake news”, quando, na verdade, somos um site de análises políticas. Agora ele arregou, publicando o seguinte, em sua página de Facebook:

_fabiano_angelico

Vejamos abaixo alguns dos trechos da figura. Antes, é claro, pode ser interessante ler minha refutação ao ataque original dele, conforme pode ser visto aqui. Isso se você já não leu, claro.

Já leu? Então sigamos em frente:

Claro que me interessei [pelo conteúdo da AEPPSP]. Venho me interessando por esse tema de “fake news” e “pós verdade”, em primeiro lugar porque minha formação é em jornalismo, e em segundo lugar porque minha trajetória profissional dos últimos 10 anos — trabalho basicamente em projetos de transparência, accountability e integridade — baseia-se na premissa de que o acesso universal a informações (primárias, íntegras, relevantes etc) são fundamentais para o fortalecimento da Democracia.

Nós sabemos porque eles se “interessam” tanto pela “narrativa das fake news”. Porque a esquerda perdeu a hegemonia do debate público e suas contradições estão sendo expostas. Mas como eles desaprenderam a debater (talvez por terem mantido a hegemonia por décadas), vão ter que apelar à censura. Para isso, criaram, em novembro último, a “narrativa das fake news”. O objetivo sempre foi um só: censurar a divergência a partir de pretextos de combater fake news. (Vamos descobrir que tudo não passa de pretexto no finalzinho deste texto)

Aliás, é muito engraçado que ele revele trabalhar em “projetos de transparência, accountability e integridade” e tenha cometido erros tão primários, especialmente quanto a accountability. Por exemplo, nenhuma das afirmações de ataque do sujeito vieram sustentadas por indicadores. Não existe accountability sem indicadores. Isso até estagiários do ramo sabem. Está muito estranha essa conversa do Fabiano.

Há também algo cômico: ele deixou um link para a página do Linkedin, que contém uma prova que o compromete. Veja isto:

fabiano

Esta prova nos será útil em breve.

Sigamos:

Se existe acesso disseminado de informações, mas elas são falsas, caem por terra todos os potenciais benefícios da transparência (qualificação do debate público, fortalecimento da accountability, combate à corrupção etc).

De novo as típicas frases de efeito (tudo parte do truque), mas nada de dados sólidos e embasamento. Claramente é a repetição das narrativas que surgiram a partir de novembro. Se existem informações falsas, os órgãos devem ser escrutinados pelo público e desmoralizados na guerra política, e não censurados a partir de entidades financiadas por órgãos ligados a George Soros e o Partido Democrata dos Estados Unidos, por exemplo, ou que estejam fechadas com grupos partidários. Se existem danos causados por notícias falsas, os impactados devem recorrer à Justiça em casos específicos. Ou seja, não é questão de barrar “sites de notícias falsas”, mas de fazer denúncias sobre notícias falsas específicas.

Em tempo: o truque de tentar estigmatizar publicações por completo é um sinal de censura. Se a dupla Fabiano/AEPPSP realmente estivesse interessada em qualidade das notícias, iria atrás de notícias falsas, e não de organizações. Mas já sabemos o motivo pelo qual eles se recusam a tal abordagem. É para fugir da accountability…

Mas vamos ao meu papel de involuntário disseminador de notícia errada: o texto do post na página da AEPPSP me levou a entender que o estudo tinha sido feito por um projeto chamado “Monitor do Debate Político”. Tive o cuidado de entrar na página desse projeto (o texto do post original linkava para lá), que eu não conhecia. Logo de cara, vi que se trata de um projeto do GPoPAI — Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação. O GPoPAI, grupo multidisciplinar da USP Leste, eu conheço, é claro (afinal, trabalho com acesso a informações…). Entendendo que o autor do estudo era o GPoPAI, eu logo escrevi, num post próprio na minha página do Facebook, que um projeto da USP havia feito um estudo sobre os sites de notícias falsas e os tinha listado… Mas… não era bem isso. O GPoPAI não tinha feito nenhum estudo. O autor do estudo foi o pessoal da AEPPSP mesmo. Eles usaram, como base para a avaliação deles,uma lista de fontes utilizadas pelo “Monitor”. Isso não tinha ficado claro no post original deles — ao menos para mim. ERRO MEU. Eu não chequei, no site do GPoPAI, para ver se o estudo estava lá. Não satisfeito por usar meu próprio perfil, eu ainda mandei o link para a lista da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), organização da qual sou sócio há anos.

Essa historinha está muito estranha. Os incautos podem até ficar com a impressão de que ele “errou” mesmo. Mas, conforme sabemos, o uso do script da “narrativa das fake news” não tem nada a ver com erro. É o mesmíssimo truque já utilizado por CNN, Globo e outros players da grande mídia para arrumarem pretexto para censura. O problema é que desta vez eles erraram no ataque e talvez não estivessem esperando uma rebatida, até porque – muito provavelmente de modo deliberado – atacaram produtos de conteúdo sérios, que não iriam deixar o ataque barato. Talvez isso explique o recuo de Fabiano, que dificilmente “errou” nesse caso. Tudo tem cheiro de movimento de guerra política, mas que deu errado.

Pois bem, este meu post no Facebook teve 6,8 mil acessos!!! Vários jornalistas me escreveram, perguntando onde localizar a íntegra do estudo. Eu apenas respondia que tinha sido apenas repassador. Mas o estrago já estava feito… o episódio teve enorme repercussão. O professor Pablo Ortellado, do GPoPAI, escreveu sobre isso. A jornalista Tai Nalon, da agência de fact-checking Aos Fatos, também.

Engraçado que em muitos desses meios os ataques originais de Fabiano seguem mantidos. O post do Brasil247 citando Fabiano segue por lá, intacto. Quer dizer: o capital político continua sendo coletado. Esperto o Fabiano, não? Divulga a mentira, e depois faz a errata em seu site, com número mínimo de acessos. É o caso clássico de lançar a falsa acusação em público mas descartá-la em privado. Aliás, ele citou muitas organizações que vão se queimar em toda essa história, inclusive a agência Aos Fatos.

O mais divertido é que os censores da terceira onda de totalitarismo acreditam que basta utilizar seus fact checkers de esquerda que o jogo está terminado. Nos Estados Unidos, isso já começou a dar água, pois todos foram escrutinados. Hoje já existem meios eletrônicos de até mesmo validar a validação. Quer dizer: falamos aqui de accountability de verdade. Os censores estão se precipitando..

Há uma sede enorme por informações sobre essa indústria de “fake news”;

Não é verdade. Há um truque, propagado unicamente por um lado da guerra política (o lado da esquerda) para simular uma demanda inexistente. Se eles não tivessem intenções censórias, iriam refutar post a post, do mesmo jeito que nós, do Ceticismo Político, refutamos posts do Diário do Centro do Mundo e do Brasil247. Não queremos censurá-los. Basta, para nós, refutá-los. Mas gente como Fabiano tem outro interesse: não é a refutação de conteúdo, mas implementar censura.

Truque similar ao utilizado por Fabiano foi emitido pelo PT no fim de 2014 quando tentaram fazer a regulação dos meios de comunicação, tal como existe na Venezuela. Era sempre a mesma conversa: “Há uma sede enorme por informações sobre regulação econômica de meios”. Mentira. Era apenas a intenção totalitária vinda de um lado da guerra política.

É urgente desenvolver estudos mais aprofundados, com metodologias mais criteriosas, para se estabelecer o que são sites de notícias falsas;

Claro, claro… os famosos “estudos” feitos por agentes de esquerda, bem como associações como Barão de Itararé e Coletivo Intervozes fazem, em prol do petismo, para discutir “regulação econômica de meios”. Aliás, desde o livro La Cocina de La Ley, feito para explicar como se implementou a Ley de Medios na Argentina de Cristina Kirchner, já se sabe que o truque de fazer “grupos de estudo” para fingir que estão tratando de coisa séria, e não de censura, é um padrão.

Se fossem sérios, fariam grupos de refutação de conteúdo e de ações diversas para proteger vítimas de falsidades. Qualquer coisa além disso, é censura.

Aliás, é urgente desenvolvermos estudos sérios (como já estamos fazendo), com metodologia bem criteriosa (e com indicadores) para proteger vítimas de censura esquerdista.

Após feita essa identificação, é importante que todos aqueles preocupados com os valores democráticos atuem de maneira estratégica para esvaziar esses sites que disseminam mentiras e, muita vezes, desrespeito (digo isso porque fui vítima, nesse mesmo episódio: um dos sites listados pelo pessoal da AEPPSP escreveu um post bastante desrespeitoso comigo até expondo foto minha, além de ter me identificado como “membro da Agência Pública” — o que não sou, portanto mentira, “fake news”);

Aqui é o padrão hipócrita de sempre: gente envolvida em tentativa de censura de oponentes vem falar em “preocupação com valores democráticos”. Já não ouvimos essa conversa antes? Lembrem-se da narrativa da “democratização dos meios de comunicação”. Dilma, Maduro e Kirchner sempre usaram e usam esse discurso.

Ele cometeu um ato falho na frase “maneira estratégica para esvaziar esses sites que disseminam mentiras”. Se ele escrevesse “maneira estratégica para esvaziar sites com os quais não concordamos” (e que, de maneira leninista, serão definidos como “os que disseminam mentiras”) daria no mesmo. O bizarro é que em seu ataque ele não foi capaz de citar um estudo VERDADEIRO provando que qualquer um dos sites citados promove mais notícias falsas do que os sites aos quais ele se alia. Por exemplo, em que momento ele prova que o Folha Política produz um percentual de mentiras maior do que, por exemplo, o Diário do Centro do Mundo? Quais os critérios? Ele não tem, mas já veio rotulando de primeira. Isso que ele disse ser uma pessoa de “accountability”…

Vale a pena citar quatro frames embusteiros que ele utilizou, que seguem abaixo:

  1. “fui vítima”
  2. “escreveu um post bastante desrespeitoso comigo”
  3. “até expondo foto minha”
  4. “além de ter me identificado como “membro da Agência Pública” — o que não sou, portanto mentira, “fake news”

O item (1) é um clássico truque de vitimismo, essencial para dissimuladores pró-censura, como demonstrei claramente em meu livro “Liberdade Ou Morte”. Instâncias desse frame podem ser mapeadas.

O item (2) é outra ação de sensibilidade artificial na qual o sujeito exige um respeito indevido, uma vez que no debate público não precisamos respeitar pessoas que nos atacam, mas sim devemos atacar em retorno, civilizadamente, como fiz. Censores, no entanto, tendem a se fingir de “vítimas desrespeitadas” para usar o “trigger warning”. Já virou clichê…

O item (3) é advindo de um truque também manjado. Porém, a foto da qual extraí um frame era uma na qual Fabiano estava sentado à mesa com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e havia sido exposta publicamente. Logo, não existiu nenhuma violação de privacidade aqui. Ele tentou um truque de intimidação, que não funcionou.

Mas o item (4) é o mais divertido, pois como vimos antes, está no currículo do próprio Fabiano no Linkedin o trabalho feito para a Agência Pública. Então, ele é, sim, membro da Agência, ao menos em um nível. Pode até não ser funcionário. Se eu tivesse dito que ele é um funcionário assalariado, por exemplo, eu poderia ter mentido. Mas membro significa apenas “parte constituinte” de alguma coisa. Como provei em meu texto anterior, sim, Fabiano Angélico faz parte (ao menos do time de colaboradores) da Agência Pública, ao menos do time de produção de textos.

Neste último item, aliás, vemos a pressa com a qual ele usou o rótulo “fake news” para rotular uma informação verdadeira do oponente. Podemos definir este truque como “cry fake news”, como acontecia na antiga história do menino que gritava “lobo”. Como se nota, Fabiano já está treinando os recursos para censurar adversários. Mas vai dar errado…

Fundamental que haja um bom combate ao pretenso jornalismo, a esse lamaçal de “notícias” enviesadas e acusatórias, para que não tenhamos cada vez mais lideranças políticas baseadas nesses valores equivocados (já temos muitas lideranças com esse perfil, basta olhar em volta).

Opa, opa…

Antes falávamos de notícias e agora ele começou a falar em “lideranças políticas”. Estranho, não? E também começou a falar em “notícias falsas” e partiu para falar de “informações enviesadas e acusatórias”.

Mas uma coisa são “notícias falsas” e outra, completamente diferente, são informações “enviesadas e acusatórias”. Não são a mesma coisa. Todos os meios são enviesados. É fácil identificar o lado de cada um deles. Como amostra, a Fox News puxou a sardinha para o Trump, enquanto a CNN puxou a sardinha para Hillary. E daí? Isso não é exatamente o mesmo que “notícias falsas”.

Então, falar em notícias falsas para dizer que está cuidando de informações “enviesadas e acusatórias” é um baita de um ato falho. Em suma, ou uma notícia é falsa ou não é. Se ela é “enviesada” ou “acusatória”, isso é irrelevante. Mas se Fabiano quer cuidar de notícias “enviesadas e acusatórias”, então não está mais tratando do tema “notícias falsas”. Ele quer mesmo é patrulhar a atividade de jornalistas e opinadores adversários.

Creio que chega o momento de colocar Fabiano e as organizações aliadas a ele sob escrutínio. Só neste texto de rebatida dele encontramos vários buracos. Acho que vale dar uma fuçada nos textos da organização Aos Fatos, que merece ser detalhadamente observada. Eles fazem parte da era da pós-liberdade, ou seja, a terceira onda de totalitarismo do mundo.

Como disse anteriormente, Fabiano resolveu comprar briga com a pessoa errada. O jogo vai começar a ficar bem divertido…

Anúncios

3 COMMENTS

Deixe uma resposta