A justificativa de Flavio Bolsonaro para votar contra a privatização da CEDAE é mais furada que tábua de pirulito

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Como falamos aqui ainda hoje, o deputado estadual Flávio Bolsonaro votou contra a privatização da CEDAE, no Rio de Janeiro.

A favor da privatização, votaram 41 deputados. Contra, foram 28 votos. A maioria da bancada da extrema-esquerda votou contra. Vários deputados do PSDB também. E, pasme, Flavio Bolsonaro também votou contra, mesmo que a família Bolsonaro venha tentando ao longo do tempo obter votos de liberais. Agora a coisa complicou.

Como a posição de Flávio é injustificável, ele tinha que bolar narrativas, como, por exemplo, dizer o seguinte: “Não sou contra privatizações! Sou contra o projeto que prejudica o RJ e dá cheque em branco a governo cujo líder está preso por corrupção!”.

Isso tem um nome: conversa pra boi dormir. É preciso usar um pouco de ceticismo político aqui, principalmente pelo fato de Bolsonaro estar repetindo um chavão (“dar cheque em branco”) desconectado da realidade. Na verdade, essas narrativas são criadas mais para confundir seus eleitores do que prover um argumento de fato.

A questão é ética. É imoral para um defensor de ideias liberais ficar contra uma privatização, salvo ele tenha fortíssimos argumentos contra. Observe bem: não é que os argumentos daqueles que defendem a privatização precisam ser fortíssimos, mas sim o dos que se opõem à privatização, pois os liberais já provaram ao longo do tempo que empresas estatais desnecessárias são inimigas do povo.

Empresa estatal desnecessária só serve para uma única coisa: mamatas para os que adoram mamar e gerar corrupção. Empresas assim só servem para serem utilizadas contra o povo. Sair dizendo que “o negócio não é bom” para justificar a manutenção da estatização é coisa da extrema-esquerda, grupo ao qual Bolsonaro não pertence, mas diante do qual ele parece ter capitulado. É papo-furado.

Como falei anteriormente, a extrema-esquerda tem por princípio o aparelhamento estatal. Por isso, sempre dirá que “o negócio não é bom” ou que “o valor está barato demais”, mas, no fundo, eles só querem mesmo que a privatização não aconteça. Para quem vive de mamar no estado, essa é uma questão de princípio.

Já para alguém de direita, o indivíduo nos deve muitas explicações para ficar contra uma privatização deste tipo. Quando um direitista diz “eu não quero a privatização, pois este projeto não é o melhor”, a questão é: cadê o seu projeto então? Se Flávio Bolsonaro realmente quer nos convencer de ser a favor de privatizações e só ter ficado contra neste caso por “não ser um bom negócio”, cadê as provas de um projeto paralelo trazendo, enfim, o “melhor negócio” para privatizar a CEDAE? Sair dizendo “não gostei desse projeto” apenas para empurrar a privatização com a barriga – para nunca realizá-la, é claro, pois não nasci ontem – é algo que não pode enganar adultos.

As rotinas de eleitores de Bolsonaro já começaram. Por exemplo, um disse: “Não é privatização de verdade”. Ora, então cadê o projeto de “privatização de verdade da CEDAE” do Bolsonaro ou de outro político de direita? Ah, não tem, não é mesmo? De novo, é prova de papo-furado.

Qualquer argumento que Bolsonaro faça para aparentar ter razão por ter votado contra a “privatização errada” vai esbarrar no fato de que ele não tem como provar qualquer esforço na direção da “privatização certa”. É claro que é enrolação para tentar dourar a pílula. Ele simplesmente ficou contra a privatização e, para melhorar sua imagem arranhada, saiu dizendo que “não era o projeto ideal de privatização”.

No fundo, quem é saudosista da ditadura militar sabe que aquele período jamais foi marcado por privatizações. Ao contrário, foi marcado pelo aumento da estatização. Para a esquerda tucana e a extrema-esquerda petista, ávidas pelo poder após a saída dos militares, foi a festa.

Agora fica para a família Bolsonaro a pressão de se mostrar a favor da privatização. Por exemplo, que tal para Flávio Bolsonaro apresentar uns 3 ou 4 projetos relevantes de privatizações nos próximos meses para comprovar que de fato as apoia? Aí complica, não é?

A seguir temos 45 minutos de conversa furada, sem nenhuma evidência de que ele tinha um projeto paralelo ou empreendeu esforços pelo “projeto certo de privatização da CEDAE”:

Observações: a proposta de privatização da CEDAE é boa, pois prevê que a empresa vá a leilão. A narrativa de “é preciso ter um preço mínimo” é bobagem. O ideal é que os compradores paguem o melhor valor que podem. Capaz de rolar um terceiro post sobre o assunto, refutando rotina por rotina deste vídeo…

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40 COMMENTS

    • Não seriam as privatizações um projeto de interesse globalista, cuja pauta é de esquerda? De novo eu vejo esse pensamento reacionário, “se a esquerda é a favor é porque o contrario é bom em qualquer hipótese”. Como eu comentei no post anterior, os Bolsonaros são contra as privatizações(embora sejam contra estatais aparelhadas pela esquerda também) e isso não é novidade pelo menos para quem acompanha a carreira deles.

      O engraçado é que eu vejo esse site 90% do tempo criticando empresas privadas que censuram, participam de projetos de corrupção com dinheiro do governo, espalham noticias falsas que muitas vezes difamam e destroem vidas (a ultima do momento é as acusações de pedofilia contra o queridinho desse site, o Milo). Nem tudo é preto no branco.

      Pra terminar, eu acho essa ideia de “se for contra, cade a sua proposta?” meio que falacia. Pra toda opinião de valor tem que se formar uma tese acadêmica?

      • Mas meu amigo, ninguém tá dizendo que nas empresas privadas não tem corrupção. A principal questão das privatizações é enxugar a máquina estatal, tornar o Estado menos poderoso e menos oneroso, fazendo então que funcione melhor para o cidadão. É uma ideia de direita, e tá comprovada pela história que é muito melhor do que o Estado se meter com extrair petróleo, minério, fabricar aviões, camisinhas ou o que seja. Os Bolsonaros tem todo o direito de serem contra, mas que não venham com a balela de que são de direita ou que representam os ideais liberais poque aí fica igual os petistas do passado pregando a favor da democracia só pra passar a lábia nos incautos.

        Por fim, na sua crítica quanto as empresas privadas também cometerem crimes com dinheiro público, você não explica que isso aconteceu porque elas se envolveram com o Estado inchado, com enorme poder e quase nenhuma fiscalização para se locupletarem, e não porque elas são privadas. Falta muita lógica no seu argumento.

      • Rapaz… você percebeu o que você disse? Se tivesse percebido, ia entender o porquê de ser a favor das privatizações:

        “(…) Como eu comentei no post anterior, os Bolsonaros são contra as privatizações (embora sejam contra estatais aparelhadas pela esquerda também) (…)”.

        Então, aparelhadas pela direita pode? Ou você acha mesmo que há possibilidade de existir estatal sem direcionamento político? No primeiro caso, é desonestidade intelectual, e no segundo é fé cega na crença.

        O único jeito é privatizar, e sem privatização de araque (que é o que gera a corrupção que você menciona). Tem que privatizar e, sobretudo, impedir o capitalismo de compadrio.

      • “Então, aparelhadas pela direita pode?”
        Bem melhor do que ser aparelhada pela esquerda.

        “Ou você acha mesmo que há possibilidade de existir estatal sem direcionamento político?”
        Nem estatais nem empresas privadas existem sem direcionamento politico. Quanto mais empresas, estatais ou privadas, aparelhadas pela direita, mais capital politico para a direita.

  1. Os liberais são de esquerda. O liberalismo econômico não tem lado, tanto pode ser usado pela direita quanto pela esquerda.
    A marca da direita é o conservadorismo.
    Sobre o ocorrido, não concordo com o Flávio nesse ponto. Existe um vídeo do Jair falando contra a privatização da Vale que me deixa com a pulga atrás da orelha.
    No entanto, o meu apoio aos Bolsonaro está embasado no conbate dele ao politicamente correto, e aos projetos da esquerda que atacam a família, o cristianismo, e dividem a população. O liberalismo econômico é um tema que considero importante, mas em segundo plano em relação às proteção aos valores morais da nossa sociedade.

    • A manutenção das estatais desnecessárias serve para que partidos de extrema-esquerda empreguem a cumpanheirada e ganhem poder totalitário. É pouco, em sua visão? Enfim, as duas coisas são importantes (a guerra cultural por valores e a redução dos meios para aparelhamento).

      • Porque a direita não aparelha também? Não derramaria lagrimas se Trump nacionalizasse as mídias mainstream e sociais. Como ele mesmo falou, eles são o inimigo do povo.

      • Você sabe que isso é desonestidade moral, não sabe? A direita aparelha no lugar da esquerda – só trocamos o ditador de estimação, então?

        Ou ainda está achando que existem heróis? Que vamos em algum momento eleger os “escolhidos”, que vão chegar lá e fazer “só o que é bom para todos”?

        Se existisse alguém assim, nem haveria sentido em debate esquerda X direita.

        Quanto menor o Estado, menor também a possibilidade dele nos dominar, menor a carga tributária…

      • Fazer julgamento moral de táticas é erro tático. E mais, aparelhamento não acontece só em estatais, vcs tão tratando sintoma como causa.

        “Quanto menor o Estado, menor também a possibilidade dele nos dominar, menor a carga tributária…”
        Em teoria sim, na pratica vão ficar todos a merce de megacorporações esquerdopatas só por que “fazer aparelhamento é desonesto blablabla”.

      • “Sério isso? Porque as megacorporações não fazem isso então? Tá assistindo muito Robocop. O livre mercado impede isso.”
        Elas fazem isso atualmente, vc é cego por acaso? E esse negocio de livre mercado impedir isso ou aquilo me parece crença religiosa. A livre movimentação de pessoas, dogma do mercado livre, é benéfica para as esquerdas, faz as contas, rsrs.

  2. Acho temeroso rotular os Bolsonaros de liberais. Eles são conservadores, para os quais a redução do tamanho do Estado não é pauta prioritária. Sabendo-se posicioná-los corretamente no espectro político, vemos que essa cobrança sobre seu voto “contra” perde o sentido.

  3. Admito que estou boiando nessa discussão dos tipos de privatização, gostaria que você comentasse esse texto pois pelo que entendi seria melhor ir a leilão do que o governo pegar um empréstimo que não vai pagar.

      • Porque não se está apresentando nenhum projeto concreto! Estão se apresentando promessas de muito boas intenções dos nosso deputados para honrar seu compromisso com o Governo Federal (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/veja-a-integra-do-texto-do-projeto-de-lei-que-autoriza-a-privatizacao-da-cedae.ghtml).

        Se entendi direito os argumentos do Bolsonaro e o processo em pauta, a honestíssima Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, toda ela ex-amigona de Sérgio Cabral, com o projeto de Lei que foi aprovado, está dizendo ao governo Federal: “Vocês podem me emprestar os 3,5 bilhões que eu, Assembleia Legislativa, juro, prometo, garanto, dou minha cara a tapa (bem . . . a minha não, a de meus eleitores) num futuro ainda a ser definido (6 meses? ) privatizar a CEDAE.

        O cenário futuro que o Flávio Bolsonaro pintou foi: o Governo Federal, acreditando na honestidade de nossos deputados, empresta os 3,5 bilhões para o Rio de Janeiro e fica esperando a privatização da CEDAE. A nossa dívida já monstruosa, aumenta ainda mais e os 3,5 bilhões, como a Jules Rimet e as vigas da Perimetral do Rio, se volatilizam no bolso de nossos rechonchudos e rosados Deputados e o povo Fluminense continua devendo.

        Se o Governo Federal, como uma nova Poliana, aceitar candidamente todas as promessas de boa intenção dos senhores deputados fluminenses, estará, sim, colocando, não um cheque em branco, mas um cheque de 3,5 bilhões de reais, para “salvar” o Rio, nas mãos daqueles que o afundaram.

    • A análise do Alexandre Borges é boa, mas não trata da questão que eu falei: “Se o projeto de privação da CEDAE não era bom, então por que Flavio Bolsonaro não apresentou outro melhor?”. Dar vários motivos para afirmar que “o projeto não é bom” não responde logicamente o meu questionamento.

  4. Militares brasileiros sempre foram estatistas. Desde os “tenentes”, querem fazer o Brasil avançar sem a “desordem” dos mercados e a “ganância” dos empresários. No fundo, propõem um capitalismo não concorrencial e não inovador, que funcione sob forte supervisão estatal, gerando receitas para financiar os “projetos estratégicos do país”. Acreditam no “lucro justo”, não excessivo, e no patriotismo de trabalhadores e empresários, que devem entender-se para o bem da Pátria, numa mesa de negociações capitaneada por governo probo e empresas estatais honestas. Os Bolsonaros não pensam coisa diferente disto. Economia de mercado de verdade, com o lucro resultando do sucesso do empreendimento particular, do risco do capital próprio investido no estilo “quebrou-faliu” não é com eles não!

    • Exatamente!

      Militaristas são contra o esquerdismo cultural e a favor da estatização.
      Esquerdistas são a favor do esquerdismo cultural e a favor da estatização.

      Militaristas são como os Russos, querem uma sociedade de alto nível moral e uma economia impulsionada pelo estado.

      • Funciona na Russia, mas como o Brasil é um estado vassalo, ir contra os “valores ocidentais” pode gerar graves consequências. Talvez com Trump possa surgir uma nova possibilidade de um Brasil mais patriota e menos degenerado.

  5. Sou contra as privatizações, porque todo patrimônio público foi construído com dinheiro público. Nenhuma privatização trouxe ganho para a população. Ninguém compra uma empresa, para fornecer um serviço ou produto que não dá lucro. O correto é fazer uma auditoria, identificar o problema ou o desvio, repatriar o que foi roubado e demitir o ladrão. A privatização é apenas uma forma de deixar o ladrão impune. Achar que uma uma empresa que não tem concorrentes e fornece serviço essencial dê prejuízo é acreditar em coelhinho da páscoa que põe ovos de chocolate.Toda forma de preenchimento de cargo público deve ser por concurso público. Além do mais, comprar empresa pública com dinheiro do BNDES, é coisa pra companheiro.

    • Engraçado que a extrema direita já condenava o Milo por ser homossexual e também por fazer “apologia a pedofilia”, mas foi a extrema esquerda que colocou em pratica o assassinato moral de Milo. Pelo que eu entendi ele fez uma piada de mal gosto sobre a época em que um padre o molestou, mas não sei se ele denunciou esse padre o que talvez pegue mal para ele, pois está dando a oportunidade para esse padre cometer novos atos de pedofilia. Talvez a mídia tenha segurado essa história pelo fato de ela defender e até mesmo militar por pedófilos no novo episodio da guerra cultural. é grande a incidência de pedofilia e hebefilia(desejo sexual por adolescentes na puberdade) na comunidade LGBT, obviamente a mídia omite.

  6. Luciano, não é uma pergunta retórica, eu realmente gostaria de saber algum exemplo de “empresa estatal necessária”. Por enquanto, para mim, TODAS as empresas estatais são, a priori, desnecessárias.

    • Isso depende do que você chama de empresa.

      O Estado deve fornecer educação, saúde e segurança. E só. Mas, considerando o que chamamos de empresa, nem isso.

      Se o Estado fornecesse apenas esses itens, mas com excelência como padrão mínimo e livre concorrência, seria o suficiente:

      1 – educação fundamental nível USP. Escolas particulares devem oferecer, no mínimo, o mesmo padrão, ou se limitarem a cursos complementares;

      2 – educação superior nível USP. Universidades particulares devem oferecer, no mínimo, o mesmo padrão, ou se limitarem a cursos complementares;

      3 – hospitais nível Sírio Libanês. Hospitais particulares devem oferecer, no mínimo, o mesmo padrão, ou oferecerem apenas procedimentos não cobertos pelo Estado.

      Parece difícil, mas se o Estado só fornecer esses serviços, não é impossível.

      • Obrigado pela resposta, truedondrago. Eu me referia ao sentido estrito do termo, como definido em lei. Ou seja, PJ de direito privado, que explora atividade econômica e é submetida às mesmas regras comerciais impostas a uma empresa privada. Neste contexto, estão de fora escolas, universidades e hospitais públicos. Enquadram-se: Correios, Caixa, Petrobrás…

        A propósito, escolas, universidades e hospitais públicos não deveriam nem existir. Não deve ser função do estado fornecer educação e saúde. Segurança, talvez, mas a princípio apenas contra outros países.

  7. Não é raro ver os Bolsonaros (todos eles) fazendo besteiras de vez em quando. Esse foi mais um exemplo. É por essas e outras que eu não me empolgo com eles.

  8. Agora a CEDAE virou garantia para caso o estado não pague o empréstimo (e isso vai acontecer).
    Ja que não vão pagar ela vai ser privatizada, logo ela que da lucro e poderia render um bom dinheiro sendo privatizada vai ser entrega bom uma merreca. Ser a favor disso tudo bem, mas tratar que é contra (exceto a esquerda) como se tivesse feito algo absurdo é demais.

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