Toda oposição de direita à privatização é imoral e requer pressão de nosso lado. Veja o motivo…

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O que mais incomodou na semana passada não foi nem a votação de Flavio Bolsonaro contra a privatização da CEDAE – pois ele poderia se desculpar, e seu voto não foi suficiente para impedir a privatização -, mas sim a insistência em justificar o indefensável. Enquanto o mínimo que se esperava era um pedido de desculpas, Flavio retornava com clichês e rotinas como “não podemos dar cheque em branco” ou “isso não é nem privatização” ou coisas do tipo.

Fiz os seguintes posts a respeito:

É preciso tratar a questão da privatização de maneira adulta em termos políticos. A discussão não é técnica. Não tem nada a ver com “tem que ter um preço mínimo” ou “o negócio não é bom”. Isso é papo administrativo. A questão é inteiramente outra: é a de posicionamento numa guerra.

Uma estatal pode ser de dois tipos: essencial ou desnecessária. Uma estatal essencial é aquela que obrigatoriamente deve ficar nas mãos do governo, pois são serviços que não podem ser fornecidos pela iniciativa privada. Mas a grande maioria das estatais são desnecessárias, ou seja, não deveriam estar nas mãos do estado. Todas estas estatais só seguem nas mãos do estado por um único motivo: servir como fonte de recursos para que a esquerda destrua a direita. É armamento nas mãos do inimigo e nada mais.

Se a Vale estivesse nas mãos do estado, bem como as teles, muito provavelmente o PT conseguiria usar os recursos dessas empresas para ficar no poder, em estilo venezuelano, e praticar muita violência contra nós. Observe que nós lutamos contra o PT que tinha a Petrobras, os Correios e o BNDES, dentre outras, mas seria muito mais difícil tirá-los do poder se eles também tivessem a Vale e as teles em suas mãos. Relembre o que Jair Bolsonaro disse sobre as privatizações dessas empresas:

Argumenta-se que ele mudou de opinião. Ótimo. Isso seria um mérito. Mas a atitude de Flavio Bolsonaro não coaduna com essa mudança de opinião, que seria uma mudança de opinião da família Bolsonaro (agora supostamente em favor das privatizações).

É preciso ter claro: discursos como o da “eficiência” ou “da melhor venda” não passam de conversa fiada que não endereçam o principal, que é a busca de argumentos para dar ou não armas ao adversário. É dito que os Bolsonaros, por serem tecnocratas, acreditam um “modelo racional de estatizações”, mas estariam adotando um discurso liberal para cooptar votos de outra parcela da direita. Se assim o é, que abandonem a crença tecnocrata. A crença no “modelo racional de estatizações” é moralmente inaceitável e só serve aos interesses da extrema-esquerda.

Não adianta alguém mandar um vídeo com Flavio gastando longos e longos minutos para explicar que “não é o melhor negócio” ou que “não pode dar cheque em branco”. A única atitude aceitável de direita nessa questão é: (1) apoiar a privatização, ou (2) ter vindo antes e com mais força com um projeto de privatização melhor. Qualquer outra opção além destas duas é inaceitável, pois resulta em (3) evitar a privatização, o que significa dar recursos e armas para o nosso inimigo da extrema-esquerda, muito mais especializado e motivado para o aparelhamento estatal do que nós. Por exemplo, boa parte da direita não tem como projeto de vida mamar em estatais para sustentar projetos de poder. Quase toda a extrema-esquerda só tem isso como projeto de vida.

Em resumo, quanto mais tempo Flavio Bolsonaro gasta para emitir narrativas “contra a privatização da CEDAE”, pior, dado que isso significa mais esforço em prol de justificar o fornecimento de recursos aos nossos inimigos, recursos estes traduzidos em forma de manutenção de uma estatização, o que sempre serve aos interesses da extrema-esquerda. A cada privatização feita, o alívio é nesse sentido: “Ufa, menos armas estão nas mãos do inimigo. Melhor para nós”. Ou porque a extrema-esquerda liderou as manifestações contra a privatização da CEDAE? Elementar…

Logo, a única coisa que Flavio Bolsonaro poderia fazer para a direita é pedir desculpas e garantir um pacote de privatizações (como compensação pelo ato da semana passada). Sair emitindo narrativas “contra a privatização da CEDAE” é ofensivo.

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10 COMMENTS

  1. Não sei porque eu tenho a impressão de que subornos não acabariam com as privatizações, talvez a fonte de dinheiro mudasse, só isso mesmo. Chega ao ponto em que agente torce para que os corruptores compartilhem da nossa agenda politica.

  2. Vender patrimônio público, à preço de banana, para empresários corruptos, islâmicos e socialistas, que vão usar todo o dinheiro arrecadado destas empresas agora privatizadas, para financiar movimentos esquerdistas, que desestabilizarão o país afim de implantar uma ditadura… parece bem moral mesmo.

    Todos queremos a diminuição do Estado e mais privatização e Livre-Mercado, mas não transformem isso em uma Ideologia Utópica onde os fins justificam os meios.

    Isso é moral esquerdista.

    • Olavo, qual é o problema mais urgente, no momento? Nos livrarmos da esquerda que está encastelada em todo esse mundaréu de estatais que temos hj no Brasil ou evitarmos cair nas mãos das elites globalistas? EU, pessoalmente, acredito que, no momento, o mais importante é escapar da esquerda suja e bolivariana que domina o aparato estatal brasileiro. Não que os globalistas não sejam um problema tb, mas temos que escolher o mal menor nesse momento. E pra mim, hoje no Brasil, o mal maior é essa esquerda estatal que temos e que quer nos escravizar.

  3. “Bolsonaro pediu o fuzilamento de FHC por privatizar a Vale, mas mudou de opinião”

    Vocês (me dirijo inclusive ao Luciano) REALMENTE acreditam nisso?

    Do mesmo jeito que acreditam de tudo bem que Bolsonaro e seus filhos tenham casas e carros luxuosos pagos com NOSSO DINHEIRO que eles chamam de “salário de deputado”?

    Parece que eu estou diante de coroinhas, e não de adultos falando sobre política… Me deprime um pouco quando eu vejo direitistas que não são extremistas, que são mais pragmáticos, aliviando para o Bolsonaro. Dá impressão que querem fazer uma média com a extrema direita. É tão difícil assim romper com esses boçais extremistas de vez?

  4. A direita deve sempre apoiar privatizações? Estatização só serve aos interesses da extrema-esquerda? Então a Marine Le Pen e boa parte da direita europeia são de extrema-esquerda? E por que Merkel, Macron, Clinton, Blair etc apoiam privatizações se querem destruir a direita?

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