Questionando Fréderic Bastiat sobre sua fé cega na crença

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No livro “A Lei”, Frédéric Bastiat escreve:

Seria necessário estar sob efeito do partidarismo ou do medo para questionar a sinceridade daqueles que defendem o protecionismo, o socialismo e o comunismo, que não passam de uma mesma planta em três estágios diferentes de desenvolvimento. Tudo o que se pode afirmar é que a espoliação é mais visível no comunismo porque é completa e no protecionismo porque se limita a certos grupos e interesses específicos. Assim se segue que, dos três sistemas, o socialismo é o estágio de desenvolvimento mais vago, indeciso e, consequentemente, sincero.

A obra foi escrita em 1850.

Passaram-se algumas décadas e vimos que o comunismo nunca foi sincero em seus discursos, mas macabramente estratégico em suas intenções de totalitarismo. Mais de 100 milhões de pessoas foram assassinadas por ditadores sádicos que viveram (e alguns ainda vivem) como nababos. Na Coreia do Norte, o ditador Kim Jong-un possui um harém. Em Cuba, milhões de pessoas vivem como escravas. Nicolas Maduro morre de rir enquanto leva intencionalmente a devastação econômica ao seu povo.

Está em pensamentos como o de Bastiat a origem da fé cega na crença. A crença que faz uma pessoa – principalmente de perfil liberal, mas também podendo ser conservador em alguns casos – acreditar que o mundo é composto de anjos munidos de boas intenções, que às vezes dão errado. Pena que a realidade está aí para demolir essa crença arrogante.

Respeito o trabalho de Bastiat, desde que seja feito o adequado filtro, isolando do conteúdo o direitismo paternalista. É preciso de fé cega para acreditar que um socialista é “sincero nas boas intenções de criar igualdade”. É daí que surgem afirmações absurdas como “o socialismo não funcionou”.

A diferença é absoluta entre os discursos paternalista e crítico. O primeiro, então, dirá que “o socialismo não funcionou, e por isso temos que lutar contra ele”. O direitismo crítico já diria que “o socialismo funcionou para suas reais intenções, e é por isso que temos que lutar contra ele”.  Eis, enfim, a oposição radical que proponho entre o direitismo crítico e o direitismo paternalista.

Eu diria que a posição crítica é muito mais confortável, pois são os crentes na “boa intenção” dos socialistas que precisam provar que no fundo das mentes deles só existem “boas intenções que dão errado”. De nossa parte, basta exigir evidências dessas “boas intenções” e avaliar coisas como socialismo e comunismo como elas são: unicamente meios para obter poder totalitário.

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3 COMMENTS

  1. Você não entendeu o que Bastiat disse. O socialismo é sincero justamente por ser vago e indeciso. Vago por se vender como o “bem”. Indeciso por ser apenas um “caminho” para o comunismo. Essa “sinceridade” é algo totalmente indesejável. Bastiat foi irônico, e você não percebeu isso.

  2. Adquiri o livro na semana passada, estou terminando de ler ‘Livre para Escolher’ de Milton e Rose Friedman. O que sei é que Fréderic era humorista nas suas comparações para não “bater” de frente, talvez por medo de ser guilhotinado.

  3. Os líderes coletivistas são hipócritas, mas muitos indivíduos enganados por eles são sinceros em algum grau. Precisamos aprender a falar de formas que reconheçam essas duas realidades ao mesmo tempo, de modo a atacar os primeiros e converter os segundos se possível.

    Se pressupormos que todos são igualmente sinceros ou igualmente hipócritas, estaremos vendo a realidade de forma distorcida e seremos ineficientes. No primeiro caso, vamos dar margem para os hipócritas crescerem; no segundo, vamos repelir os sinceros conversíveis.

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