Até CEO colunista do Linkedin reconhece: Marketing da "lacração" é perigoso e a Amazon descobriu da pior maneira

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Eden Wiedemann é CEO na Wololo e colunista do Linkedin, e esta semana ele publicou um artigo no site a respeito do “marketing da lacração”, se referindo ao caso da Amazon. Embora o autor em questão seja obviamente esquerdista, dá para pescar alguns pontos relevantes de sua análise para que eu possa fazer a minha. Vamos a eles…

No começo, ele escreve:

“É complicado não apenas pela minha dificuldade de me manter isento quanto aos fatos mas também pela situação em que a internet brasileira se encontra, ácida, agressiva, polarizada e combativa. Mas acho válido tratar como uma ação publicitária mal projetada pode sair pela culatra.”

Note a parte em negrito. Ele se queixa pela “polarização”, termo que na realidade significa apenas que agora há divergências no debate. Geralmente quem utiliza esse expediente é o mesmo tipo de pessoa que, no fundo, preferia as coisas como eram antes, com a direita silenciada em seu canto e o centro das discussões girando entre a própria esquerda, radical ou moderada.

“Nós últimos anos o verbo lacrar ganhou um novo sentido. Muito utilizado pela militância de esquerda o verbo passou a significar “mandar bem”, “arrasar”, sempre no contexto mais combativo. Uma lacrada – é, é meio ridículo mesmo – seria dar um fora em um coxinha, largar um Fora Temer na hora certa, expor todo seu esquerdismo em contra ponto a um eleitor do Bolsonaro e coisas do tipo. Um termo que nasceu em um nicho. Deu pra entender?”

Sim, entendemos. É mais ou menos isso aí mesmo. Por isso, aliás, tenho utilizado o termo em algumas ocasiões que parecem pertinentes. Fazer isso é sequestro de pauta, uma arte bastante dominada pelos esquerdistas. No entanto, tal feito parece desagradar o meu nicho, sendo assim é bom rever a questão.

Agora vem o fatídico reconhecimento do óbvio:

“Veja bem, eu compreendo uma turminha jovem buscando lacrar para ganhar status e relevância entre os seus. Faz parte. Todos nós, uma vez jovens, tentamos ganhar status entre os nossos. O que não entendo é que uma marca se deixe levar pelo desejo de lacrar sem ao menos avaliar os riscos disso. A Amazon caiu nessa armadilha. E tomou na cabeça.”

Em outros tempos, talvez, essa estratégia da Amazon tivesse dado algum retorno positivo. O que faltou foi uma boa leitura da realidade, faltou timing. Em 2010 isso até poderia dar certo, mas não hoje. Hoje as pessoas de bom senso e alguma honestidade estão fartas dessa “lacração”, estão de saco cheio de justiceiros sociais. Pichação até podia ser moda nos anos 2000, mas já passou. Nem adolescentes com o mínimo de noção aderem mais a essa modinha. Se o diretor de criação petista tivesse pensado nisso, arranjaria outros meios de cutucar a prefeitura, ou poderia simplesmente fazer um comercial de verdade em vez de uma provocação. Mas o caso é que militante é militante, esteja onde estiver.

Continuando:

“A mega corporação internacional, que é liderada por um liberal que certamente optaria por Jodão Dória e não por Haddad, jogou na rede o vídeo acima, onde cutuca com vara muito curta um projeto Cidade Linda, do prefeito da capital paulista. De cara eu poderia apontar alguns erros básicos:

  1. Ignoraram o poder nas redes, o domínio da narrativa e capacidade de resposta de João Dória, que se mostrou um hábil comunicador nas redes, tornando-se rapidamente o maior case de presença digital de um político brasileiro.
  2. Resolveram se posicionar contra uma ação que tem altissímo nível de aprovação por parte da população (97% se diz contra as pichações).
  3. Ignorar a aprovação do prefeito que gira em torno de 77%, ele vive uma lua-de-mel não apenas com a cidade que administra mas com boa parte do país que acreditou e comprou a narrativa do “João Trabalhador”.

Mas acho que vai além disso. Ao escutar a ideia e aprová-la a Amazon resolveu focar para uma minoria, comprando todos os riscos acima, pela possibilidade de lacrar. Ignorando, inclusive, que existem muitas outras formas de se ter uma atitude cidadã – e ignorando também que hoje não basta dizer que é, tem que mostrar que é – e que o lacrar não ajuda a mudar o mundo já que não é um estímulo ao debate, é uma ação em prol de uma torcida, é desagregador.”

Primeiramente, não dá para dizer que Bezzus é um liberal. Talvez no modelo americano em que “liberals” são esquerdistas democratas. Contudo, a análise do CEO da Wololo está corretíssima. Diferentemente dos gestores da Amazon, ele soube ler a realidade. De fato, atacar o projeto Cidade Linda foi um tremenda estupidez, assim como foi estúpido defender pichações. Na realidade, o atual momento desfavorece os inimigos de João Doria como ninguém poderia ter previsto, em especial porque ele mostra serviço e se comunica bem como poucos.

Hoje as redes sociais estão mesmo “polarizadas”, e isso é bom para nós. Significa que não mais os esquerdistas dominam o debate público, mas que podemos fazer frente a eles, que podemos determinar algum controle sobre os assuntos. Ainda falta habilidade retórica e, de certo modo, maquiavélica para grande parte dos direitistas, mas as coisas estão caminhando para uma direção melhor.

A análise de Wiedemann termina aí. Com exceção de nossas óbvias discordâncias ideológicas, ele foi direto ao ponto.

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7 COMMENTS

  1. Pessoal pró Bolsonaro, leia o post do Luciano 3 vezes antes de criticar o resto deste comentário. Se não entender a relação, recomendo voltar a estudar interpretação de texto.

    O texto traz todos os motivos para o Bolsonaro não se sair tão bem quanto esperam seus seguidores.

    Bolsonaro certamente não tem (1). São seus fãs que imaginam e propagam esse (1).

    Bolsonaro pode até não conseguir emplacar um (2), mas criar e defender publicamente uma proposta de (2) traria muito mais votos para ele do que “mitar” com respostinhas contra a esquerda. Existem VÁRIAS pautas que ele poderia defender, como redução dos benefícios do legislativo, fim dos cargos por indicação, fim do foro privilegiado. Mas não é só “apoiar” essas causas. É defender, ir a público, tocar no assunto sempre que possível, incentivar na sociedade, et cetera.

    Com (1) e (2), ficaria fácil ele obter (3).

  2. Sem falar que a empresa Amazon-BR, para projetar as frases de autores famosos e criticar o Programa da Limpeza, aproveitou-se justamente onde foi limpo.

    Tomou uma bela invertida: ou ela acataria o pedido do Dória ou passaria por oportunista.
    Nos dois casos o prefeito ganha.

    Parabéns Dória!!

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