Vice-presidente da Marvel percebe que "justiça social" não vende quadrinhos. Descobriu a pólvora…

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Embora tenha entendido de forma errônea, o vice-presidente da Marvel Comics percebeu que esse negócio de ideologia de gênero, “justiça social” e pautas do movimento negro não ajudam a aumentar as vendas. Pelo contrário, aliás. Em entrevista para a revista ICv2, publicada pelo portal UOL, ele diz:

“Pelo que ouvimos, as pessoas não querem mais diversidade. Não querem personagens femininos. Foi o que ouvimos, acredite ou não. Não acredito que isso seja verdade, mas é isso que vemos nas vendas.”

Não é bem esse o problema. Na realidade, as pessoas gostam de personagens femininos, bem como personagens negros ou o que quer que seja, desde que os mesmos tenham uma boa estória. Luke Cage, por exemplo, mesmo sendo um personagem pouco conhecido do público, ganhou uma série na Netflix que teve bom alcance entre os assinantes. O mesmo pode ser dito sobre Jessica Jones. A DC Comics também tem personagens femininos, tais como Mulher Maravilha e Super Girl, e nenhum fã de quadrinhos jamais se incomodou com isso.

A verdade é que o público de quadrinhos não quer mesmo é essa forçação de barra, essa linguagem ridícula para agradar SJW. Na realidade, os “justiceiros sociais” não são consumidores de revista em quadrinhos, este é o ponto. O público alvo para esse tipo de negócio é composto, em grande parte, por pessoas que gostam de jogos, de ficção científica e temas do gênero, não por engajadinhos universitários de faculdade federal.

Há também outro fator importante: mudar personagens que já existiam. Em uma HQ da Mulher Maravilha (que é da DC, não da Marvel) a personagem adota um discurso feminista e chega a falar em “mansplaining”, o que é simplesmente ridículo. É este o real motivo de as vendas terem caído, não o fato de os personagens serem femininos.

O vice-presidente da Marvel vai ignorar o apreço dos fãs de quadrinhos por personagens como a Tempestade – que, aliás, é negra e tem ascendência africana, a Elektra ou a Jean Grey? O problema mesmo é o Homem de Ferro ter se transformado em uma menina muçulmana…

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31 COMMENTS

  1. Como assim “não entendeu”? Tu não vê isso como um claro ataque de frames? Você está sendo paternalista, Luciano! Já foi melhor nisso. Hehehehe…

      • E eu acho que nem tem como ignorar que eles estavam mal intencionados mesmo: http://cabanadoleitor.com.br/diretor-da-marvel-comics-o-consumidor-de-quadrinhos-nao-quer-diversidade-nas-hqs/

        Descrição dos pontos da reunião:

        – Descaracterização dos personagens clássicos, e a inclusão de minorias.
        – Muitos eventos grandes que a todo o momento reiniciam o canone;
        – Pessoas que trabalham na Marvel, a equipe criativa;
        – Politica da editora;

        No item 1, o problema é um só, e não 2 como David Gabriel “manipulou” na entrevista:

        “O que ouvimos foi que as pessoas não queriam mais diversidade. Eles não queriam personagens femininas lá fora. Foi o que ouvimos, acredite ou não. Eu não sei se isso é realmente verdade, mas é isso que vimos nas vendas.”

        “Vimos as vendas de qualquer personagem que fosse diverso, qualquer personagem que fosse novo, nossos personagens femininos, qualquer coisa que não fosse um personagem principal da Marvel, as pessoas estavam virando o nariz contra.”

        Ou seja, o cara finge que o problema é ter personagens femininas. Mau-caratismo da pior espécie.

        E ainda deixou claro que o plano era continuar com o chorume SJW se as vendas não tivessem caído:

        “Isso foi difícil para nós, porque tínhamos muitas ideias frescas, novas e excitantes que estávamos tentando e nada de novo realmente funcionou…”

        O que vocês acham que eram essas ideias “frescas, novas e excitantes”? MAIS CHORUME.

  2. Está misturando as coisas, a garota muçulmana não se transformou no Homem de Ferro. Essa é a Kamala Khan, chamada de Miss Marvel, que adotou esse nome por ser muito fã da Miss Marvel original (esta também uma versão feminina do falecido Capitão Marvel, criada lá na década de 60). A personagem muçulmana vende muito bem, tem ótimas histórias e vai muito bem de crítica.

    A personagem que assume a armadura do Homem de Ferro é a Riri Williams, uma superdotada estudante do MIT. Ainda não li histórias com ela e não poderia dizer se são boas ou ruins.

    Os problemas de vendas da Marvel são muito mais complicados do que simplesmente dizer que são por essa busca por agradar minorias. Se pegar toda a história da Marvel vai ver que transformar em heróis pessoas fora dos padrões foi sempre uma das sacadas do Stan Lee e seus parceiros de criação.

    O que está pegando agora, além de um exagero em agradar minorias, são diversos erros editoriais que estão fazendo o público leitor cansar de tantas histórias ruins. Todo ano criam intermináveis sagas que obrigam o leitor a comprar várias revistas para entender. Uma safra de roteiristas fracos para entupir as comics shops como centenas de revistas medíocres em vez de se concentrar em menos títulos e elevar a qualidade apostando em equipes criativas de sucesso, cobrança um preço maior que a concorrência etc.

    • “A personagem muçulmana vende muito bem, tem ótimas histórias e vai muito bem de crítica.”

      Críticas hoje em dia são feitas por ultraesquerdistas, então é irrelevante na maioria dos casos. Quanto as vendas, não acredito, se vc tiver os dados para provar boas vendas fique a vontade para citar.

      “Se pegar toda a história da Marvel vai ver que transformar em heróis pessoas fora dos padrões foi sempre uma das sacadas do Stan Lee e seus parceiros de criação.”

      Nisso eu concordo, quadrinhos americanos são recheados de pessoas subversivas desde os seus primordios, a diferença é que eles estão perdendo a capacidade de exercer influencia cultural hoje em dia. Hoje em dia é bem mais facil simpatizar com o vilão, não por ele ser mais atraente, mas por eles terem ideias mais senso comum (como por exemplo o Red Skull dando discursos contra muçulmanos invasores, imigrantes ilegais etc).

      • O que você entende do mercado de quadrinhos e editorial?

        Comparar o primeiro com o centésimo colocado, de uma lista que contém todas as revistas do mercado americano que são distribuídas, é lógico que vai considerar o último como ruim de vendas. Mas não é assim que uma editora analisa se um produto vai bem ou não.

        Ela tem uma expectativa em relação ao produto que põe nas prateleiras. Se alcança a meta de vendas desejada, não importa a quantidade, a revista continua no mercado e é considerado boa de vendas.

        Hipoteticamente (ou seja, valores fictícios só para exemplificar), se a revista da Ms Marvel precisa vender 30 mil e vende 40 mil, foi um sucesso e se vender só 10 mil, será um fracasso, não importa que o primeiro colocado da lista venda 100 mil. Entendeu?

        Esse é um ranking de vendas, não do que há de melhor ou pior no mercado. Pode ter certeza que existe muita revista ruim, de roteiros toscos, esquecíveis que vendem mais que revistas mais elaboradas, elogiadas, mas que atraem um público mais seletivo.

        O problema pra Marvel não é a vendagem de uma Ms Marvel, pra ficar nesse exemplo, mas sim produtos como Homem-Aranha e Vingadores que tem muito mais apelo comercial. Se essas revistas não vendem o esperado, aí sim eles tem que descobrir qual é o problema.

        É nesse ponto que interpreto que só a diversidade não significa baixa de vendas, mas sim um conjuntos de escolhas erradas que levaram à editora a cair nas vendas.

        Vejam, em muitos desses depoimentos o que se está dizendo é que o leitor não quer que se altere a essência dos heróis. Talvez a birra não seja colocar uma mulher na armadura do Homem de Ferro, mas se tirar o Tony Stark da armadura. A questão não é machismo, sexismo, racismo ou outros desses blá, blá, blás esquerdistas, mas tirar o personagem que o público gosta da história.

        Na cronologia do Homem de Ferro, um negro já usou a armadura por um tempo, mas fazia sentido na história. Tony Stark é alcoólatra e os roteiristas usaram isso pra criar o clássico arco “O demônio da garrafa”, onde o personagem em crise passou a armadura para seu amigo e guarda-costas, por acaso um negro. E isso não foi problema nenhum, tudo bem que eram outros tempos.

        No caso do Homem Aranha, o personagem original ainda está lá, o Peter Parker ainda existe, mas agora também existe um outro Homem Aranha, grande sucesso de um universo alternativo criado para trazer um público-leitor mais novo, que é muito divertido e que remete às histórias clássicas do personagem original, mas que é negro e latino, e pra quem realmente lê Marvel, não vê nenhum problema nisso.

        O que a DC fez? Depois de anos tomando porrada da Marvel nas vendas, que também publicava mil sagas infinitas, alterava toda hora os personagens, criava uma saga pra recomeçar do zero, depois tinha que fazer outra saga que zerava tudo de novo só pra corrigir os erros do recomeço anterior… Até que as vendas caíram. Daí pararam, raciocinaram e perceberam que o público não desejava sagas malucas que mudavam tudo, mas boas histórias com os personagens que já conheciam. Voltaram ao simples, zeraram tudo de novo com a estratégia “Rebirth” e trouxeram de volta o clima da DC clássica, e está dando muito certo.

        O problema com as vendas não é a diversidade, pois diversidade na Marvel sempre existiu, é alterar os personagens demais, é inventar mil sagas com histórias fracas que ficam meses pra terminar e não levam a lugar nenhum, é criar histórias chatas que não divertem, histórias mais do mesmo.
        Cronologicamente os personagens estão uma bagunça. Se alguém parou de ler a Marvel ano passado e retorna hoje vai estranhar tudo, não vai identificar os personagens que gostava.

        Pra quem lê quadrinhos isso é muito óbvio, mas pra quem só faz militância política, o que vale é a narrativa, não os fatos do mercado.

      • A Marvel admite publicamente. A Marvel faz reunião de emergência. O diretor da Marvel aponta isso como fator de queda.

        Mas você faz textão e automaticamente acha que está certo.

      • truedondrago você está simplificando tudo.

        Primeiro que estou dando uma opinião como leitor que gosta muito de quadrinhos e realmente acho que se a Marvel pensa que realmente o problema é SÓ a diversidade, vão continuar quebrando a cara. Vão continuar criando sagas chatas, intermináveis e não escutando o leitor. Um executivo da editora pode até falar essas coisas, mas para mim, como leitor das histórias, acho que é só desculpa, pois os problemas vão muito além.

        Já vi argumentos do tipo “mas se a DC está vendendo bem e não usa o politicamente correto como escada isso é um sinal que isso que o executivo da Marvel disse é verdade”. Bom, só que não podemos esquecer que a DC até pouco tempo atrás só conseguia passar a Marvel em vendas em casos muito específicos. E por que? Porque também usavam o mesmo artifício, contar histórias ruins e mudar toda hora os personagens.

        E por que voltaram ao topo? Porque mudaram toda a estrutura das revistas e estão entregando o que os leitores sempre pediram, além de sua principal concorrente estar fazendo tantas cagadas, que dá margem para eles crescerem. Até quando será assim, não sei, talvez até um editor dar uma de louco novamente e estragar tudo.

        Pergunte para qualquer leitor da Marvel o que ele acha da história em que o Homem-Aranha fez um pacto com o Mefisto (o diabo da Marvel) e acabou com o casamento com a Mary Jane que os leitores curtiam, por causa de uma birra de um editor que não gostava do Peter Parker casado. Até hoje as histórias do Aranha são bem fracas, podem até vender bem, mas os leitores ficaram muito chateados com essa mudança repentina e com uma explicação muito estranha.

        Outro exemplo com o Homem-Aranha, um dos mais criticados e odiados arcos do personagem é a chamada Saga do Clone. Todo fã do Aranha quer esquecer essa fase, e o que a Marvel faz? Estão resgatando essa saga para tentar consertá-la!!! (https://goo.gl/xtmdsM). Como assim? Em vez de deixarem a coisa no passado vão retornar a ela? O que você acha que o leitor pensa quando lê uma notícia dessas, fica feliz e louco pra comprar o gibi?

        Sobre o ranking que comentou, se UMA revista alcançou o primeiro lugar tem que ver quais os motivos para isso, não dá pra usar isso como argumento sem analisar do porque a revista chegou nesse topo.

        Repito, tem que entender como funciona o mercado americano para dar opinião. É complicado explicar em poucas palavras, mas tem muito a ver com a forma de distribuição das revistas nesse mercado.
        Eu não sou especialista no assunto, pois não vivo e não consumo lá, mas gosto de ler muito sobre esse mercado e me informo com profissionais da área que contam as dificuldades desse mercado. Só estou repassando o que me contam.

        Pra você ter uma ideia, uma revista pode aparecer entre as mais vendidas e nem ter chegado nas mãos dos leitores ainda, porque foi feito uma negociação entre editora e distribuidora que impuseram uma tiragem enorme de uma edição para as lojas especializadas. (Essa matéria do UniversoHQ conta um pouco de como funciona esse mercado: “Quando são revelados os números de vendas mensais do mercado norte-americano, na verdade estão se referindo às unidades vendidas para os lojistas e não para o público.” https://goo.gl/1KJyj4)

        A coisa toda é muito mais complexa do que essa análise preto e branco que estão querendo fazer.

        Está parecendo o ator da série da Marvel, Punho de Ferro, que estreou recentemente na Netflix, e alegou que as críticas negativas são culpa da eleição do Trump (https://goo.gl/HmsnLu). Encontrar desculpas para os próprios erros é fácil, difícil é sentar e analisar que seu produto deixou a desejar.

        Tá bem, agora eles param com a “diversidade”, voltam os heróis como eram, mas será que contarão boas histórias? Se caírem as vendas novamente, qual será a próxima desculpa?

        Que eu me lembra a Marvel pediu falência nos anos 90, entrou em concordata, e precisou vender os direitos a toque de caixa para vários estúdios de cinema, para que entrasse urgentemente dinheiro em caixa, e fez uma enorme reestruturação editorial para voltar ao topo das vendas de gibis. O que estão precisando é fazer o mesmo.

      • “Histórias ruins” e “apelo à diversidade de forma forçada” não são mutuamente excludentes entre si. Na verdade, até convergem em alguns casos – como a explicação furada para o Thor não ser digno. A Marvel já vinha decaindo em histórias, mas o fundo do poço veio no apelo a SJW.

        Aliás:
        http://www.oneangrygamer.net/2017/02/marvels-sjw-comic-book-propaganda-will-soon-cease-states-report/23928/

        https://www.bleedingcool.com/2017/02/06/marvels-big-plans-2017-never-mind-politics/

        https://douglasernst.blog/2016/12/04/mark-waid-and-dan-slott-how-hyper-partisan-writers-hurt-marvel/

        http://investigation1.net/marvel-comics-own-executives-say-that-sjw-political-correctness-ruined-marvel-comics/

        Se você ignora:
        – a opinião do povo americano
        – o diagnóstico do corpo diretivo da Marvel;
        – as reclamações dos lojistas e dos acionistas;

        e sempre precisa de textos quilométricos para apoiar sua opinião , só reafirma a teoria argumentativa do raciocínio, de Hugo Mercier e Dan Sperber.

      • truedondragon acho que você ainda não entendeu meu ponto, em nenhum momento eu disse que o “apelo à diversidade de forma forçada” não seja um problema, mas que ele não é o principal. Apenas isso.

        Em todas as matérias que relatam a reunião que resultou nesse debate, os lojistas reclamaram de vários problemas, mas as manchetes da imprensa só enfatizam a “diversidade” e deixam de lado as péssimas escolhas comerciais (preço alto, estratégia de distribuição agressiva, imposição de altas tiragens, toda hora zerar as revistas para ganhar mais dinheiro com o nº1, entupir o mercado de produtos medíocres) e editoriais (um grande evento atrás do ouro, escolha de roteiristas ruins, mudar toda vez os personagens, matar e ressuscitar um personagem o tempo todo etc.)

        É claro que os leitores estão de saco cheio de mensagens políticas nas histórias, mas não é só por isso que estão deixando de comprar. As histórias estão ruins contendo mensagens políticas ou não.

        O que percebo é que os executivos da Marvel estão enfatizando isso como desculpa, assim jogam a culpa para o leitor, de uma forma até pejorativa (“tá vendo, é o leitor que é machista, xenófobo, racista e blá, blá, blá… que não está aceitando nossas brilhantes ideias”) e não eles que estão fazendo escolhas erradas em todas as etapas do negócio.

        Veja essas opiniões de brasileiros, publicadas no canal 2quadrinhos no YouTube, que acompanham e compram também as revistas americanas originais, eles tem uma percepção parecida que a minha:

        https://youtu.be/tgFjbKj7vnU

        https://youtu.be/b9AJHrnHhPY

        Mas é claro, isso é uma percepção de leitor. Se você acha que minha opinião e dos vídeos que estou te mostrando são uma merda e que só a declaração do presidente da Marvel é que vale, então imagino que você acredita na Dilma, no Lula, que quando na posição de presidentes, disseram que não sabiam de nada… Pela sua lógica, é isso né?

        E escrevo o quanto eu quiser e se isso for um problema pra você, não leia e não me responda.

      • Como se uma única história com tom de sátira, em uma revista menor, explicasse o todo… Se fosse assim, a DC Comics também sofreria com as baixas vendas pois também sacaneou o Trump em uma de suas revistas:
        http://ovicio.com.br/donald-trump-aparece-em-nova-edicao-de-cavaleiro-das-trevas-iii/

        Tudo bem, eu entendo que não importe o que se fale você não vai mudar sua opinião, mesmo que se demonstre de várias formas que ela está errada.

        Vai assistir a análise do Melhores do Mundo que eu já indiquei aqui e tente refutá-lo.

        Melhores do Mundo – Desmistificando a treta editorial da MARVEL!: https://youtu.be/BvDJycJz24A

      • A revista da Miss Marvel foi muito bem recebida pelo público-leitor, essa é a crítica que vale. (No ranking de vendas nos EUA da sua primeira edição, a revista aparece em 69° lugar, ótima colocação para uma personagem estreante ao lado de revistas consagradas como Wolverine e Liga da Justiça https://goo.gl/hKbTYL)

        O primeiro arco de histórias foi premiado e indicado em diversas premiações de quadrinhos pelo mundo, como o Hugo Award americano (https://goo.gl/92i8D1) e o Angouleme da França (https://goo.gl/22lTQG).

        A personagem tornou-se uma das personagens queridas da Marvel pois trazia histórias leves e com bastante humor, e não ficava martelando o tempo todo o fato de ela ser muçulmana. Esse tema entrava nas histórias de forma orgânica, natural, da mesma forma que tratavam do Peter Parker se virar pra pagar o aluguel e cuidar da sua tia idosa. Ou falando em religião, como abordavam o catolicismo do Demolidor e do Noturno dos X-men. A religião faz parte da construção do personagem, não é o tema principal da história.

        Quando eu disse “pessoas fora dos padrões” não quis dizer pessoas subversivas como comentou.

        Para você entender o que quis dizer, o Stan Lee gostava de pegar pessoas improváveis, que não tinham o perfil para serem heróis e criar histórias em cima disso. Exemplos: o deus nórdico e poderoso Thor, na sua origem “marvética”, era um médico aleijado que usava uma bengala para se locomover; o Homem-Aranha, um adolescente pobre que sofria bullying na escola; o Demolidor, um órfão cego; o Capitão América, um jovem franzino e desastrado e por aí vai. Sem esquecer dos X-men, que são uma metáfora perfeita para tratar toda forma de preconceito, e isso lá na década de 60.

        A Marvel também desde sempre criava versões femininas dos heróis, por vários critérios, sejam eles para criar algo novo nas histórias, para alavancar vendas ou para não perder direitos autorais. Por exemplo, a Mulher-Hulk não foi criada por causa do politicamente correta, cotas, feminismo, nada disso, foi simplesmente porque a Marvel soube que o canal Universal estava pensando em criar uma versão feminina do Hulk para a série de TV do personagem e, pra não perder os direitos autorias da ideia, correu criar a personagem antes.

        Comparando com os heróis da concorrência, a DC Comics, que só tinha personagens perfeitos, como o alienígena superpoderoso, o milionário dono das melhores gadgets e que enfrentava qualquer situação, a deusa amazona, o rei dos mares… Resumindo, os personagens da DC são seres mitológicos, os da Marvel são pessoas comuns que ganharam poderes extraordinários.

        O que está ocorrendo agora é muito mais uma sequência de escolhas ruins (editoriais e comerciais) e falta de criatividade dos roteiristas. Abusar do discurso de minorias também ajuda a afastar os leitores, mas não sei dizer se é o principal problema, pois quando a história é boa, envolvente, o tema é irrelevante.

        Se o problema fosse só a tal diversidade, o politicamente correto, seriam poucas revistas que forçam a barra nesses temas, mas a questão é que a maioria das revistas atuais da Marvel está sofrendo com as baixas vendas, mesmo aquelas que continuam com os mesmos personagens e temáticas.

        Se interessar, assista a análise do Thiago Ferreira do canal Comix Zone que é consumidor e colecionador dos quadrinhos americanos que explica quais são os reais erros da editora:

      • Se eu entendi direito a revista da Miss Marvel está hoje no 109° lugar vendendo menos de 20.000 revistas. Houve alguma queda já que ela estreou em 69° lugar com 29.000 revistas. É uma perda de 1/3 dos leitores. Ou não?

      • Isso é normal, por vários fatores. A revista estreou em 2014 e foi bem elogiada, ganhou prêmios, o leitor fica curioso e isso gera muitas vendas. Mas num segundo número, passa o boom inicial, e é natural que alguns abandonem a revista porque não gostaram, não é a deles, outros virem fanáticos e a maioria compra porque é legal, vou acompanhar esse primeiro arco e depois vê o que acontece.

        Os quadrinhos americanos Marvel / DC são construídos em arcos. Uma equipe criativa cria uma história que vai durar algumas edições e dependendo do resultado a editora vê se muda a equipe ou não. Esses arcos vendidos em várias edições periódicas serão publicados em encadernados depois, com a história completa em uma única edição, atingindo uma outra parcela de público.

        É proposital, eles vendem o periódico mais barato, depois juntam o arco e vendem uma edição mais caprichada para um público mais exigente e colecionador.

        O que muitas vezes acontece, é que um arco de estreia muito bom chama a atenção e vende bem, depois vem outro e outro, e com o tempo cai a qualidade, perdendo leitores no processo, ficando apenas os mais fãs do personagem.
        Ou se muda a equipe criativa, e essa nova equipe não tem a mesma pegada da anterior e cai a qualidade. Pode ver que fala-se muito em fases autorais, como o Demolidor ou o Batman do Frank Miller, a Mulher Maravilha do George Pérez, o Capitão América do Ed Brubaker etc. São os mesmos personagens, mas dependendo da equipe, da fase, das histórias, vão vender mais ou menos.

        E isso nada tem a ver com a diversidade, mas em contar histórias boas ou ruins. Infelizmente, a Marvel no momento só está contando histórias de medíocres a ruins.

    • Flávio Augusto, é bom esclarecer pros civis que a Miss Marvel é uma versão feminina do Capitão Marvel que era um extraterrestre. Não é o mesmo que o da DC, aquele menino que gritava SHAZAM! e caia um raio. A maioria das pessoas só conhece este.

      Só pra dar uma esclarecida hehe.

      • Pois é, e não tem nada a ver com o debate em curso.

        Por curiosidade, teve uma primeira Miss Marvel, chamada Carol Danvers. Sua origem é ligada alienígena Kree Capitão Marvel.
        Depois de várias mudanças, a personagem teve mudanças de poderes e status no universo Marvel, sendo hoje uma das principais personagens, ela mudou o nome para Capitã Marvel.
        A personagem muçulmana ganhou os poderes quando a nuvem terrígenese atravessou o planeta Terra a transformando num Inumano. Como toda adolescente feminina tem seus ídolos, é ela é apaixonada pelos super-heróis, adotou o nome Miss Marvel em homenagem a Carol Danvers, sua heroína preferida.

        O Capitão Marvel da antiga editora americana Fawcett Comics, depois comprado pela DC Comics, é o que grita Shazam pra se transformar do garoto Billy Batson no herói mitológico. Nos arcos desse herói também tem a versão feminina que se chama Mary Marvel. Ela é irmã do herói.

        Principalmente na chamada era de prata dos quadrinhos tinham mania de criar versão feminina para todos os heróis, Batgirl, Supergirl e Mulher-Aranha. Fazer versões dos personagens não é coisa nova.

  3. Um bom exemplo tem no filme robocop (o mais antigo) quando ele foi atacado e destruído e ao remontarem ele, colocaram um monte de novas informações sobre ecologia, direitos humanos, saúde, bem-estar e por aí vai

    O robô ficou todo bonzinho e politicamente correto, tudo era motivo para dar alguma informação extra sobre esses assuntos acrescentados no seu cérebro e para aquilo que foi feito, que era combater o crime, ficou em segundo plano ao ponto de deixar bandidos escaparem para dar suas palestras ecológicas ou sociais rss

  4. Onde estava essa garota que vai substituir Tony Stark nos quadrinhos? Fumando maconha na irmandade alfa-omega junto com fãs do Che Guevara? O que o público não quer é a desconstrução de personagens que já se tornaram mitos. Isso é pura subversão esquerdista e o planeta perdeu a paciência com essas babaquices. Vê se os SJW ou os fãs vão achar graça se passarem o reinado de Wakanda e o manto do pantera negra para uma garota de 15 anos branca que joga minecraft o dia todo? Ou se passarem as armas da mulher maravilha para um homem gay sair igual uma louca combatendo o crime com jato de purpurina no lugar do jato invisível? Não há roteiro possível de agradar quando a intensão é desconstruir heróis míticos.

    Por mim que tenham prejuízos dantescos. E se continuarem assim ainda vão amargar boicotes no cinema.

    Não há objetivo de agradar minorias. SJW não ficam felizes; eles são pessoas tristes e revoltadas por natureza que servem como trampolim político para esquerdopatas de plantão.

  5. Deu tilt, né seu merda?

    Tanta coisa séria acontecendo, e tu que não é capaz de acompanhar nem entender, que não faz ideia porra nenhuma da complexidade da política, aproveita pra falar de gibi.

  6. O que eu vi foi um bando de merdinhas maconherinhos esquerdistas insistindo em imbecilidade mimimi!!! Quadrinhos é coisa de macho suas bibas otarias!!! Esse papinho de mulhre mussum mana, mulherzinha do MIT e diversidade e pra vvcs que curtem uma parada gay. VTNC!!! deixem os quadrinhos em paz!

  7. “Os números de Março confirmam o que todo mundo já sabia: diversidade não é, nem de longe, o problema da Marvel”
    “Ok, declarações e polêmicas à parte, é meio que um ABSURDO ficar tirando essas conclusões sem ter uma base, né? O importante é ver dados. Ver os números.”

    Leia a matéria do Judão e descubra a diferença entre analisar o mercado de quadrinhos e fazer gritaria para agradar a sua narrativa política e seu próprio ego: http://judao.com.br/marvel-problema-diversidade/

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