Uber tomou na tarraqueta por ter escolhido não disputar o jogo político no Brasil

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Paulo Figueiredo Filho escreve:

Aqui nos EUA, o Uber anuncia em programas de rádios conservadores como Dennis Prager Show o tempo inteiro. Ontem enquanto eu dirigia, ouvia o próprio Prager fazendo um dos seus famosos “merchãs” do aplicativo. Faz sentido a empresa que depende da liberdade para existir dar dinheiro a quem defende a liberdade.

No Brasil, uma vez propus que um amigo meu que era alto diretor do Uber à época desse uma entrevista para um conhecido Podcast com viés liberal-conservador. Meu amigo topou, mas o “corporativo” da empresa vetou a entrevista – pasmem – com a alegação de que não queriam vincular a empresa à “direita radical”.

Pedi dinheiro para um Think Tank liberal e torceram o nariz dizendo que não era a política da empresa. Nunca apoiaram nenhum dos seus defensores. Fizeram ZERO de articulação política com os poucos parlamentares de direita do Brasil. Não incentivaram (pelo contrário) a união de seus motoristas de forma alguma. Depois quiseram “negociar” com o governo e com os mesmos deputados de merda uma tal de uma “regulamentação” do serviço – em geral para prejudicar seus concorrentes.

Resultado? Uma Uber tomada no c*. Querem saber? Bem feito e posso dizer com satisfação: eu avisei. Uma aula para todos os empresários isentões.

Paulo está certíssimo.

O que temos aqui é a constatação de que a ideia de “não ligar para a política” significa apenas participar de modo passivo da própria política. Não existe a opção de “viver sem a política”, mas apenas de viver com a ilusão de que não existe a participação.

Tomara que o Uber tenha aprendido isso de maneira didática.

Talvez tenhamos adquirido uma grande “case” com isso que ocorreu com o Uber na hora de convencermos os empresários a participarem da política, de uma forma ou de outra.

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3 COMMENTS

  1. De fato é uma ingenuidade muito grande. Uma simples canetada e toda uma empresa ou as vezes um setor inteiro comercial vai por água abaixo.

    Mas sabe de uma coisa?! O Uber foi uma das poucas iniciativas privadas que encontrou apoio inicial da esquerda e o que parecia obscuro logo ficou claro. Em Pernambuco já existe inclusive sindicato para os motoristas do Uber (que precisam recolher taxas sindicais obviamente). O Uber já veio contaminado inicialmente por alianças esquerdistas e a votação massiva dos partidos de extrema esquerda pela “regulamentação” mostram que eles não têm dúvida sobre qual deve ser o papel do Uber senão encher o rabo deles de dinheiro.

  2. As pessoas que não gostam de política estão condenadas a viver em um mundo onde as regras são ditadas por pessoas que gostam de política.
    JBS aprendeu a lição pois, nas últimas eleições, doou para TODOS os candidatos a presidente.
    Faço coro, bem feito, já foi-se o tempo dos isentões, dos caroneiros, dos que ficam em cima do muro e só colhem benefícios.
    Acho lindo quando um isentão se fode porque viola seus princípios apenas para não comprar briga.
    Alezzia mostrou que dá para encarar esses idiotas e vencer.

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