Como rebater o possível choro de Dilma Rousseff no Senado?

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Quem se lembra das eleições de 2014 sabe que na época Dilma Rousseff executou um truque de mestre: “passou mal” (provavelmente de forma fingida) após um debate com Aécio Neves, no qual o último finalmente aumentou o tom do discurso político. Em seguida, a campanha da petista simulou que Aécio havia sido “agressivo com mulheres” ao usar o termo “leviana”, contra Dilma. Anexaram à isso as campanhas de difamação que já lançavam contra o tucano nas redes, principalmente por espalhar a narrativa não comprovada de que “Aécio batia em sua esposa”.

Era o momento para Aécio aumentar ainda mais o tom e expor o cinismo da candidata. Deveria ter jogado sobre as fuças de Dilma as diversas agressões de petistas contra mulheres, bem como a imagem do nariz quebrado de Marina Corina Machado (agredida pelos bolivarianos de Nicolas Maduro) e as notícias de Eduardo Gaievski, assessor de Gleisi e estuprador de meninas. Nada disso. O candidato tucano entrou em colapso mental, travou feito criança de colo e discursou de forma “mansa” no debate seguinte. Dilma morreu de rir, talvez até assustada com tamanha ingenuidade da campanha adversária. Foi igual tirar pirulito de guri. Ela começou a bater ainda mais forte e, mesmo sendo mais agressiva, disse que o oponente era “agressivo com as mulheres”. O manso ficou conhecido como “o agressivo”, não por ser de fato agressivo, mas por ter sido manso demais nas rotulagens. A lição foi fantástica, em termos políticos, e vergonhosa para a história do marqueteiro de Aécio.

Seja lá como for, as simulações de vitimismo (e o aproveitamento do fato de ser uma mulher) por parte de Dilma foram fundamentais para ela, que jogava o jogo, enquanto a campanha do tucano agia feito criança.

Agora a situação é diferente. O impeachment é quase irreversível. E, mesmo assim, Dilma pode jogar o jogo de novo no Senado, talvez não para reverter o impeachment, mas para danificar a imagem de seus opositores. O jogo, na visão petista, abrange muito mais perspectivas do que o poder imediato. Mesmo assim, será que devemos deixar Dilma capitalizar? Ela pode fazê-lo se simular choro durante seu discurso ou até fingir estar passando mal. Mas será que é justo que deixemos que um truque que conhecemos tão antecipadamente dê resultado? De jeito algum.

O que pode ser feito é bem básico: antes de mais nada é preciso antecipar os truques de fingimento antes que eles aconteçam. A rotulagem deve ser antecipada, e não apenas uma reação ao fato consumado. Ou seja, antes que ela chore, boa parte da população deve estar ciente do quão ridículo será este choro, por ser fingido, principalmente por ter sido denunciado na dianteira.

Não devemos ficar nisso. É importante combater o vitimismo no mesmo “frame”. Dilma estaria usando o fato de ser mulher para, com seu showzinho, convencer o público de ser vítima de “homens oprimindo mulheres”. É aí que as senadoras Ana Amélia, Simone Tebet e Marta Suplicy podem agir para neutralizar o truque. Uma mulher denunciando o fingimento de outra mulher neutralizaria o frame dizendo que “Dilma chorou por ser atacada por homens”. Igualmente importante é que a exposição da péssima representação que Dilma faz das mulheres seja feita. Em suma, rebater os truques de Dilma não é difícil. Melhor ainda é fazer o ataque antecipado.

Como se vê, cabe aos senadores republicanos escolher se deixarão Dilma capitalizar. Neutralizar o truque e até fazê-lo se voltar contra a presidente afastada não é muito complicado. Basta escolher encarar Dilma com o realismo necessário para a nova era da guerra de narrativas.

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