A única forma de Temer se manter no poder é pela política do caos

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Há uma coisa na qual poucos estão prestando atenção. O fato é que, independentemente do que as investigações nos mostrarem, é bem claro que o atual cenário de caos foi implantado pela Globo e alguns outros órgãos de mídia alinhados. Isso não quer dizer que Temer seja inocente – aliás, para ter topado ser vice da petista Dilma é bem provável que seu armário esteja repleto de esqueletos -, mas que a crise desta semana foi claramente forjada de modo artificial.

Caso Temer caia, resta saber quem é o presidente a ser definido pela Globo. Vários nomes estão na lista, como Henrique Meirelles e Nelson Jobim. Talvez o primeiro nome seja melhor que o segundo, mas aquele que entrar não vai agradar a extrema-esquerda e nem boa parcela da direita, que em grande parte apoiava as reformas de Temer. Quer dizer: a base de apoio de um futuro governo tampão será muito menor.

Disto resulta um cenário de conflitos mais acirrados no qual um futuro governo encontrará ainda mais resistência que o de Temer, muito provavelmente tomando botinadas de ambos os lados. Em suma, não haverá “governo” para substituir Temer. Resta saber o que fazer nesse cenário barra pesada e aproveitar as oportunidades para obter capital político e conquistar a vitória em 2018. A intervenção militar pode se tornar uma possibilidade a partir do fim de 2017. Não dá mais para ignorar esse risco, uma vez que as instituições estão completamente esvaziadas.

Dificilmente este cenário de instabilidade pode ser revertido. Mesmo que Temer siga no governo, enfrentará altíssimo nível de ingovernabilidade (como no caso do presidente que venha a substitui-lo).

Sendo assim, vale a pena manter Temer? Nota-se que isso deve ocorrer apenas sob uma condição: caso ele tope criar algo como um “gabinete de caos”, que poderia ser um time de pessoas que transcenderiam a ótica do “ataque político” e o substituiriam por “criação de caos” sobre os oponentes. Os ataques deveriam ser dimensionados a ponto de causar disrupção no universo de seus adversários, que não é algo muito diferente daquilo que a Globo tentou fazer com ele. (E, de novo, não estou inocentando Temer de qualquer esquema, mas sim expondo a geração de um clima artificial sobre um conteúdo que existiria numa gravação, o que se revelou 25 horas depois da matéria de Lauro Jardim como “fake news”).

Entre essas disrupções se incluiria abrir de vez toda a caixa preta do BNDES, entregar as alianças com o Foro de São Paulo, usar whistleblowers contra adversários, entregar os modelos “passo-a-passo” de operações adversárias e daí por diante. O objetivo dessas ações seria criar uma situação de nível caótico para os inimigos. Com isso, ele passaria a combater ataques de larga escala com outros ataques de larga escala. Só isso faria um inimigo pensar nos danos de atacá-lo de forma ilimitada.

Para se ter uma ideia, uma estratégia desta escala poderia começar com um discurso dizendo “a partir das coisas que serão reveladas aqui, poderei ser assassinado a qualquer momento”. Em seguida, é só começar a entregar coisas que justificariam a afirmação anterior. Com certeza, ele tem informações sobre as alianças do PT com o Foro de São Paulo que justificariam esse tom, além de informações sobre muitas outras coisas. Caso o fizesse, se tornaria um herói para uma parte da população. A cada mês, Temer poderia criar situações deste tipo. Embora possa parecer algo “radical” no início, aqueles que tomam essa posição se tornam “protegidos”, pois são efetivamente temidos.

Se Temer não for para esse nível de ataque, será desrespeitado pelos seus oponentes e surgirão novos ataques deste tipo. E neste caso, se for para não ir para esse estágio de confrontação, aí é melhor que ele caia mesmo.

Me perguntam: “Você defende a renúncia de Temer?”. Basicamente não. Defendo que seus oponentes estabeleçam um processo legal de impeachment que deve passar pelos trâmites normais para que se comprove culpa ou inocência. Porém, não defenderei Temer se surgirem provas cabais de sua culpa nos crimes de que ele é acusado. Mas se essas provas não surgirem, ainda assim também não defenderei sua manutenção caso ele não mude a postura. Para tal cenário de instabilidade e de desrespeito que alguns oponentes nutriram em relação a ele, a melhor das posturas, como expus aqui, , é a política do caos.

Essa nova fase da política brasileira só vai ter espaço para quem saber não apenas viver sob o caos como também criar situações de caos. O futuro de Temer depende basicamente disto: ele estará disposto a se motivar com o que aconteceu com ele e também levar o caos para seus inimigos? É aí que residirá sua escolha entre permanecer no cargo ou ser chutado muito rapidamente.

Em tempo: o clima de completa instabilidade política vai aumentar com ou sem Temer. Para os movimentos democráticos isso será ótimo, desde que se acostumem a vivenciar um ambiente de completa instabilidade e consequências imprevisíveis. Situações deste tipo aumentam o interesse das pessoas por política e forçam uma polarização ainda maior. Pode ser aí, nesse cenário de caos, que surja finalmente uma chance real para a direita em 2018.

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5 COMMENTS

  1. Será que Temer vai quebrar o protocolo? Aquele de que “quem assume oculta tudo daquele que saiu”?

    Basta ver a história da República. Nunca um presidente chega e fala: “o anterior deixou as coisas desse assim, assim e assado. Fez alianças espúrias com X, Y e Z”.

    Procurem um caso onde o governante fez isso logo ao assumir. Mas o dossiê completo, não apenas os números que interessavam a ele.

  2. Eu usaria o pedido de renuncia como uma base para questionar a postura da oposição e barganhar.

    Diria que o discurso de renúncia está pronto só esperando que:

    – Eduardo Cunha abra o bico e complete toda sua delação para o bom andamento da Lava Jato.

    – Lula e Joesley sejam presos por pelo menos 180 dias para mostrar comprometimento da PGR e do STF com a justiça.

    – O Congresso aprove em tempo recorde as reformas que são necessárias para o equilíbrio fiscal do governo e para estabilidade da economia como mostra do comprometimento com o povo brasileiro.

    Qualquer um que protocolar um pedido de impeachment baseado apenas em uma fake News de uma mídia esquerdista é apenas um malandro que quer derrubar o governo.

  3. É exatamente o que eu faria se estivesse no lugar de Temer( sem querer defendê-lo, óbvio).
    É o que lhe resta e o que poderia acabar sendo bom para o país. Estou sendo cínica?

  4. Luciano, preciso dizer que seu site é um dos meus favoritos. Toda vez que acontece algo absurdo, que nem esses ataques contra o Temer, fico feliz em recorrer a este site para ter uma opinião que considero que acrescenta valor, não meia dúzia de reportagens repetitivas, recheadas de chavões e lugares comum.

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