Barroso faz o discurso mais racista dos últimos tempos sobre Joaquim Barbosa, mas a mídia ignorou o caso. Por que?

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A mídia noticiou amplamente um incidente lamentável na cerimônia de colocação das fotos de dois ex-presidentes do STF, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. A vergonha veio na declaração do ministro Luís Roberto Barroso, que afirmou:

A universidade (Uerj) teve o prazer e a honra de receber um professor negro, um negro de primeira linha vindo de um doutorado de Paris -disse Barroso, em trecho do discurso sobre a trajetória de Barbosa.

É difícil existir um discurso mais racista do que esse. Além de ofensivo, é arrogante. Fico imaginando como Joaquim Barbosa deve ter se sentido no momento. Pior: como todos os negros devem ter se sentido.

Barroso simplesmente deu a entender a excepcionalidade de um negro ser “de primeira linha”.

A vergonha foi tanta que em outra sessão Barroso se desculpou, com a voz embargada:

Não há brancos ou negros de primeira linha, porque as pessoas são todas iguais em dignidade e direitos, sendo merecedoras do mesmo respeito e consideração. Eu, portanto, gostaria de pedir desculpas às pessoas a quem possa ter ofendido ou magoado com esta frase infeliz. Gostaria de pedir desculpas, sobretudo, se involuntária e inconscientemente tiver reforçado um estereótipo racista que passei a vida tentando combater e derrotar.

 O problema é que a mídia praticamente não tocou no assunto, mencionando o caso apenas de relance. Também não vimos artistas globais exigindo a punição de Barroso.

Imagine se fosse Gilmar Mendes ou Alexandre de Moraes que tivessem dito o mesmo. O mundo iria acabar.

Mas como Barroso é considerado um “progressista” (leia-se: esquerdista) tudo ficou por isso mesmo.

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8 COMMENTS

  1. “A mídia noticiou amplamente um incidente lamentável(…)”
    “O problema é que a mídia praticamente não tocou no assunto(…)”

    Sinceramente, não entendi. A mídia ignorou ou não ignorou?

  2. O jornalista é um branco de primeira.. o Japa da PF é um amarelo de primeira, meu primo é um moreno de primeira e meu pai é um preto de primeiríssima… VTC…

  3. Até entendo em avaliar essa situação sob a ótica da guerra política, e que o Barroso é uma celebridade no mundo esquerdista e uma pessoa perigosíssima.
    Porém atribuir uma conotação negativa a esse discurso, na minha opinião, é capitular ao politicamente correto. Apenas o politicamente correto iria enxergar essa frase como algo ofensivo na minha opinião. Afinal, veja as palavras usadas: o que é pejorativo? primeira linha? Isso é um elogio teoricamente. Certamente não é ofensa. Agora considerar que, só porque alguém é considerado de “primeira linha” existe outro de “segunda linha”, com todo o respeito, as pessoas são diferentes entre si. Elas se diferenciam por meio de seus valores e ações. E logicamente há pessoas deploráveis e pessoas geniais. Se usar “primeira linha” e “segunda linha” é disvirtuado, se deve mais a interpretação.
    Enfim, acho que existem pessoas piores e melhores, independentemente da cor.
    Agora, se o Joaquim, por exemplo, se sentiu ofendido por ser chamado de negro de primeira linha, com todo o respeito, só se ficou ofendido em ser chamado de negro. O que é o padrão das pessoas que ficam acusando os outros de racistas. Normalmente, o maior racista é aquele que chama os outros de racista.

    • O problema, seu tonto, é em caracterizar a cor da pele, algo irrelevante. Não se ouve ninguém dizer: um branco de primeira linha. No caso de ser preto, há uma necessidade de indicar a cor da pele como que dizendo que por ser preto vc foi além das expectativas, o que caracteriza uma claro viés racista. Por isso esse mocorongo deveria estar apanhando tanto quanto um Bolsonaro caso tivesse dito uma frase similar. Por isso a necessidade deste post do Luciano.

  4. Essa história é uma bobajada. A declaração foi infeliz, mas o patrulhamento novamente, vitima a realidade. A desculpa dada por Barroso não é só infeliz, como estapafúrdia e ridícula. Existem sim brancos, negros e amarelos de primeira, segunda e terceira. Desde boçais de nove dedos que se gabam de não ler nada até doutores em direito. Barroso perdeu uma oportunidade de ficar calado ou de soltar uma notinha dizendo que escolheu mal as palavras. O caso tem mesmo que ser ignorado.

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