FHC surpreende positivamente ao fazer o discurso mais direitista em muito tempo: defende privatização contra a corrupção

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FHC desceu o relho na atual classe política e, com razão, pediu para o Brasil ampliar as privatizações de estatais. Motivo: evitar novos casos de corrupção nessas companhias.

“Nosso sistema político deu cupim nele, está todo podre, ele bichou, e a população percebeu isso”, disse FHC, durante evento na quarta para discutir o futuro da Eletrobras na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo.

“O que puder privatizar, privatiza, porque não tem outro jeito. Essa não é minha formação cultural, mas não tem mais jeito, ou você realmente aumenta a dose de privatização, ou você vai ter de novo um assalto ao Estado pelos setores políticos e corporativos”, afirmou.

Sobre a Eletrobras, ele lembra que só conseguiu privatizar uma de suas subsidiárias, a Gerasul, vendida em 1998 à Tractebel, que atualmente opera com o nome de Engie Brasil Energia.

“Por que só conseguimos privatizar a Gerasul? Porque era impossível enfrentar os blocos de poder nas outras empresas. Tentei o que podia, era impossível, no fundo era um condomínio enorme…quando se fala ‘uma estatal pertence ao povo’, não, pertence aos políticos e aos grupos de interesse ali organizados, e isso continua”, lembrou.

“Não é que a burocracia estatal não seja capaz de chegar a uma boa performance, o que não é capaz é o sistema político”, concluiu.

Ele estava acertando em tudo, menos nessa parte final, pois a burocracia estatal é tão problemática quanto o sistema político, que só é incentivado a ir ao fundo do poço exatamente pela burocracia estatal. Por esta razão, se requer que o governo cuide apenas de segurança, saúde e educação.

O lema “privatização contra a corrupção” deveria viralizar. Estranhamente, muita gente anda dizendo que “luta pela Lava Jato”, mas resume sua atuação ao noticiário sobre corrupção, e não tanto nos aspectos que levaram a tanta roubalheira.

Só foi possível exigir que a JBS pagasse meio bilhão de propina por existirem corruptos usando o BNDES para tal. Só foi possível forçar Odebrecht e OAS pagarem tanta propina por existirem corruptos usando a Petrobras. Foi só para isso que a manutenção dessa empresas estatais serviram.

Note também que a corrupção ocorre principalmente em estatais monopolistas e desnecessárias, ou seja, aquelas cujos serviços poderiam ser oferecidos integralmente pela iniciativa privada. Mas como dão “lucro”, esse dinheiro vai normalmente para corrupção.

Quem não luta pela privatização de estais desnecessárias não está, de fato, lutando contra a corrupção. Quem diria que FHC – um socialista fabiano que tem feito muitas declarações lamentáveis – tivesse um lapso de lucidez e feito um legítimo discurso de direita.

Desta vez FHC subverteu a regra de Barão de Itararé, que disse que de onde menos se espera aí mesmo é que não sai nada. De onde menos se esperava, saiu um discurso lúcido sobre a causa maior da corrupção: a estatização mórbida.

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