Possível recuo da Lava Jato para proteger bancos em delação de Palocci pode ser tiro no pé

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O Brasil às vezes é um país cansativo. Parece que há uma obsessão por estragar tudo, principalmente aquilo que está funcionando.

Como vemos em uma coluna de Monica Bergamo, na Folha, a Lava Jato “estuda como preservar bancos do impacto da delação de Palocci”.

O fato é que a força-tarefa estaria achando que o impacto da delação de Palocci seria muito alto. Daí, ao invés do que ocorreu com as empreiteiras, deveria haver uma forma de preservar as instituições e os empregos que geram.

A matéria diz: “Uma das ideias que já circularam seria a de se promover uma complexa negociação com os bancos antes ainda da divulgação completa dos termos da delação de Palocci. Quando eles viessem a público, as instituições financeiras já teriam feito acordos de leniência com o Banco Central, pagando as multas e liquidando o assunto. Isso em tese evitaria turbulências de proporções ainda maiores do que as inevitáveis. (…) Empreiteiras como a Odebrecht sofreram graves consequências quando os escândalos em relação a elas se tornaram públicos. Tiveram que demitir em larga escala, paralisaram atividades, enfrentaram problemas de financiamento e se desfizeram de patrimônio. Algo parecido ocorre agora com a JBS.”

Que me desculpe a força-tarefa, mas isso é uma baita de uma palhaçada.

Espero que eles desmintam a nota de Mônica Bergamo.

Tratar os bancos de maneira diferente da que foram tratadas as empreiteira é uma quebra da isonomia da Justiça.

Esse foi exatamente o argumento dos petistas: “a Lava Jato é um problema pois atinge as empresas que geram empregos”. Mas quem mandou elas cometerem crimes? A Justiça não pode encontrar desculpas para não agir. Ademais, as pessoas podem ser contratadas por empresas não investigadas, que absorvem os negócios daquelas que foram pegas.

Porém, se eles adotarem esse caminho agora estarão endossando a narrativa petista e poderão até complicar as investigações atuais, pois as empreiteiras reclamarão de falta de isonomia e seletivismo.

É melhor que esse absurdo não se materialize, pois a Lava Jato deve atingir a todos: doa a quem doer. Buscar desculpinhas para “não atingir o sistema financeiro” é um risco para a Lava Jato.

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1 COMMENT

  1. Estou achando esta informação muito estranha. Desde os primeiros programas da rádio CBN, em que era noticiada a condenação de Palocci, comentavam, também, a circunstância do Palocci TER DESISTIDO de fazer a sua “colaboração premiada”.

    Estava sendo informado, então, que o Juiz Sérgio Moro “dizia” acreditar que o Palocci tivesse se referindo a uma possível ‘colaboração premiada’, a ser feita por ele, mais como uma ameaça aos EVENTUAIS futuros denunciados, para forçá-los a se movimentarem na direção de alguma tentativa para protegê-lo.

    E mais, informavam, ainda, que o Palocci teria dito ao Juiz Sérgio Moro que a sua “colaboração” prolongaria, por pelo menos mais um ano, a ‘Lava jato’; e que, para o juiz, tal afirmativa também teria aquela mesma finalidade de ameaça, apenas.

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