Deltan faz listinha de 10 provas a favor de Janot e acaba queimando o PGR e a si próprio

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O procurador Deltan Dallagnol tem feito um ótimo serviço na Lava Jato. Exatamente por isso, é surpreendente que ele tenha feito um post tão insano no Facebook para defender o PGR Rodrigo Janot.

Basicamente, Deltan disse que Janot “faz um trabalho sério”, e que teria dado “muitas evidências de um trabalho sério e consistente contra a corrupção”. Para comprovar essa afirmação ele elencou uma listinha de 10 itens mostrando que Janot seria o primeiro a realizar qualquer um desses itens.

Como veremos os 10 itens afundam definitivamente qualquer imagem positiva que se teria de Janot, pois a acusação que paira sobre o PGR é de seletivismo.

Vamos às 10 evidências de Deltan, citando itens nos quais Janot seria “o primeiro PGR a fazer” (as refutações vão em azul):

1) submeter ao STF um acordo de colaboração;

Isso não comprova ausência de seletivismo. Na verdade, isso reforça a acusação de seletivismo, pois a submissão ao STF de um acordo de impunidade só aconteceu depois de extrema polêmica. Todo mundo já percebeu que esse acordo de impunidade não foi firmado para pegar petistas. Vale lembrar algo que muita gente está esquecendo: que Janot suspendeu o acordo de delação de Léo Pinheiro, da OAS. E sem passar pelo Supremo. Eita…

2) pedir investigação contra um presidente (Dilma – PT – em razão da nomeação de Marcelo Navarro);

Essa é outra prova de seletivismo, pois “pedir investigação” é fácil. Difícil é pedir denúncia e prisão. Ao não fazê-lo contra Dilma, Janot foi seletivo. Este link mostra que Janot inclusive argumentou que Dilma nem sequer poderia ser investigada em virtude de seu cargo. Mudou a regra agora, Janot? Aliás, nem queremos que Temer deixe de ser investigado. Mas a regra tem que valer para todos. Pelo menos que ele venha pedir desculpas por ter blindado Dilma, não?

3) denunciar um presidente em exercício (Temer-PMDB);

Tudo certo em denunciar Temer, um presidente em exercício, mas a prova de seletivismo é que ele não fez o mesmo quanto a Dilma (e havia o áudio do Bessias). 

4) pedir ao STF prisão preventiva de parlamentar (Delcídio do Amaral, então líder do PT no Senado);

Prova fraquíssima, pois Delcídio sempre foi considerado o mais tucano dos petistas. Seria diferente se ele tivesse pedido a prisão de alguém com posição mais estratégica para os petistas. Alguém como Mercadante, por exemplo. Ah, Janot não pediu nenhuma prisão de Mercadante. Seletivo. 

5) pedir ao STF a prisão de um presidente do Senado (Renan Calheiros);

O problema é que a prisão de Renan Calheiros não foi requisitada no governo Dilma, enquanto Renan estava aliado a presidente bolivariana (que nomeou Janot). Essa requisição aconteceu apenas após a saída de Dilma. Vale lembrar também que o pedido de prisão de Renan, além de inconstitucional, só chegou após o então presidente do Senado ter o impeachment em suas mãos. Engraçado como o senso de urgência de Janot é ativado por motivos obscuros, não? 

6) pedir o afastamento de um presidente da Câmara (Eduardo Cunha);

O detalhe é que ele não pediu afastamento de Henrique Alves, presidente da Câmara da melhor fase do governo Dilma. Alves está repleto de investigações em cima dele. Por que não afastou aquele que então era aliado de Dilma, Janot? E por que os prazos utilizados da denúncia de Cunha não foram os mesmos de outros personagens?

7) oferecer denúncia contra Lula – aliás, foi a primeira denúncia contra Lula na #LavaJato;

Ué, mas por que só ofereceu denúncia contra Lula quando a coisa já estava feia e em nenhum momento se requisitou a prisão do bolivariano, nos mesmos moldes em que se pediu a prisão de Aécio? Até aqui, todas as afirmações de Deltan reforçam que Janot é seletivo. Em tempo: ele não pediu a prisão de Lula por obstrução à justiça. 

8) interpor exceção de impedimento contra um ministro do STF (Gilmar Mendes);

Outra prova de seletivismo, pois não se viu exceção de impedimento contra Dias Toffoli, ex-advogado do PT.

9) pedir ao STF uma ação controlada (Aécio Neves e Rodrigo Rocha Loures);

Isso novamente prova seletivismo, uma vez que não foi pedida ao STF uma ação controlada contra Dilma, Lula e Mercadante. Lembrem-se do caso “Bessias”. 

10) abrir investigações e denúncias em grande quantidade contra parlamentares – em quase 4 anos, abriu mais investigações e ofereceu mais denúncias que a soma de todos os procuradores-gerais anteriores.

De nada adianta abrir ações em quantidade se há seletivismo. A Justiça deve ser igual para todos. Ninguém aqui pede para que aliados de Temer e Aécio fiquem soltos. Se forem culpados, devem se ver com a lei. Mas o fato é que Janot é seletivo e protege petistas, e o apontamento das “10 evidências a favor de Janot”, trazidas por Deltan, apenas reforçam esse fato.

Isso sem contar o fato de que Janot traiu todo o Brasil – mas não a mim, pois eu não esperava nada – ao firmar o acordo de impunidade com Joesley e Wesley, que até agora não apresentou nem um décimo dos resultados de delações como as de Odebrecht e OAS, que não receberam acordo de total impunidade.

Outro ponto vergonhoso é Deltan ter omitido que o procedimento completo da lei de delação premiada passou a vigorar apenas em 2013, ano em que Janot assumiu a chefia do MP.

Espero que Deltan Dallagnol esteja sendo pressionado a fazer esse tipo de propaganda em favor de Janot. Pois se ele estiver falando por conta própria, aí a coisa é muito mais grave, merecendo, a partir de então, desconfiança.

Como pode alguém que se acha no direito de exigir mobilização defender com tanto ardor coisas bizarras como o seletivismo jurídico e uma das maiores vergonhas da história nacional, o acordo de impunidade com a JBS?

Em suma, Deltan Dallagnol cometeu um dos maiores erros de todos os tempos. Ele ajudou a enterrar a moral de Janot e de si próprio. Não vai adiantar deletar, pois já está printado e, melhor, viralizou.

A listinha de Deltan é o maior show de tiros no pé que vi em muito tempo. Ele produziu provas contra si próprio e contra o Janot, que ficou definitivamente exposto como seletivo.

Aliás, não venha o Sr. Deltan Dallagnol dizer que as críticas a Janot são feitas para “proteger corruptos”, pois boa parte da direita já protestava contra o PGR nos tempos de Dilma. Duas importantes ativistas pelo impeachment, Bia Kicis e Claudia Castro, chegaram a pedir o impeachment da Janot por ele não ter pedido a prisão de Lula.O vídeo abaixo serve para refrescar a memória:

Quer apoio, Sr. Deltan? Para começar, é bom deixar de apoiar o Sr. PGR e de validar o acordo de impunidade com a JBS. Depois disso podemos conversar. Caso contrário, por enquanto o apoio fica restrito ao Sr. Sérgio Moro, que tem demonstrado postura muito mais séria do que aqueles que bandearam para defender bizarrices como a impunidade da JBS e o PGR que se enrola a cada dia.

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4 COMMENTS

  1. É, infelizmente tavez falte alguma coisa, quem sabe não são os cabelos brancos e um pouco de experiência, talvez seja a ingenuidade associada com um pouco de vaidade e necessidade de ficar expondo certos pontos que não interessam, deveriam se restringir a continuar fazendo o que estão fazendo e deixar os comentários dessa natureza para aqueles que gostam de ser celebridade.

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