O estranho caso do mito da direita jacobina

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Provavelmente você já ouviu gente de direita criticando outra parte da direita que seria composta de “jacobinos”. Os tais “jacobinos” seriam pessoa que utilizariam a Lava Jato com caráter punitivo sobre toda a classe política, provocando disrupções no sistema e causando consequências imprevisíveis durante seu movimento revolucionário.

Um dos formadores de opinião a tratar desse assunto foi Reinaldo Azevedo. Mas já ouvi esse discurso em mais de média dúzia de influenciadores. Sinto dizer a todos eles que estão enganados.

Não existe nenhum movimento “jacobino” em apoio a Janot e Joesley e contra “toda a classe política”. Melhor seria chamá-los de “direita janotista”, mas não “direita jacobina”.

Jacobinismo significa, como já dissemos, um movimento revolucionário, dotado de boas intenções, disposto a causar disrupção no sistema e disposto a tudo em seu intento. Com exceção desta último fator, não há nada na direita janotista que lembre o jacobinismo.

Para início de conversa, a direita janotista – que curiosamente tem como líder um jornalista da Globo, Diego Escosteguy, que é um esquerdista, embora esteja atualmente manietando setores da direita – não tem nada de revolucionária. Ao contrário, é defensora de um establishment bancado por gente como Joesley Batista e um PGR nomeado por petistas. Nada pode ser mais contra revolucionário do que isso.

Ao contrário dos jacobinos, os janotistas não possuem boas intenções de um mundo melhor – a não ser a massa de manobra, claro -, mas um oportunismo rasteiro visando proteger PGRs e ministros do STF, além, é claro, de glorificar seu bandido de estimação: Joesley Batista. Já perdemos a conta de quantas mentiras os janotistas disseram para proteger o acordo de impunidade de Joesley.

Quer dizer: a direita janotista é antirevolucionária, pró-establishment, fecha com partidos de extrema esquerda (ou seja, só dizem “fora todos” da boca pra fora), possuem bandidos de estimação, visam restabelecer um sistema podre e daí por diante. Em resumo, é o inverso do jacobinismo. Claro está que não existe uma direita jacobina.

Aliás, poucos discursos poderiam ser mais absurdos do que chamar essa direita janotista de “um bando de jacobinos”, pois estes janotistas adoram ser chamados assim. Qualquer pessoa que tente manter o establishment adoraria ser considerada uma “promotora de revoluções”. Qualquer pessoa que busque proteger bandidos de estimação adoraria ser considerada uma “defensora da punição de todos”.

Até em termos de controle de frames, chamar os janotistas de “jacobinos” é uma besteira tão grande quanto espirrar na farofa. Melhor seria chamá-los de oportunistas, jamais de revolucionários.

Melhor estudar história e notar que o jacobinismo – mesmo que merecedor de todas as críticas, por ter iniciado a era dos genocídios – é quase o exato oposto do janotismo.

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