Colunista do Zero Hora pede extinção do MBL só porque o movimento não pertence à direita masoquista

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Paulo Germano é um colunista do jornal Zero Hora, ou seja, mais um órgão que adora a extrema esquerda enquanto tenta intimidar os adversários dizendo que “há muita polarização”. Agora, seu objetivo é argumentar pelo fim do MBL apenas por fazer uma oposição real ao PT. Ou seja, para ele o ideal é que o MBL fosse composto de frouxos.

Germano escreveu o texto “O MBL é o novo PT”, para o jornal. O resultado é, como sói ocorre nesses casos, um show de hipocrisia, duplo padrão e teatro bizarro.

O isentão

Para tentar fazer seus truques ele começa jogando a carta do isentão, ao dizer: “Eu aqui, favorável a um Estado menor, à livre concorrência, ao fim do controle estatal sobre os correios, sobre o petróleo, sobre a energia e sobre o que for; eu aqui, contrário à taxação das grandes fortunas e à autoritária inclinação da esquerda de mandar no mercado, mandar na imprensa, mandar na propriedade e mandar no que for; eu aqui, um entusiasta da filosofia de John Rawls e Stuart Mill, realmente gostei de ver um movimento liderado por jovens promovendo uma entusiasmada defesa do liberalismo. Vieram as manifestações pelo impeachment, em 2015, e o MBL virou fenômeno. Ficou famoso. Não concordei com eles: embora considerasse o governo Dilma uma tragédia completa, nunca enxerguei a materialidade, a concretude, a incontestável certeza de que aquelas denúncias justificavam, de fato, o afastamento da presidente.”

Bem, se ele, que se diz liberal, não viu materialidade, concretude e incontestabilidade do pedido de impeachment, aí temos uma inovação no “liberalismo”. Detalhe: Dilma utilizou o estado para cometer um crime fiscal e utilizar dinheiro público para esconder um rombo. Tudo isso no intuito de se eleger em 2014. Que entusiasta de John Rawls e John Stuart Mill defenderia este tipo de coisa?

Vale lembrar que o isentão não é alguém que está em cima do muro, mas sim um dissimulado que sabe de qual lado está e, no intuito de conquistar a patuleia, simula defender “ideias dos dois lados”.

Germano se entregou: é um sujeito contra o impeachment de Dilma, mesmo com tantas provas contra ela em relação ao crime fiscal.

Fique com isso em mente, pois ele vai se entregar ainda mais logo lá na frente.

O discurso raivoso de Germano, que parece ter sido copiado do Diário do Centro do Mundo

Germano quer definir o que é liberalismo, para dizer que o MBL “não é liberal”. Observem o que ele escreve: “E não há nada menos liberal do que refugar a liberdade de pensamento. De uma hora para outra, as redes sociais do movimento passaram a aplaudir Michel Temer, exaltar Jair Bolsonaro e esculhambar conquistas da população LGBT. Chegaram a dizer que Geraldo Alckmin (PSDB) aderiu à ‘agenda da esquerda’ ao instituir banheiros para transexuais nas escolas de São Paulo”.

Isso que ele escreveu parece ter saído do Diário do Centro do Mundo, que é um blog petista. Assim como os petistas, ele se limita a mentir.

O MBL não “exalta” Jair Bolsonaro. Ao contrário, mantém uma posição de apoio crítico a todos os candidatos mais posicionados a direita. Um apoio crítico significa apoiar o que está de acordo com a pauta e criticar o que for necessário. Por exemplo, Bolsonaro foi duramente criticado pelo MBL quando ficou contra a PEC do Teto.

Outra mentira de Germano é falar de “aplausos a Michel Temer”. Na verdade existem aplausos a algumas medidas tomadas por Temer, e não ao indivíduo. Como exemplo, Temer foi aplaudido por ter sancionado o fim dos imposto sindical, mas duramente criticado por ter nomeado um ministério cheio de corruptos.

Por fim, a mentira de que o MBL esculhambou as conquistas da população LGBT. Onde foi dito isso? Por que ele não trouxe fontes? Detalhe: não existiu instalação de banheiros trans, mas simplesmente a permissão de que transexuais pudessem utilizar o banheiro feminino, configurando um desrespeito às mulheres.

Essa parte é cômica: “Você pode gostar de Bolsonaro, também pode desprezar os homossexuais, tudo bem, mas você é um um radical de direita, um ultraconservador, talvez um militarista, qualquer coisa menos um liberal. Todo teórico do liberalismo defende tanto a propriedade privada quanto a liberdade de associação — quer dizer, não pode o Estado impedir duas pessoas de serem sócias. Se a nossa primeira propriedade privada é o próprio corpo e se a associação mais popular do planeta é o casamento, um liberal que se recusa a defender a união homoafetiva vive em absoluta contradição”.

Mas quem disse que se alguém decidir “gostar do Bolsonaro” imediatamente desprezaria os homossexuais? Aliás, em política não existe associação por totalidade de ideias. Como se sabe, a Hillary (que Germano provavelmente ama de paixão) era contra o casamento gay em 2004, enquanto Trump já defendia a união civil LGBT em 2000. Como ficaria a mente binária de quem diz que “gostar de Trump é ficar contra os LGBT”? Em suma, alguém pode gostar de boa parte das ideias de Bolsonaro e defender a união civil LGBT. Portanto, a fórmula de Germano para definir “o que é um liberal” é outra grande piada.

Aliás, o tal “de uma hora para outra” é outra fraude, pois desde o início o MBL manteve a linha de apoio à liberdade. Enquanto isso, Germano não conseguiu demonstrar onde o MBL teria fugido deste princípio.

Germano encarna o Savonarola

Agora Germano começa a encarar o censor, em estilo stalinista/nazista.

Ele diz: “Por que o MBL deixou de ser liberal? No Rio Grande do Sul, expoentes do movimento se irritaram com a nova postura e picaram a mula. Foi o caso de Fábio Ostermann, que em 2016 concorreu a prefeito de Porto Alegre pelo PSL, e do vereador Felipe Camozatto, do Partido Novo. O MBL tornava-se assim um veículo truculento, dedicado muito mais a fustigar a esquerda — sem qualquer respeito à divergência de opiniões — do que a apresentar propostas para o país, como fizera com competência em 2013.”

Espere aí. Se duas pessoas do Rio Grande do Sul não concordam com o movimento, então ele “deixou de ser liberal”?

Eu conheço Fábio Ostermann, mas ele está longe de ser “a definição do liberal”. Pode ser um perfil específico de liberal, mas quem é o Sr. Germano para querer dizer que Ostermann é mais liberal que o pessoal do MBL? Ao contrário: o liberalismo clássico me parece muito mais representado pelo MBL do que pelo Livres.

O liberalismo clássico era focado em oposição às tiranias. Tanto que foi este liberalismo que derrubou as monarquias, a partir de ações que seriam iguais ao que Germano repudia tanto: “fustigar a esquerda”.

Quer dizer: Germano quer uma direita focada em abstrações, mas não em lutas reais. Mas isso é a busca do adversário ideal para a esquerda, e não o que o liberalismo significa de fato. O liberalismo que mais causou mudanças foi aquele que iniciou o conceito de “revolução permanente”, como aquele defendido por Lord Acton, muito antes de Leon Trotski adotar o termo para a extrema esquerda.

Germano gosta do MBL de 2013. Bem, eu não conhecia o movimento naquela época, mas qualquer um sabe que os maiores resultados do MBL vieram em 2014, período a partir do qual eles tiveram importância central na derrubada de Dilma. Ah, agora deu para entender porque Germano gostava do “MBL de 2013”.

Também é ridículo criticar o MBL por supostamente atuar “sem qualquer respeito à divergência de opiniões”. Essa é outra mentira, pois o MBL sempre atuou com respeito à divergência de opinião, o que não é o mesmo que respeitar opiniões monstruosas. Para que alguém respeitaria a opinião de alguém que defender o aprisionamento de políticos na Venezuela? Por que alguém deveria respeitar isso?

Isto é, Germano critica o MBL apenas por divergir ferrenhamente de opiniões que o movimento considera repulsivas. Isso é coisa de censor, que adora limitar o direito de crítica dos outros.

Germano quer a direita “cuck” ou masoquista

Germano mostra sua raivinha aqui: “Membros atuais do movimento dizem que Renan Santos, coordenador nacional, passou a ditar uma estratégia bem clara: para crescer, é preciso ter um inimigo. Cria-se, assim, um ambiente de cumplicidade com quem
também odeia esse inimigo.”

Ué, mas o que é política senão a ação social entre pessoas e grupos com conflito de interesses? Não existe política real sem a percepção de quem é o inimigo. O próprio Germano sabe disso, tanto que está apenas jogando com as palavras. Note que ele se opõe ao “modo do MBL fazer política”, mas aponta o “modo legal de fazer política”, que são alguns liberais citados por ele (e que não fazem cócegas na esquerda). Mas aqui ele já criou uma oposição entre “a direita permitida” (por ele) e a “direita não permitida” (por ele). Em resumo, ele também usa o “nós e eles”. Para Germano, o inimigo é o MBL. Mas por que? Por que o MBL se opõe ao PT com eficiência que outros setores da direita não demonstram.  (Detalhe: o MBL não é o único que faz essa boa oposição, mas tem se destacado nesse sentido)

Ele segue: “A postura é igualzinha àquela adotada por… adivinhe quem? Lula.”

O truque psicológico (e sujo) de Germano é considerar que tudo que Lula faz é errado. Na realidade, Lula deve ser criticado pelo totalitarismo e pela corrupção, mas não pela ação política, no que ele é muito competente. Lula de fato sabe fazer oposição. Ser igual a Lula em termos de usar a comunicação com eficiência, por exemplo, não é problema algum. É um mérito.

Perto do final, Germano diz: “Só que agora, com o PT em baixa e uma classe média ressentida, a elite perversa se insurgiu — e o MBL, espertalhão, assumiu como porta-voz. Fazendo a mesma coisa que Lula: insistindo em dividir o país, chutando as fuças do inimigo e rejeitando a pluralidade de ideias”.

É o mesmo truque de antes: chamar o crítico de uma ideia de alguém que rejeita a “pluralidade de ideias”. Só faltou ele trazer provas de algum texto do MBL tentando proibir as pessoas de afirmarem qualquer coisa. É o contrário: qualquer pessoa que entendeu o que Voltaire quis dizer nota que “podemos repudiar a ideia de alguém mas defender até a morte o direito dela afirmá-la”.

De acordo com a narrativa de Germano, repudiar a ideia de alguém é igual a proibir alguém de expressá-la. Claro que Germano não acredita no que diz: ele está sendo cínico e fingido. Ele sabe que criticar ideias não é o mesmo que proibir as pessoas de dizê-las. Tanto que ele está criticando o posicionamento do MBL. Será que ele reconheceria então que age “contra a pluralidade de ideias”?

Claro que o MBL está certo em polarizar as questões, pois é assim que se faz política. Germano também faz suas polarizações, tanto que ele define a “direita permitida” e a “direita não permitida” (que é a que faz oposição ao PT). Em suma, Germano acusa os outros daquilo que ele faz.

Ele conclui assim: “O PT, agora com seu líder condenado à prisão, já começa a rumar para o ocaso. Não seria mau se o MBL, que também deixou para trás suas origens para abraçar a intolerância, tivesse o mesmo fim”.

Mas que coisa bonita, não? O PT ficou 13 anos no poder e quase nos transformou numa ditadura. O MBL é um movimento recente e, mesmo assim, ele quer que acabe junto com o PT. Que nível de tolerância diferente, não? Ou seja, o PT, que nasceu em 1980, pode existir por quase quarenta anos, mas o MBL não pode durar nem três. Aqui ele se entregou de vez. Ele simplesmente não admite a existência de uma oposição real ao PT.

Vamos resumir o que ele quer. Antes, vale lembrar um livro sensacional, “Beautiful Losers”, de Sam Francis:

O livro fala que a direita americana, ao longo do tempo, se acostumou a apanhar tanto dos esquerdistas, mas tanto que desenvolveu uma espécie de masoquismo. A partir disso, esses direitistas foram criando narrativas para justificar a “beleza da derrota” da direita. Do tipo: “Eles rotulam e nós não, eles polarizam e nós não”. Como se isso fosse motivo de orgulho! (Detalhe: as regras que valem para os conservadores, valem para os liberais quando falamos em assertividade e vontade de jogar o jogo político)

Foi assim que Mitt Romney e John McCain entraram nas eleições de 2008 e 2012 para apanhar bonito. E parecia que gostavam de apanhar. Mas quando chegou 2016, Donald Trump falou: chega de apanhar. E ele ganhou a eleição.

No Brasil, a direita também é composta de “beautiful losers”. Mesmo que não seja “a direita”, os tucanos agiram feito “beautiful losers” nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014. Eram masoquistas diante de petistas que entravam para bater e com isso ganhavam as eleições.

Enquanto isso, políticos apoiados pelo MBL – como Nelson Marchezan Jr. e Fernando Holiday – não entram em campo para apanhar, mas para disputar o espaço político com um discurso forte e assertivo. É claro que o MBL rejeita o modelo do “beautiful loser”, que realmente tem capacidade de tirar o poder da esquerda e, no Brasil, da extrema esquerda (PT, PCdoB e PSOL).

É por isso que Paulo Germano está tão irritado. E por isso que podemos notar que o MBL (que pode sofrer críticas em alguns aspectos, claro) está no caminho certo. Chola mais, Germano!

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