Reinaldo Azevedo e Anestesista entram em rota de colisão absoluta e isso é bom para a “direita”

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Nesta semana, o Anestesista (publicamente chamado de O Antagonista) resolveu utilizar a técnica da simulação de estranhamento diante de uma visita feita por Michel Temer à casa do jornalista Reinaldo Azevedo.

No truque, o Anestesista deu a entender que a visita teria sido clandestina, mas não conseguiram provar a afirmação.

Vale lembrar que com a simulação de estranhamento alguém finge que algo é digno de espanto quando não é, uma vez que políticos conversam com jornalistas o tempo todo. Por exemplo, um delator da Lava Jato citou que Diogo Mainardi havia feito um jantar com Aécio Neves e Alexandre Accioly.

Seja lá como for, o Anestesista aproveitou para usar a tática do ad lavajatum, que, por objetivos particulares, busca rotular indevidamente alguém de “inimigo da Lava Jato”. Eles escreveram: “Há uma pinguela que une a ORCRIM peemedebista, uma parte do STF e seus porta-vozes na imprensa. Eles conspiram contra a Lava Jato. Dia e noite”.

A resposta de Reinaldo Azevedo foi uma paulada:

Obviamente, não vou tomar posição nesta guerra, mas ao que parece depois do desafio de Reinaldo, os anestesistas deram uma sossegada e não realizaram mais nenhum ataque aberto a ele. Mas isso não deve durar, pois é natural que eles entrem em rota de destruição total um do outro.

Mas por que isso seria bom para “a direita”?

Primeiro é bom lembrar que usei o termo entre aspas, pois não considero nenhum dos dois meios como sendo “de direita”. Ambos são de esquerda moderada. Aliás, ultimamente o Anestesista fechou até com Rodrigo Janot, adotando em vários momento a pauta da extrema esquerda. Mas isso é uma conveniência, pois logo eles devem voltar para as narrativas de esquerdismo moderado.

O fato é que ainda existem algumas pessoas “fechadas” com formadores de opinião, quando deveria ocorrer algo diferente: as pessoas de direita é que deveria exigir que os formadores de opinião as atendessem.

A política mais sadia é definida não pelos formadores de opinião profissionais – que estão presos aos seus anunciantes e aos seus diversos acordos particulares -, mas por organizações que conseguem congregar algo mais que interesses particulares.

A esquerda aprendeu essa lição desde o livro “Que Fazer?”, escrito por Lenin em 1902. Ele centrou a política nos partidos (e hoje em dia isso se aplicaria às organizações). Nada de dar a direção das coisas à “opinião das massas” ou a formadores de opinião particulares. É preciso buscar os interesses de algo maior que isso.

Os formadores de opinião profissionais dificilmente estão pensando no povo. Muitos fazem cálculo político antes de emitirem suas opiniões. Em raros casos as opiniões deles são aquilo que realmente sentem. Sendo assim, por que você deveria confiar nessas pessoas?

A forma mais lúcida de tratarmos tudo isso é mudar a regra do jogo: não existir mais isso de “team Reinaldo Azevedo” ou “team Anestesista”, mas sim a observação contínua de todas as opiniões que eles emitem para avaliação de sua aderência ao nosso projeto político. Se eles não se alinharem ao nosso projeto político, devem ser descartados. A partir daí, usamos o que for útil e jogamos fora o que não serve.

Reinaldo Azevedo fala muita besteira sobre Sérgio Moro e foi lamentável na avaliação de atos de censura contra Jair Bolsonaro (ele ficou do lado dos censores). Mas é fato que, junto com Carlos Andreazza, é aquele que tem dado as dicas mais interessantes para os centristas e direitistas nos últimos meses, pois está traduzindo para o povo as jogadas feitas por atores ligados à extrema esquerda.

Já o Anestesista foi útil em vários momentos do projeto de derrubada de Dilma Rousseff mas ultimamente está servindo apenas como um braço de Rodrigo Janot e Joesley Batista, além de ecoar as opiniões já vistas na Rede Globo, por Diego Escosteguy. Já faz mais de 3 meses que tudo ali não passa de atendimento à agenda da extrema esquerda. Por sorte, a narrativa ad lavajatum já está pegando mal até mesmo perante seus leitores, que estão ficando mais céticos.

Se é assim, nenhum dos dois formadores de opinião profissionais merece uma reverência, mas um olhar crítico e unicamente self-service. Ao invés de serem “seguidos” em tudo que dizem, eles deveriam ser pressionados a nos servir. Caso contrário, jogados fora.

Que essa briga entre O Anestesista e Reinaldo Azevedo sirva para aumentar essa conscientização da direita: de novo, os formadores de opinião devem nos servir ao invés de nós servirmos a eles.

É quase como no filme “Alien X Predador”, só que ao inverso. A tagline do filme era: “Quando eles brigam, a humanidade perde”. Aqui seria: “Quando eles brigam, a direita ganha”.

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4 COMMENTS

  1. sim, é isso que faço; sempre fiz Por isso não leio mais o Antafascista, pois não me é mais útil. RA continua sendo. Mas, isto serve para qualquer veiculador. MAM.

  2. Anestesistas,R.A. se apoiaram em mourões de cerca podres e buscam seguram a cêrca que se desprendeu apesar dos gritinhos histéricos.
    Outra boa surpresa no jornalismo fast-food são as mulheres,JOYCE,SHERA e mais além as participações como FONTE do C.DANTAS.
    Como “analistas” do cenário a V.Guimarães e o recém incorporado nos anestesistas(fora da catuta ainda) o Felipe seguem com boa toada.
    abraços

    nb.Temos espalhados no Brasil bons “jornalistas” que infelizmente para serem ouvidos e lidos temos que CAÇÁ-LOS dado o bloqueio mediático a que somos submetidos.
    Quem não acompanha, sugiro VITOR VIEIRA em seu http://www.poncheverde.blogspot.com.br,o prof. Tambosi em http//:otambosi.blogspot.com.br ,etc..

  3. Antagonista foi uma das maiores decepções . Enganou a muitos se fazendo passar por jornalismo independente, quando estava apenas a serviço de interesses próprios e de causas obscuras do tipo Joesley e Janot. Reinaldo tem que ser lido com muita parcialidade (já mostrou de que lado está) mas suas análises políticas são o que há de mais lúcido no momento. Enfim, parece que o ditado “não temos político de estimação” vale para a imprensa também. Olho aberto para todos.

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