Raquel Dodge faz bem ao demitir procurador burro que fez comentários táticos perto de jornalista da Folha

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O Estadão informa que Raquel Dodge “exonerou o procurador regional da República Sidney Pessoa Madruga do cargo de coordenador do Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe). A exoneração, segundo a assessoria da procuradora-geral, foi feita a pedido de Madruga”.

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O procurador foi flagrado pela reportagem do jornal Folha de S. Paulo em conversa em restaurante no qual fala que a “tendência” no órgão é investigar o procurador Eduardo Pelella, que foi chefe de gabinete do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

De acordo com a assessoria da PGR, o pedido de exoneração da equipe foi apresentado “com a finalidade de evitar ilações impróprias e indevidas”.

“A PGR reitera informação repassada ao jornal de que o procurador mencionado não atua em matéria criminal e não teve acesso a nenhuma investigação ou ação penal conduzidas pela atual equipe do Grupo de Trabalho da Lava Jato, em Brasília. A portaria de exoneração foi assinada na tarde de hoje”, informou a assessoria da Procuradoria-Geral da República.

Na conversa flagrada pela publicação, Madruga falava sobre a atuação de Pelella, braço direito de Janot, na negociação da delação do grupo J&F.

Faz bem Raquel Dodge ao botá-lo pra fora, pois nesse contexto de guerra política puxar conversa perto de jornalista de esquerda – que provavelmente gravou tudo, é claro – é querer dar munição para o inimigo.

Ou as pessoa entendem que estão num cenário de guerra total ou é melhor sair do jogo.

Em tempo: o procurador demitido comentou que poderia “controlar a Lava Jato”. Bem, todo mundo sabe que a Lava Jato é controlada politicamente. Mas sair dizendo isso em público é burrice.

Quando alguém diz: “ai, ninguém controla a Lava Jato”, isso tem um significado.

Significa que a pessoa está do lado que está controlando a Lava Jato e, como tal, precisa esconder o controle.

Claro que nem todos estão conscientes do jogo. Mas se a pessoa não é consciente do jogo, aqueles que bolaram a narrativa de que “ninguém controla” seguem capitalizando do mesmo jeito. O que importa é que a emoção do tolo seja movida na direção correta.

Assim, quando a tropa de Janot estava na PGR, essa é a turma que deveria dizer que “ninguém controla a Lava Jato”. Agora que é a turma de Dodge, são eles que tem que dizer “ninguém controla a Lava Jato”. Ignorar isso é querer viver na infância política.

Aliás, nunca escondi que prefiro que o governo atual fique até o fim, para desespero dos petistas.

Ponto.

Por isso, uma postura previsível que eu poderia adotar a partir do momento em que assumiu a PGR Raquel Dodge – que não vai jogar no time dos petistas, é claro – era a de dissimular e passar a dizer: “ninguém controla a Lava Jato”.

É jogo fácil e simples de fazer.

Mas não consigo fazer isso diante de meus leitores, pois meu compromisso aqui é discutir a guerra política.

Mas é fato que a Lava Jato sempre foi controlada e vai continuar sendo. O que ocorre agora é apenas uma mudança de controle.

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2 COMMENTS

  1. Luciano, não foi você mesmo que, há uns anos, disse que a Polícia Federal é autônoma e, portanto, a Lava Jato não poderia ser controlada? Corrija-me se eu estiver errado.

  2. Eu acredito que a Lava Jato, sempre prestou contas para a PGR, até porque é constitucional. Se ela fosse controlada ela não teria prendido tantos bandidos de colarinho branco como prendeu. Agora as pessoas não conseguem entender que a Lava Jato e uma vontade do povo. Se alguém tem dúvidas e só entrar nas redes sociais, de dez pessoas nove apoiam a Lava Jato, em especial o Juiz Sérgio Moro.

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