Gustavo Franco pisa na bola ao ignorar a liberdade dos críticos da Queermuseu em entrevista à BBC

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A BBC Brasil fez a seguinte questão a Gustavo Franco, que hoje está no Partido Novo: “Como o senhor vê a ascensão das mesmas ideias liberais que o Novo defende por meio de movimentos ligados à chamada “nova direita”, que muitas vezes defendem, fora do campo da economia, ideias conservadoras? Caso recente emblemático nesse sentido foi o do MBL e a exposição do Queermuseu em Porto Alegre, que foi fechada depois de protestos de integrantes do grupo”.

Eis a resposta de Gustavo Franco: “As ideias liberais na economia estão em toda parte, e há liberais na economia que são conservadores nos costumes. São coisas diferentes. No exterior, o termo liberal é usado em oposição ao conservador. O Novo não tem relação com essas pautas ultraconservadoras desses debates recentes”.

Ué, se o Partido Novo não tem relação com as pautas dos debates recentes, então é preciso começar a pensar em ter respostas na ponta da língua para as questões.

O caso da Queermuseu é baseado em duas perguntas:

  1. O senhor acha certo utilizar verba pública para uma exposição de interesse de uma pequena parcela dos brasileiros?
  2. O senhor acha certo forçar crianças a tocarem homens nus sob pretexto de que “é arte”? Acha certo também permitir que crianças acessem pornografia?

Quem não achar certo o que está proposto nos itens (1) e (2) não necessariamente precisa ter nada de “ultraconservador”.

Claro que muitos conservadores podem se indignar até mais, mas o posicionamento em favor da liberdade prevê que as pessoas possam proteger as crianças de pornografia – que estaria plenamente liberada aos adultos -, bem como criticar o uso de verbas estatais na Cultura.

A mania de querer parecer “moderninho” está fazendo uma pequena parcela de liberais capitularem tanto para a narrativa da extrema esquerda que não diferem de socialistas em alguns momentos.

É apenas em países como Coreia do Norte e em Cuba que as pessoas não podem criticar o uso de verba pública na cultura. Mas isso não é liberalismo, mas socialismo.

Em tempo: um liberal deve defender o direito de expressão de todos e isso inclui até o direito dos conservadores. Se neste momento os conservadores estão com a razão ao criticarem a Queermuseu e a exposição do MAM (principalmente em relação ao fato de deixarem pessoas forçarem crianças a tocar em homens nus), não tem sentido ficar contra a demanda conservadora apenas por dizer “eu sou liberal e ele é conservador”.

Ao contrário: por ser liberal, alguém deve defender o direito de crítica pública ao uso de dinheiro estatal em cultura bem como defender o direito daqueles que querem proteger crianças de erotização – o que é previsto em lei – de agirem conforme o que acreditam.

Isso é liberalismo clássico. Gustavo Franco podia se explicar melhor.

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