Bolsonaro adota ritmo de política do caos ao dizer que “tem muito em comum” com Ciro; e não é que ficou divertido?

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Nesta quarta (25), Jair Bolsonaro elogiou Ciro Gomes, dizendo que os dois têm “muito em comum”.

Bolsonaro disse, à Rádio Assunção:

No Ceará tem um ex-governador que me critica e fala que não concorda nada de mim.Temos muitas coisas em comum. Nossa defesa é pelo Brasil, mas pecamos às vezes pelas palavras que dizemos. Ele uma vez perdeu a eleição presidencial porque falou que a missão mais importante da mulher era dormir com o marido. Qualquer palavra nossa, que somos pré-candidatos, o mundo cai em nossa cabeça.

Hm. Quer dizer que Ciro faz “defesa pelo Brasil”? Até onde se sabe, Ciro defende a ultra estatização de empresas, uma vez que é parte do projeto da extrema esquerda usar as verbas de estatais para nos transformar em Venezuela.

A coisa é totalmente absurda, mas pode ser uma estratégia para tornar a campanha mais divertida. Algo como entrar no ritmo do “nada é verdadeiro, tudo é permitido”.

Antes ouvíamos que esse tal de Doria era um “socialista fabiano” e portanto deveria ser rejeitado. Agora vemos Bolsonaro dizendo que tem muitas coisas em comum com Ciro.

Há um paralelo nesse tipo de atitude ao lembrarmos do que diz a magia do caos. Nas palavras de Peter J. Carroll:

Na Magia do Caos, crenças não são vistas como fins em si, mas como ferramentas para criar os efeitos desejados. Entender isto completamente é encarar uma terrível liberdade na qual nada é verdadeiro e tudo é permitido, que é o mesmo que dizer que tudo é possível, que não há certezas, e que as conseqüências podem ser desastrosas. A gargalhada parece ser a única defesa contra a compreensão de que não se possui sequer um Eu real […]

A compreensão de que crença é uma ferramenta, ao invés de um fim em si, tem imensas conseqüências se aceita por completo. Dentro dos limites impostos pela possibilidades físicas, e estes limites são muito mais vastos e maleáveis do que a maioria das pessoas imagina, pode-se fazer reais quaisquer crenças escolhidas, incluindo crenças contraditórias. O mago não é aquele que busca por uma identidade particular e limitada, mas aquele que deseja a meta-identidade que o torna capaz de ser qualquer coisa […]

Nos Rituais do Caos você finge até sentir, para obter o poder que uma crença pode prover. Em seguida, se fores sensato, você rirá delas e buscará as crenças necessárias para qualquer coisa que queira fazer depois, à medida em que é movido pelo Caos […]

O mago não é aquele que busca por uma identidade particular e limitada, mas aquele que deseja a meta-identidade que o torna capaz de ser qualquer coisa.

Em resumo, na filosofia do caos você pode ser um ateu de manhã, cristão na hora do almoço e um wiccano no fim do dia. Não é preciso crer em nada também.

No ritmo de política caótica, você pode ser um “direitista true” de manhã e dizer que Doria é um “socialista fabiano”. No dia seguinte, você também pode dizer que tem muito em comum com Ciro.

Como finaliza Peter Carroll:

Rejeite então as obscenidades da uniformidade planejada, da ordem e do propósito. Vire-se e encare as ondas das marés do Caos, das quais os filósofos têm fugido apavorados por milênios. Pule para dentro e saia surfando em sua crista, exibindo-se em meio à estranheza sem limites e o mistério em todas as coisas, rejeitando falsas certezas. Graças ao Caos isso nunca terminará. Crie, destrua, divirta-se, IO CAOS!

Agora sim a candidatura de Bolsonaro fica mais divertida. É #Bolsonaro2018 em ritmo de caos? Sim? Ou não? Ou não faz diferença? Bem, isso depende do caos.

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