Funaro chama Joesley de ladrão porque este não pagou propina. É pior que comédia de absurdos…

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Nesta manhã, Lúcio Funaro deu um depoimento e também um piti. Enquanto o advogado de Eduardo Cunha questionava o doleiro, Bruno Lemos, defensor de Funaro, se indignou quando ele levantou uma questão veiculada pela imprensa quanto a sua delação.

“A imprensa não está nos autos”, interrompeu o advogado. “Eu acho que vossa excelência está abusando”.

O defensor de Cunha o pegou na curva: “Você nem ouviu a minha pergunta…”. Estressado, Lemos disse que todas aquelas perguntas deveriam ter sido indeferidas, já que, para ele, o advogado tentou induzir as respostas de Funaro.

“Você repete perguntas como se aqui pessoas não tivessem mais do que fazer”, bradou Lemos. “Chega um momento que constrange”, finalizou. Hum, ficou estranho.

Em outro momento, o advogado de Eduardo Cunha o questionou quanto a um áudio divulgado pelo executivo da JBS que daria a entender que haveria alguma combinação com o doleiro.

“Posso falar um negócio? O que o Joesley fala não se escreve”, respondeu um Funaro claramente incomodado. “E eu não sou responsável por nenhuma palavra do que o Joesley fala”, finalizou.

Ué, mas o Joesley não era o delator que “decidiria o futuro do Brasil”?

Mas a coisa descambou ainda mais quando Funaro disse que Joesley era “ladrão” por ter dado um “tombo” nele próprio, no ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e no ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) ao não pagar parte das propinas referentes investimentos da Caixa. Todos os quatro estão presos, acusados de desviar dinheiro em esquemas de corrupção.

Funaro admitiu que atuava como operador do PMDB, cobrando comissões de empresas para que a cúpula do banco, aparelhada politicamente, aprovasse investimentos bilionários.

Funaro contou que Joesley tinha com ele e o grupo de Cunha um acerto para pagar 3% em todas as operações do banco em favor da J&F. Mas a comissão não foi depositada quando R$ 2,7 bilhões foram liberados para que a holding comprasse a Alpargatas, dona da marca Havaianas.

“Se ele fosse me pagar o que me roubou, porque ele é um ladrão, seriam R$ 81 milhões. Ele roubou de mim, do deputado Eduardo Cunha, do [ex-ministro] Geddel Vieira Lima, só de Alpargatas, seriam R$ 81 milhões”, reclamou Funaro.

Ele afirmou que a planilha de pagamentos ilícitos apresentada por Joesley em sua delação é “completamente furada”. E se dispôs a apontar os supostos erros.

Funaro disse que consta como devedor no documento entregue à Procuradoria-Geral da República pelo dono da J&F, quando, segundo o corretor, ele teria a receber mais de R$ 41 milhões só em recursos lícitos.

É uma palhaçada sem limites. Ele realmente não tem vergonha de chamar o outro de ladrão em um caso de propina. Joesley e Funaro se merecem.

Ladrão que rouba ladrão…

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