Para que assassino de Kelly não possa matar de novo em cerca de 8 a 10 anos é preciso reagir e mudar a lei

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Em entrevista para o Fantástico, da TV Globo, Marcos Antonio da Silva disse que a morte da namorada Kelly Cristina Cadamuro, de 22 anos, não pode ficar impune. Ela foi morta nesta semana após dar carona para Jonathan Pereira Prado, de 33 anos, que só conseguiu cometer seu crime por ter sido beneficiado com uma “saidinha” da cadeia, mesmo tendo cometido 8 crimes anteriormente.

Para Silva, o que aconteceu com Kelly poderia ter vitimado qualquer outra pessoa. “Pode acontecer com qualquer um, eu participava de grupos de carona. A morte dela não pode ficar impune.”

Infelizmente, dificilmente Jonathan receberá a punição devida.

O procurador Marcelo Rocha Monteiro escreve:

No Brasil, sabe o que acontece com aquele assaltante que aponta um revólver para você (aqui no Rio, de vez em quando, ele aponta um fuzil) e leva seu automóvel (ou seu celular, carteira, relógio…)?

Na remota hipótese dele ser identificado, será condenado a, digamos, 6 anos de prisão (a pena é de 4 a 10 anos, com aumento de um terço à metade se ele estiver armado).

Passará então 6 anos preso?

Nada disso!

Após cumprir 1/6 da pena em regime fechado (um ano, portanto, no exemplo dado aqui – bastante comum, aliás), o criminoso voltará às ruas, pois terá direito de “progredir” (é o termo usado pela lei) para o regime semiaberto – no qual ele só precisa pernoitar na prisão; durante o dia, ele está por aí…

Tem também direito a vários saídas temporárias por ano – as chamadas “saidinhas”, normalmente em feriados, nas quais ele não precisa nem voltar à noite para a prisão.

As “saidinhas” são garantidas; já o retorno, nem tanto…

O assaltante Jonathan, por exemplo, que cumpria pena por roubo a mão armada, não retornou de uma “saidinha” em março.

Só foi localizado ontem, depois de roubar e estrangular até a morte Kelly Cristina, uma jovem de 22 anos de idade.

Jonathan pegou uma carona combinada por WhatsApp com a jovem
Kelly, já com a intenção de roubá-la.

Além da pena de roubo que cumpria quando fugiu da prisão (aproveitando-se do regime semiaberto e suas “saidinhas”), Jonathan já tinha anotações de furto, estelionato e receptação.

Muito provavelmente será agora condenado por latrocínio (roubo seguido de morte) a uma pena bastante alta – acima de 20 anos de prisão.

Mas “não se preocupem”: ele vai cumprir menos da metade (dois quintos) dessa pena em regime fechado; depois, começa tudo outra vez: mais regime semiaberto, mais “saidinhas”, talvez mais caronas…

A lei brasileira nunca se cansa de dar carona para a impunidade.

Em resumo, ou agimos para mudar a lei ou teremos que aturar Jonathan dando risada na cara de todo mundo. E fazendo novas vítimas em poucos anos.

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