Editor da Folha esmaga Haddad ao entregar que mídia paparicava o ex-prefeito petista

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Para a extrema esquerda, se você não os elogia o suficiente, então está “atacando-os”. Foi por isso que o ex-prefeito Fernando Haddad saiu dizendo que a mídia o atacava. Com essa desculpa, tentou justificar – em entrevista à Revista Piauí – sua derrota humilhante para João Doria, em primeiro turno, nas eleições de 2016.

O editor-executivo da Folha, Sérgio Dávilla, não gostou da atitude ingrata do ex-prefeito e disse, em matéria publicada no jornal, que dificilmente alguém foi mais paparicado do que Haddad.

Ele lembra que, na matéria da Piauí, “Haddad parece atribuir sua derrota a um cesto de culpados no qual ele junta a ex-presidente e companheira de partido Dilma Rousseff, a direita (a neoliberal e a protofascista), a imprensa, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério Público do Estado de São Paulo, o Movimento Passe Livre (MPL), o PMDB e o patrimonialismo”.

Dávilla diz:

Fernando Haddad reclama do jornalismo. Diz que falta regulação de mercado, que os meios de comunicação funcionam como oligopólio do ponto de vista econômico e como monopólio do ponto de vista político. Que são geridos por famílias que pensam da mesma forma e têm a mesma agenda para o país, “com variações mínimas”.

Diz que a abordagem dos grupos Abril, Folha e Globo em relação à administração dele oscilou da indiferença à tentativa de desconstrução de suas políticas públicas. E reclama do que chama de “segunda divisão dos meios de comunicação”, em que põe, entre outros, os programas popularescos televisivos vespertinos e os talk shows de rádio, no que pode ter certa razão.

Tudo isso poderia não passar de desopilação do fígado de alguém que acabara de ser atropelado na corrida eleitoral. Mas a relação de Haddad com crítica, autocrítica, imprensa e os fatos ganha relevância porque ele é levado em conta como plano B do PT para 2018 caso Lula esteja juridicamente impedido de concorrer à Presidência —ou preso.

Fernando Haddad reclama do jornalismo porque não admite crítica (própria ou dos outros). Ele deve ter sido o prefeito mais paparicado por jornalistas em toda a história de São Paulo.

A explicação é simples, segundo Dávila: “em seus quatro anos no comando da cidade, o petista governou para uma jovem elite intelectual progressista de esquerda. As Redações são formadas em sua maioria por uma elite intelectual de jovens progressistas de esquerda”.

As provas estão aqui:

Posso falar com mais embasamento desta Folha. Em 2014, no segundo ano de governo Haddad, censo interno realizado pelo Datafolha atestou que 55% dos jornalistas da casa se consideravam de esquerda, e 23%, de centro. Indagados sobre como situavam o próprio jornal, 50% o colocavam no centro, e 30%, na esquerda.

A maioria adotava posição liberal em relação a aborto, direitos homossexuais e drogas, em números eloquentemente superiores aos da população brasileira como um todo: 82% a favor da descriminalização da maconha e 96% a favor da união civil entre homossexuais, ante 77% e 39% dos brasileiros, respectivamente. Naquela ocasião, outubro de 2014, foram ouvidos 321 profissionais, numa pesquisa com margem de erro de dois pontos percentuais.

Por causa dessas características, encontrou terreno fértil nas Redações a agenda “São Paulo, Nova Amsterdã” de Fernando Haddad. Esta teve no biciclecentrismo das ciclofaixas e ciclovias, na valorização do centro pela via da cultura alternativa, na diminuição da velocidade máxima das ruas e avenidas, no pagamento de salário a usuários de crack como tentativa de recuperação e na abertura da Paulista para os pedestres aos domingos suas bandeiras mais visíveis.

Na hora de deixar as provas claras, Dávila não perdoou:

O resultado era palpável nas páginas do jornal, por mais que os profissionais se empenhassem em fazer valer o princípio de apartidarismo que é pilar do Projeto Editorial da Folha. Levantamento feito pelo Banco de Dados em agosto de 2017 dá conta da distorção.

Comparou-se a cobertura da Folha dos seis primeiros meses da gestão de Fernando Haddad com a cobertura de igual período da administração João Doria. Em seu semestre inicial, o petista teve 619 menções no jornal. Delas, 443 podem ser consideradas de efeito neutro (72%), 83 de efeito positivo (13%) e 93 (15%) de efeito negativo. O tucano, por sua vez, teve 1.027 menções em seus 180 dias inaugurais, das quais 683 (67%) neutras, 54 (5%) positivas e 290 (28%) negativas.

Há uma ironia, apontada por Dávila. É que “a agenda que conquistou para o prefeito a simpatia do reportariado acabou custando a ele os votos da periferia e da franja do centro expandido de São Paulo, sem os quais não se vencem eleições nem se chega ao segundo turno”.

No fundo, Haddad queria que vivéssemos em uma Venezuela, onde toda a mídia é controlada por Nicolas Maduro. Assim, ele não precisaria apresentar resultados.

Petistas como Haddad sempre pensaram assim. Mas o ex-prefeito exagerou na ingratidão. Agora tomou um tombo.

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1 COMMENT

  1. Deixou um rombo de 7,5 bilhões de reais e não fez absolutamente nada fora umas ciclovias para prejudicar o trânsito. Se um carro quebrado na rua já causa transtornos impressionantes, imaginem as ciclovias ocupando quase metade do espaço de numerosas ruas da cidade. As consequências são previsíveis. Mas o Haddad fez isso propositalmente para ferrar com a classe média que utiliza o carro como meio de transporte para o trabalho. O fato de toda a grande imprensa ter sido favorável ao prefeito é um agravante porque o Haddad foi chutado pela porta dos fundos.

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