Ao optar por Alckmin em vez de Doria, tucanos podem ter sepultado o partido na disputa presidencial

Por que tanto petistas quanto bolsonaristas ajudaram a demolir a imagem de João Doria (que também não fez muito para sair de sua situação)? A razão é simples: sabiam que ali teriam um adversário na disputa pelo poder em 2018. Enquanto isso, Geraldo Alckmin segue com sua campanha fazendo o máximo pra ficar fora do segundo turno.

Pelo menos nesse sentido não se atribui aqui qualquer culpa aos petistas e bolsonaristas. Eles fizeram aquilo que toda campanha deve fazer: desconstruir oponentes. Faltou o PSDB fazer a parte dele. 

Também por causa dessa situação, hoje o PT é novamente um partido competitivo e com chances reais de vencer lá no final. Claro que o jogo está aberto e não existem favas contadas, mas as possibilidades estão aí.

Assim que Doria perdeu as chances de concorrer à presidência, avisei que Alckmin ganhou o jogo que queria ganhar: a disputa de poder interno dentro do partido, mesmo ciente de que isso praticamente tiraria dos tucanos as chances de vencer a presidência.

Já vimos dois erros lamentáveis logo no início da campanha presidencial. Para começar, uma propaganda que fazia crítica à liberação do porte de armas, como se fosse um ataque velado à Bolsonaro. Mas a propaganda foi copiada de uma campanha anterior inglesa, abrindo brechas para os críticos. Ademais, faz uso de uma criança, o que abre novas brechas, pois os adversários podem utilizar o frame da “merenda” contra o tucano. Mas pior ainda foi a propaganda que mostrou (duas vezes) a bandeira do Brasil com o número 1533, do PCC. A cena foi cortada em novo vídeo, mas a zoeira já contaminou toda a Internet. Tudo isso deixa a impressão de que os tucanos que cercam Alckmin estão mais preocupados com jogos internos de poder do que fazer uma campanha decente.

Basta assistir a participação de Doria dos debates para governador e comparar com a participação de Alckmin nesses eventos. Já não há nem qualquer base de comparação. O discurso de Alckmin tem servido como sonífero. Os tucanos parecem estar cansados de chegar na reta final (o segundo turno) e perderem para o PT. Talvez por isso sirva de alento que podem desta vez nem estarem no segundo turno.

Para os tucanos, resta contar com a sorte.

2 comentários em Ao optar por Alckmin em vez de Doria, tucanos podem ter sepultado o partido na disputa presidencial

  1. Analise perfeita.

  2. Sua análise me lembrou um comentário de Oliveira Lima, em O Ocaso do Império, que, referindo-se ao Barão de Cotegipe no caso da Abolição, disse que ele não soube ser homem de estado preferindo reduzir-se a um mero homem de partido. Hoje, passados mais de cem anos, o Brasil não formou mais homens de estado. Nossos políticos são todos homens de partido. Pelo menos os que influem. E isso acontece justamente no momento em que toda a nação corre o risco de se tornar uma gigantesca senzala,

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