Haddad está no páreo. E a direita precisa começar a entender isso.

É preciso falar um pouco sobre Fernando Haddad.

Poucas campanhas eleitorais na história brasileira foram tão dependentes daquilo que podemos chamar de análise técnica da política, ou seja, uma forma técnica de se avaliar os resultados das ações políticas, independentemente do quão incomodados alguns possam ficar.

Numa análise técnica temos que tentar (ao máximo) eliminar nossas paixões e preferências e fornecer insumos para tomada de decisão. Se isso significa elogiar os méritos de um adversário, paciência. Acertos do outro lado devem ser copiados.

Seja lá como for, uma análise deste tipo, e sem torcida, mostra que Fernando Haddad é o candidato que tem maior potencial de crescimento daqui pra frente. Se isso vai se materializar numa vitória, não sabemos, pois seus adversários podem decidir desconstruí-lo e ao PT, coisa que não vem acontecendo desde o impeachment.

Ao criar o conceito de uma luta “contra todos que estão aí”, até mesmo setores da direita neutralizaram muitas das críticas que podiam ser feitas ao projeto totalitário do PT. Com isso, fica fácil para o afegão médio entender que “se todos são iguais”, então podemos trazer de volta à memória os tempos da “inclusão social do governo Lula” e pender para o lado de Haddad.

Que esse seria um risco de adotar uma “luta contra todos” enquanto o PT mal havia acabado de sair do poder muitos já suspeitavam. Agora o risco está ainda mais próximo de se materializar. Tal como todo risco em qualquer projeto, ele deve ser gerenciado e tratado a contento.

Conta também a favor de Fernando Haddad o fato de ele conseguir passar a imagem de “petista moderado”, tratado como um “tucano dentro do PT” por muitos de seus correligionários. Ademais, ele tem maior potencial de ir bem nos debates do que Ciro Gomes. Quem não se lembrar da cacetada que ele deu em Marco Antonio Villa no ano passado?

A coisa não fica por aí. A “esquerda lacradora” dificilmente bandearia para um candidato petista, mas abriria uma exceção para Fernando Haddad, que muitas vezes é visto como um “Marcelo Freixo paulista”.

Muitos hão de recobrar a derrota devastadora de Haddad para Doria no primeiro turno das eleições paulistas em 2016 como uma espécie de conforto mental. Mas buscar esse conforto é inútil, dado que aquele era um período de trevas para o petismo, atacado por todos os lados do espectro político. Por várias decisões políticas (inclusive da direita), o PT deixou de ser o “inimigo comum”, pois agora a luta é “contra a classe política”. Ninguém espere que seja tão fácil bater o PT agora em 2018 como foi em 2016.

Para a direita será preciso encarar a realidade: há um adversário forte pela frente.

1 comentário em Haddad está no páreo. E a direita precisa começar a entender isso.

  1. Quem viver verá que o prognóstico temerário do articulista há erro de apreciação ref ao poste do partido do condenado…
    Nao há nele o carisma do seu líder preso e condenado..
    Mesmo com marketing de apoio ao lider o resultado será medíocre pela grande rejeição a sua chapa com a dita comunista gaucha nao e mesmo..

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