De volta dos mortos – Parte 2

Meses atrás eu havia falado de um retorno do Ceticismo Político, depois de alguns meses parado (até por causa de um turbilhão de coisas que aconteceram). Mas por motivos que passarei aqui, acabei interrompendo as atividades por mais dois meses. Agora é o momento de retornar, como prometi, e com novos projetos que virão pela frente.

Como muitos já sabem, fui censurado em 22 de março pelo Facebook, principalmente a partir de dossiês que foram produzidos por um setor da direita neoconservadora. Os dossiês foram enviados à mídia de extrema esquerda, que aproveitou uma oportunidade para criar uma narrativa fictícia de que eu havia produzido “fake news contra Marielle”.

Em julho de 2018, o repórter da Rede Globo, Estevan Muniz, resolveu me entrevistar, mesmo depois de tudo que fizeram contra mim. Só que eu gravei a entrevista. O trecho decisivo está aqui, onde deixo clara a mentira da Rede Globo:

O vídeo viralizou e teve milhões de acessos (até perdi a conta).

Eu havia decidido retornar às atividades entre o final de agosto e início de setembro. Porém, o clima dentro da direita continuou pouco propício.

Foi aí que decidi – depois de alguns casos graves, que serão revelados por aqui nos próximos dias – dar um tempo até o término das eleições, e ainda planejei para que a direita ficasse uma semana comemorando (após a vitória, que era muito provável, como aconteceu). Por isso marquei o retorno do site para 5 de novembro.

As razões para esse adiamento do retorno são claras e vou jogar limpo com o leitor: eu sempre primei pela análise política em tom adulto. Mas isso significa muitas vezes dizer coisas que não queremos ouvir, e até mesmo fazer críticas internas.

Eu não queria fazer críticas internas a alguns setores da direita que pudessem resultar em qualquer coisa passível de prejudicar as eleições. Ou seja, eu não queria fazer uma análise setorial – que dependia de jogar alguma merda no ventilador – num momento em que havia um projeto maior em mente: vencer o PT.

Sendo assim, é preciso que fique claro que o adiamento do retorno do Ceticismo Político foi feito como um sacrifício em torno de um objetivo maior. Eu jamais me perdoaria se fizesse análises que pudessem prejudicar um processo eleitoral. Meus dedos coçaram durante dois meses. Mas precisei ser disciplinado.

É um fato: hoje em dia praticamente não existe análise política na direita. O máximo que vemos é propaganda disfarçada de análise. Isso acontece porque há muita censura interna na direita.

Como exemplo, vimos Carlos Andreazza sendo enxovalhado porque disse que o Brasil não se tornaria autoritário com Jair Bolsonaro e nem com Fernando Haddad. Sofreu linchamento público por isso. Vindo de dentro da direita. Mas a análise tinha coerência.

Eu havia afirmado que Fernando Haddad seria um candidato competitivo – como foi, tanto que a coisa se desequilibrou contra ele após a facada em Bolsonaro -, e por isso fui incluído numa lista de “direitistas que queriam prejudicar a campanha de Bolsonaro”, quando eu dava um alerta contra o PT.

Esse tipo de clima faz com que as pessoas se auto censurem e pensem duas vezes antes de escrever qualquer coisa. Mas eu não admito escrever sob censura, seja ela vinda da extrema esquerda ou de um setor da direita. Se for para escrever apenas 10% ou 20% do que eu quero dizer, melhor ficar sem escrever.

Nesse meio tempo, escrevi meu segundo livro, que amplia radicalmente todos os paradigmas já apresentados neste blog. O novo livro anexará alguns novos conceitos aos já existentes, como análise de capacidade e serviços políticos, análise setorial, análise moral pela correlação de forças e daí por diante. Agora estou em fase de revisão final do conteúdo, o que estou fazendo já apenas nos fins de semana. Há novos projetos interessantes vindos pela frente.

Seja lá como for, neste retorno, o Ceticismo Político será, finalmente, escrito sem qualquer tipo de censura. O que for para ser escrito, em termos de análise, será escrito.

Para começar, nos próximos posts, trarei uma análise de cenário, bem como da correlação de forças dentro de setores da direita (e algumas coisas serão desagradáveis de serem ditas).

Defendi o voto em Jair Bolsonaro desde o primeiro turno, mas isso não significa ignorar que a direita ainda tem problemas internamente, principalmente depois do vale-tudo que foram as guerras internas. Há algo desagradável a ser dito aos liberais (em geral) também, mas o objetivo é o mesmo de sempre: focar na conscientização política.

Eu sempre defendi que o leitor fosse tratado como adulto. Mas sou obrigado a confessar: algumas coisas não podiam ser publicadas, já que, como disse, quase toda a direita escreve sob um certo clima de censura e medo. Mas agora eu vou publicar toda e qualquer análise de cenário, sob a ótica da dinâmica social, sem qualquer censura.

Desta feita, entendo que a abordagem agora adotada (e que já está presente em meu novo livro) é melhor e mais pragmática do que qualquer coisa que eu já tenha escrito, principalmente porque não preciso censurar nada, além de que o próprio método já foi bem ampliado.

O novo Ceticismo Político será, então, um site que finalmente atenderá por completo a meta de tratar o leitor como adulto, até porque, finalmente, não terá censura quanto ao que pode ser publicado ou não.

8 comentários em De volta dos mortos – Parte 2

  1. Luiz Fernando Navarro // 5 de novembro de 2018 às 2:14 pm // Responder

    É muito bom saber de seu retorno. Aguardo com muita expectativa por novas postagens.

  2. Bom retorno, Carlos Afonso !
    Parabéns por ter sido prudente nesses últimos meses. Gostaria de fazer duas perguntas:
    1) O que você está chamando de “Direita”: As pessoas que fazem parte desse grupo nesse momento atual, ou ao o conceito abstrato de Direita independente das pessoas?
    2) Você considera que foi mal visto por muitos setores da direita, por parecer ambíguo ao ser autocritico demais, partindo do princípio de que você é de direita?

    Grande abraço

    Eduardo.

    • Olá Eduardo,

      Farei posts mais específicos quanto a isso, mas seguem as respostas:

      (1) Eu trabalho com o conceito de que esquerda é busca/manutenção de poder principalmente no Estado e em estruturas coercitivas, e direita é busca/manutenção de poder principalmente no Mercado e em estruturas voluntárias. Não é apenas o conceito de “Estado” ou “mercado”, mas é focado nos espaços preferenciais de poder. Neste caso, fazem parte da direita hoje no Brasil os setores neoconservador, neoliberal, liberal clássico e conservador clássico, além de alguns libertários. Há outros setores menores, como os integralistas.

      (2) Na verdade eu fui atacado por um setor de direita ao não abaixar a cabeça para narrativas que me pareceram furadas e eram usadas de forma seletiva, inclusive contra mim. Mas a atitude do Major Olímpio, apoiando França, é umas evidências que eu estava certo em questionar algumas narrativas, como a da estratégia das tesouras. Escreverei especificamente sobre isso.

      Grande abraço,

      LH

    • Senti muita falta dessa página!

  3. Maria Lucia Gouveia // 5 de novembro de 2018 às 5:59 pm // Responder

    Feliz com seu retorno. Aprendi muito lendo seus textos, nem sempre concordando de imediato, mas lendo e relendo até ‘visualizar’ seus conceitos. Bem vindo!

  4. Willian Dougherty do Nascimento Barbosa // 5 de novembro de 2018 às 8:23 pm // Responder

    Feliz com seu retorno!!! Aprendi muito com você desde o ensino médio Ayan, hoje tenho 22 e formado na faculdade. Como católico tradicional e de formação então nessa linha, gostava de assimilar toda guerra política que vc clareou sobre tão bem. Já te chamei algumas vezes no facebook, que possamos mais falar da parte religiosa algum dia!

  5. Seja muito bem-vindo!

    Sempre me guiei por seus textos. Em especial, me agradam, aqueles que demonstram os conceitos da Guerra Política sendo aplicados ou desconsiderados (o que sempre leva à derrota quem os ignora).

    Os próximos quatro anos, provavelmente, deram aos que se opõem ao PT e sua linha auxiliar, um pouco mais de tempo para se preparar e buscar um melhor desempenho na luta contra o totalitarismo do Estado.

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