Tentar aprovar a reforma da previdência ainda em 2018 pode ser um tiro no pé do futuro governo

Conforme o Antagonista, em um evento em comemoração aos 30 anos da promulgação da Constituição de 1988, o futuro ministro da economia Paulo Guedes manifestou o interesse de tentar aprovar a reforma da previdência ainda em 2018, mas parece um tanto desanimado. Deveria ficar aliviado.

“A reforma da Previdência é algo muito importante. Seria um belo encerramento para o governo Temer. Derrubou a inflação, a reforma trabalhista, teto de gastos. Em dois anos, seria um governo interessante”. Complementou:  “Acho urgente a reforma da Previdência. Tinha defendido isso antes de ser convidado a integrar o governo. Há anos falo sobre isso. Estamos bastante atrasados”.

Porém, boa parte dos discursos adotados pelos adeptos da reforma ainda este ano apela ao seguinte mote: temos que jogar o desgaste para o governo que está saindo, para que o novo governo entre sem desgaste algum. Bem, se alguém pensa em fazer política sem sofrer desgaste algum, a sugestão é: fique em casa e saia da política.

Fica a dica para aqueles que falam sobre desgastes no futuro governo pela aprovação de medidas impopulares. Bastaria adaptar o modelo de Pareto: para cada 2 projetos que vâo te desgastar escolha outros 8 projetos que vão melhorar sua imagem. Desse modo, se a reforma da previdência vai desgastar o governo Bolsonaro, medidas como a redução da maioridade penal para 14 anos e a aprovação do Escola sem Partido servirão para passar um óleo Poliflor na imagem. E é assim que a política é boa.

Não se deve esquecer que o governo Bolsonaro tem boas chances de solidez, mas deve se afastar de um risco: negociações pela via da velha política e barganhas perigosas. Se isso acontecer, a decepção será muito grande. Esse é um motivo para nos preocuparmos com discursos relacionados a aprovar a reforma da previdência ainda este ano.

Observe que isso não depende de nenhum interesse manifestado do governo futuro em negociações escusas. Mesmo que os interesses do futuro sejam os mais lícitos possíveis, será inevitável abrir as negociações e ter que participar delas.  E tudo isso com risco de não aprovar a reforma.

Sejamos realistas: em fim de mandato, não haveria nenhum interesse para os políticos aprovarem a reforma da previdência este ano. Mas se surgiu o diálogo por aprovação este ano, é sinal de que tem gente que – ciente de que ficarão sem mandato e ainda mais desgastados para tentar recuperá-lo – vai pedir alguma coisa em troca. E as meras discussões por isso que irão querer em troca para aprovar a reforma da previdência podem ser complicadas no momento atual.

Alguns adeptos do governo sugerem utilizar as redes sociais para constranger deputados a aprovarem vários projetos de lei. Isso poderia ser feito com deputados em 2019, mas possui menos chance de dar certo em 2018. Isso tende a gerar menos desgaste em 2019 do que tentar apoiar a reforma ainda este ano.

Outro detalhe é que as discussões pela reforma da previdência tendem a ser adornadas com ações de terror por parte da extrema esquerda. O governo atual não tem sequer estrutura mental para combater esse tipo de ação violenta, mas o novo governo dificilmente assistiria calado ao surto de depredações em Brasília.

Talvez falar em reforma da previdência ainda em 2018 seja mais desgastante para o governo futuro do que tratá-la em 2019, sob nova direção.

1 comentário em Tentar aprovar a reforma da previdência ainda em 2018 pode ser um tiro no pé do futuro governo

  1. Concordo em gênero e grau.
    Sou da opinião que é hora de deixar passar a fase de transição de governo e começar a colocar em prática o plano de governo a partir da posse, mas, com pautas mais urgentes, como é o caso da saúde, educação e segurança.

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