Todo cargo ministerial, inclusive o de Moro, é político. E não há problema algum.

Imagem: conteúdo Gazeta do Povo

Me perguntam se eu acho correta a decisão de Sérgio Moro. Resposta: não sei. Para dar essa resposta, seria preciso entender quais são os projetos políticos de Moro. O que se pode dizer é que é uma decisão de risco. Pode dar muito certo ou dar muito errado.

Mas vemos muita gente rejeitando o rótulo de “político” a Sérgio Moro como ministro.

Vale lembrar o que escreve Augusto de Franco:

Parem com essas besteiras de super-ministro, ministro-independente, ministro-técnico, ministro-indemissível, ministro de Estado (o que é apenas uma denominação enganosa) e não de governo. Todo ministro é auxiliar do presidente, demissível ad nutum. É parte de sua equipe nomeada: cargo político de confiança de quem chefia o governo.

São os fatos: todos os cargos ministeriais são políticos. Basta visualizar as recentes declarações de Sérgio Moro, ao mesmo tempo agindo como um estadista, mas também adequando suas ideias e opiniões às do presidente que o nomeou, pelo menos em parte.

Quanto à classificação de Moro como “político” pelo fato de ele ter aceitado o cargo de Ministro, qual é o problema? Todo cargo ministerial é um cargo político.

Alguns estão ressignificando o termo “político” para “político desonesto”, o que é basicamente a negação da política. Mas o clima de antipolítica foi útil para a eleição, que já acabou no dia 28 de outubro. Se a eleição já foi decidida, o clima de antipolítica agora é útil para qualquer adversário do regime. Então é bom ficar de olho.

Todo ministro que assume o cargo assume uma posição política. Se no exercício desta função a pessoa conseguir manter sua imagem anterior à posse, ótimo. Boa sorte para o novo ministro.

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