Joaquim Levy parece boa escolha técnica, mas vai ter bug de narrativa…

Conforme o Globo, a assessoria de imprensa do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, informou nesta segunda-feira (12) que o economista Joaquim Levy aceitou convite para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Jair Bolsonaro.

Atualmente, Levy ocupa um cargo de diretor do Banco Mundial, em Washington (EUA). Antes, foi ministro da Fazenda no governo socialista e bolivariano de Dilma Rousseff. Ele já chefiou também a Secretaria do Tesouro Nacional em 2003, no início do governo do socialista Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso. Na época, o governo de Lula era mais focado em “conciliação”. O governo Dilma era focado na “treta”.

O mercado financeiro parece ter gostado, e Levy tem um perfil decididamente técnico. Enfrentou muita balbúrdia na época do PT. Durante sua gestão no Ministério da Fazenda, o Brasil entrou em recessão e perdeu o grau de investimento – selo de país bom pagador da sua da sua dívida.

Leia a nota à imprensa emitida pela assessoria de imprensa do ministro Paulo Guedes:

NOTA À IMPRENSA

O economista Joaquim Levy aceitou o convite e será indicado para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com extensa experiência em gestão pública, PhD em economia pela Universidade de Chicago, Joaquim Levy deixa a diretoria financeira do Banco Mundial para integrar a equipe econômica do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Atenciosamente,

Assessoria de Imprensa – Paulo Guedes

Rodrigo Constantino comenta:

Vou dizer algo que vai incomodar alguns leitores, e que alertei lá atrás: ou Bolsonaro trairia os bolsominions mais fanáticos, ou trairia os eleitores que embarcaram na jangada por conta de Paulo Guedes e discursos mais sérios e moderados. Há muita gente condenando a escolha, mas Levy é um bom quadro técnico. Eu preferia um Rubem Novaes, claro, mas a escolha não é terrível como alguns repetem. Ou vocês acham que um carteiro reaça da vida poderia presidir o BNDES? Há um país complexo para ser governado, e a época da retórica de campanha terminou. Dito isso, o foco agora deve ser abrir a caixa preta do banco e, de preferência, reduzir seu escopo e acabar de vez com a “seleção dos campeões nacionais”.

Em seguida, ele diz:

Outro ponto da escolha de Joaquim Levy: não era Marina Silva que se vangloriava que governaria com os melhores quadros de “todos” os partidos, para êxtase dos jornalistas? Deixando de lado o fato de que ela pensava só em PT, PSOL e PSDB quando dizia isso, foi Bolsonaro que demonstrou humildade e foco nos resultados ao apontar um ex-ministro de Dilma. O cara tem as qualificações técnicas necessárias, e saiu do governo justamente porque suas “mãos de tesoura” não combinavam com as políticas inflacionistas da petista. Entendo a desconfiança de alguns, mas Bolsonaro demonstra maturidade ao aceitar essa indicação de Paulo Guedes. #DeixaoHomemTrabalhar!

As palavras de Constantino são serenas, e trazem um tanto de sabedoria. Mas existe gente interessada no radicalismo. A ver no que isso vai dar.

Seja lá como for, se Geraldo Alckmin tivesse sido eleito e nomeasse Joaquim Levy para cuidar do BNDES, isso seria apontado como uma prova da “estratégia das tesouras”.

Ainda tem o fato de que Levy vai assumir após deixar o… Banco Mundial, instituição tratada como um pilar da elite globalista. Vocês contam para os neocons ou eu conto?

Vai ser um bom teste de gestão de conflitos internos fazer escolhas técnicas enquanto há um setor que fala em “ruptura”. Que Paulo Guedes tenha serenidade neste momento.

2 comentários em Joaquim Levy parece boa escolha técnica, mas vai ter bug de narrativa…

  1. Pode sim ser um nome técnico, mas, estamos falando de política. Penso que, no campo de guerra de narrativa, não foi uma boa escolha. Haveriam outros nomes que poderiam trazer o mesmo resultado esperado e que não deixasse margem para possíveis situações “embaraçosas”. Votei Bolsonaro e votaria mais cinco vezes, mas honestamente ele está deixando a desejar no que diz a assumir as escolhas. Nas entrevistas sobre o Levy, ele fez novamente o que me dá coceiras: “Foi uma escolha do Paulo Guedes, ele me falou e decidiu dar um voto de confiança nele”. Ainda espero quando ele vai tomar uma atitude do tipo: “O Paulo Guedes conversou comigo e após analisar todos os pontos EU decidi que seria uma boa opção. EU irei dar um voto de confiança no Levy.” Isso não seria ser autoritário, seria demonstrar liderança.

  2. Na minha humilde opinião, esta nomeação deve ser descartada. O maior patrimônio do Bolsonaro sai os seus eleitores. O Bolsonaro não gastou nada com a campanha, é um patrimônio autêntico . Não é possível que no universo técnico disponível, exista apenas o Ex ministro do Lula e da Dilma, isto seria temeroso, e não deve ser admitido. Ainda mais que a prioridade no momento é fechar o BNDES pra balanço e expurgar todos os equívocos dos últimos treze anos, então o próximo chefe do BNDES tem que ser mais técnico em crinologia do que tecnico económico, pelo menos até ageitar a casa. Conhecendo bem o PT… Ele só nomeou alguém que tivesse o rabo preso tanto é que o Joaquim Barbosa se submeteu aos achaques e jogou a toalha .

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