RA diz que não há chance para Escola sem Partido no STF. E isso não é bom para a esquerda…

Em seu blog, Reinaldo Azevedo escreve o seguinte, sobre o Escolas sem Partido:

Não há a menor chance de ser considerado constitucional isso a que se chama hoje em dia “Escola Sem Partido”. O que era um saudável debate sobre o conteúdo ensinado nas escolas, que poderia ter a virtude de tornar estudantes e pais mais vigilantes contra a eventual ideologização do ensino, em prejuízo do conteúdo, transformou-se num projeto policialesco e, ora vejam!, ideologizado. Seus próceres imaginam que a eventual inversão do sinal — um ensino de direita em lugar de um ensino de esquerda — conduziria, então, a educação a um bom lugar.

Chega a ser absurdo que se tenha de lembrar que há uma diferença entre fazer militância em favor de estilos de vida ou de práticas sexuais e discutir, por exemplo, o necessário combate ao preconceito. Não! Eu não acho que as pessoas sejam homossexuais ou heterossexuais, para ficar em duas designações, em razão de “construções sociais”. Ou por outra: que um homo poderia ser hétero e vice-versa a depender dos valores influentes… Mas me parece evidente que ambiente e valores influentes têm um peso fundamental na tolerância ou na intolerância com que são tratadas as pessoas que sejam isso, aquilo ou nada disso e nada daquilo.

Querer proibir a escola de debater esse assunto ou outro qualquer que diga respeito à história, à cultura, à biologia ou às artes, para ficar em alguns campos do saber, é uma estupidez. Sim, estupidez do tipo fascistoide — nesse caso, fascistoide de direita. Os fascistoides de esquerda já tentaram se impor por mecanismos também perversos derivados do pensamento politicamente correto. E eu os combati aqui e em toda parte.

Bem, essa ideia de sair xingando de “fascistóide” uma ideia opositora é algo que já tinha que dar, não é mesmo? Do tipo: já ficou desgastado, já encheu o saco e ninguém dá a mínima importância. Rotulagem falsa e banalizada não serve.

Solidarizo com algumas ideias de Reinaldo Azevedo (hoje bem poucas, diga-se) e até entendo que ele esteja bem ressentido por ter sofrido alguns ataques covardes. Mas a argumentação dele quanto ao Escola sem Partido é muito ruim. Parece ter saído dos diretórios acadêmicos dominados pela UNE ou das sessões de debate interno do PSOL.

Mas daí em diante ele diz coisas que invalidam seu próprio discurso:

Essa onda, no entanto, vai ficar por algum tempo por aí. O ambiente das escolas, especialmente as do ensino privado, já está envenenado pela guerra ideológica. Agora, basta que alguém se sinta ofendido em algum valor ou que veja o professor a contrariar algum aprendizado doméstico que tem como dogma, e lá está o pobre da mira do celular, pronto para ser demonizado nas redes sociais.

Mais: espalhou-se o fel da suspeição nas salas de aula. Os tempos, que já andam pouco reverentes à função do professor, trazem aos coitados, adicionalmente, o peso de se ver olhado pelo aluno pelas lentes da vigilância e da punição.

Como isso vai se resolver? Nas escolas privadas, creio, será pela via do contrato. Ou será que os nossos “direitistas” acham essa conversa de contrato coisa do passado? Ainda que O STF venha a declarar inconstitucional essa estupidez autoritária, e vai, o ambiente do confronto está criado. Aqueles que vão, então, comprar o serviço da instituição de ensino terão de se comprometer com as regras ali vigentes — e, entre elas, estão as garantias constitucionais também dos professores. Mais: estabelecimentos de ensino têm seus respectivos regimentos. Contratos podem ser rescindidos. Ademais, existem parâmetros para um estudante discordar daquele que considera, então, um “doutrinador”. A ofensa, o assédio moral e a indisciplina certamente não estão entre eles.

Bem, se ele apresenta uma solução – a principio razoável – para as escolas privadas, automaticamente deixa de atender a maior parte do público, que está nas escolas públicas. Ou seja, a proposta dele não resolve praticamente nada.

É verdade que o ambiente escolar já está envenenado pela guerra ideológica, mas foram os esquerdistas que começaram a confrontação. A reação da direita – e principalmente da direita neoconservadora, mas não apenas ela – é apenas consequência dos excessos do lado esquerdista. Foi Gramsci, antes de qualquer outro, que defendeu a transformação dos escritores em intelectuais orgânicos.

Reinaldo Azevedo lembra que

nas escolas públicas, há mais dificuldades para o distrato. Mas, por óbvio, os professores encontrarão uma maneira de se proteger da depredação moral a que podem ser expostos e da agressão a seus direitos fundamentais. É simplesmente estúpido que se busque judicializar, “cartorializar” e policiar a relação entre os estudantes e os professores. E tanto pior quando se tenta fazê-lo em nome da liberdade. Teria dito Madame Roland, a caminho da guilhotina, condenada pelos jacobinos: “Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!” Se não disse, a frase expressa uma verdade inquestionável.

Novamente, Reinaldo Azevedo não resolve nenhum problema. E seu discurso é uma demonstração deste problema. Ele simplesmente fala que os professores “encontrarão uma maneira de se proteger”. Certo, mas e os alunos? Ao ignorar os alunos (parte mais vulnerável nesta dinâmica), ele simplesmente mostrou quão grave é o problema da doutrinação, que é algo que afeta os alunos.

Qualquer proposta que fale apenas em proteger os professores irá apenas amplificar o problema e expor seus defensores como arrogantes. Como já disse aqui, não é mais possível retroceder na questão do Escola sem Partido, gostem ou não. E foi por isso que sugeri que, para reduzir o clima de suspeita entre professores e alunos, que fosse lançada uma lei – atendendo tanto a professores quanto alunos – exigindo a gravação obrigatória de todas as aulas bancadas com dinheiro público. Com a gravação de todas as aulas, não haveria perseguição e nem denunciação seletiva. Se não for isso, vai vir coisa bem pior, pois o clima de guerra não vai ser amainado.

3 comentários em RA diz que não há chance para Escola sem Partido no STF. E isso não é bom para a esquerda…

  1. Qualquer discurso vindo do Reinaldo Azevedo é contaminado por ideologias de esquerda que nada acrescentam de positivo. Para muitos RA já está morto.

  2. Durante a campanha eleitoral foi interessante ver o RA implorando para que o PT iniciasse o quanto antes os ataques a Bolsonaro.

  3. Arruinaldo Azevedo e outros que disseram – alto e bom som, em tom de deboche e à exaustão – que jamais haveria uma presidência Bolsonaro, que iria “desidratar” e blablaablaaaa…credibilidade zeerooooo!!!! Não aprenderam nada com a eleição do Trump em 2016, pois são apaixonados demais pelas próprias vozes e escritos para tentarem aprender o que quer que seja.
    #JornaLiiiixoooo
    #ChupaQueÉdeUvaImprensocaImunda

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