Conheça os principais padrões de agressão verbal usados para intimidar opositores

Se você não viveu em Marte nos últimos 10 a 15 anos, provavelmente já assistiu aqueles canais de YouTube que crescem especificamente pela treta, bem como aqueles postadores de Facebook que vivem em guerra eterna. Mas o que você talvez não sabe é que a linguagem agressiva e inflamatória que usam possui padrões.

Estes são os padrões de agressão verbal, que podem ser utilizados para intimidar opositores e acirrar os ânimos da galera. Falei deste modelo de ação ao citar o exemplo do canal de Nando Moura, que cresce basicamente utilizando este tipo de linguagem. Aliás, o canal do Treta News neste momento está com 4 milhões de inscritos. Ou seja, é um baita de um negócio.

Aqui vai, então, a listinha dos principais os principais “verbal assault patterns” (verbal assault patterns) nesse tipo de linguagem.

Ataque às crenças, ações e habilidades

  • Você nem mesmo se importa com (x)?
  • Por que você nunca (se importou com algo, fez algo)?
  • Se você realmente quisesse (resultado) você não faria (ação)
  • Se você realmente quisesse (resultado), você não desejaria (intenção)
  • Todos entendem porque você (aspecto pejorativo)
  • Até mesmo você deveria (entender, fazer)

Falsos elogios

  • Você é uma boa pessoa, mas (elemento pejorativo)
  • Você fica bem em (aspecto); todos ficam bem em (aspecto)
  • Você está melhor que (situação anterior), mas ainda (apresentar problemas)

Ataque a sua identidade

  • Verdadeiros (a) não precisam/não precisariam (b)
  • Mesmo um (interlocutor como você) deveria estar apto a (ação)
  • Há mesmo alguém mais (negativo) que você?
  • Você é simplesmente igual a (pior tipo de gente)
  • Se você fosse/não fosse (insulto ou tipo de pessoa), você/eu não iria (o que eles fizeram), certo?
  • Seu… sabe que você…? (ex. Seus pais sabem que você é estúpido)
  • Isto é o que um (negativo) diria.

Algumas dicas fundamentais:

  • Todos os padrões podem ser adaptados. Por exemplo, quando falamos do padrão “você nem mesmo se importa com (x)?”, isso não necessariamente precisa vir na forma de pergunta.
  • Os padrões dão apenas uma base, podendo ser ampliados de acordo com as três categorias principais.
  • Resultados são ampliados quando se usam recursos como linguagem inflamatória, shaming, apelo emocional e ridicularização.
  • Tomar como base os princípios da guerra politica (de Horowitz e Alinsky) serve como complemento.

A questão ética

Às vezes pessoas da direita utilizam os padrões de agressão verbal contra outros direitistas. Mas quando isso acontece, a tendência é a inimizade, pois a linguagem é feita para agredir. Preferencialmente, isso deve ser utilizado contra os inimigos principais (ou seja, de setores políticos do espectro político oposto).

É preciso tomar cuidado para que o uso excessivo desta linguagem não descambe para o desengajamento moral, o que vai gerar divisões insolúveis.

Se os fatos estão em mãos, o uso destes padrões não é necessariamente antiético. Porém, isso nem sempre acontece. Também pode ser justificável utilizar os mesmos padrões contra alguém que os utiliza incessantemente, como forma de equilibrar a correlação de forças. Mas a partir do momento em que este tipo de linguagem vira o padrão e não existir nenhuma motivação para a coexistência, a tendência é a de que a imoralidade dê o tom. Perde-se todo o respeito entre as partes.

Mas no geral, o que tenho a dizer: use os padrões com o nível de moderação que se adequar aos seus objetivos e à sua personalidade.

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