Refutando 22 argumentos contra o Escola sem Partido

O projeto Escola sem Partido tem sido vítima de cada vez mais polêmica, principalmente porque ao mesmo passo em que a extrema esquerda é inimiga natural do projeto, algumas pessoas de direita também tem apresentado objeções.

Assim, apresentamos aqui 23 objeções ao Escola sem Partido, principalmente vinda de alguns setores da direita. Independentemente disso, o projeto tem apresentado excelente desempenho, sendo fundamental no processo eleitoral que ajudou a eleger Jair Bolsonaro.

#01: “O projeto tem problemas pois vai dar brecha para a esquerda”

Bem, mas se fosse pensar assim, nem mesmo Jair Bolsonaro seria candidato, pois quase tudo que ele propôs gerou reclamação da extrema esquerda. Argumento fraco.

#02: “Não se resolvem as coisas por projeto de lei”

Esse argumento não faz sentido, uma vez que praticamente todas as demandas políticas se traduzem, de uma forma ou de outra, em leis ou alterações em leis já existentes. Se já existe uma demanda clara, que vai aumentar os direitos dos alunos, ao menos em termos de conscientização, o projeto já traz ganhos.

O recurso da asserção – de dizer “não se resolve (a) com (b)” – pode impressionar alguns, mas não é argumento.

#03: “O projeto pode dar errado, pois os doutrinadores podem negar que o problema existe, além do fato de que muita gente não conhece sequer o problema”.

Bem, mas o Escola Sem Partido já teve papel fundamental na criação de uma cultura de direita, sendo um dos movimentos úteis para criar o clima anti-marxista. Logo, já deu resultados.

E se doutrinadores negam que o problema existe, enquanto muita gente não conhece sequer o problema, um programa focado em conscientização só tente a: (1) tirar argumento dos doutrinadores, (2) aumentar a conscientização das vítimas da doutrinação. Logo, a condição inserida para negar o Escola Sem Partido não é justificável.

#04: “Para o projeto funcionar deveria ocorrer primeiro a discussão na esfera intelectual”.

No fundo, esse é um argumento com base na falácia da ignorância. É do tipo: “eu não vi nenhuma discussão intelectual sobre o ESP, então ela não ocorreu”. A bem da verdade, para um projeto já existir, ser bem defendido e gerar os resultados que já gerou, é claro que já existiu discussão intelectual suficiente ao menos para estabelecer um projeto.

Na era das redes sociais, as discussões sobre pautas avançam muito rápido. Em suma, se o projeto já gerou resultados com a discussão intelectual que já existe, nada impede que novas discussões intelectuais possam ser feitas. A janela de oportunidades está aberta e deve ser aproveitada. O argumento dizendo para “esperar a discussão intelectual” (promovida por quem?) é muito fraco.

#05: “Para discutir o Escola Sem Partido é preciso provar cientificamente que existe doutrinação”.

Isso é pura maluquice. O Escola Sem Partido é focado apenas na conscientização dos direitos já garantidos na Constituição.

Bastaria existir a suspeita da violação destes direitos para justificar o Escola Sem Partido. Mas a coisa vai além: existem provas incontestáveis de doutrinação e abuso contra alunos. O site do Escola Sem Partido já apresentou diversos casos. É o suficiente para justificar a demanda política, bem como o projeto de lei.

#06: “O Escola Sem Partido não vai funcionar pois vai exibir um cartaz às pessoas que já estão predispostas contra ele”

Este é o recurso da implantação de uma intenção inexistente ao projeto de lei. Também se configura como ampliação indevida, em que se exagera a intenção do outro para refutar essa versão exagerada. É espantalho.

O projeto foca em conscientização e abertura da discussão. Se professores doutrinadores estiverem predispostos contra o cartaz, paciência. Isso vai acontecer sempre em qualquer espaço de combate político.

Quem lança esse argumento não deveria nem mesmo postar nas redes sociais, pois ali teremos adversários já predispostos a negar o que você escreve. Enfim, predisposição de adversário não é argumento para não existir uma manifestação política.

#07: “O Escola Sem Partido criaria uma situação de resistência dos professores, e poderia ser interpretado como autoritário. Logo, poderia dar errado”

Mas essa é exatamente a acusação que o Escola Sem Partido vem sofrendo desde o início. Mesmo assim, obteve resultados excelentes. A possibilidade de resistência dos professores é superestimada, pois já está sendo feita e mesmo assim o projeto avança. A reação tão ferrenha da extrema esquerda ao Escola Sem Partido é mais um argumento a favor, e não contra o projeto.

#08: “o Escola sem Partido ajuda os doutrinadores a posar de vítimas de perseguição”

Isso é dizer que a culpa seria, então, do Escola Sem Partido. Não passa de um baita non sequitur. Se alguém posa de “vítima de perseguição” é por estar fazendo uma propaganda, uma vez que o projeto é focado em colocar cartazes em salas de aula. Mas se o projeto não prega qualquer perseguição, então não pode ser acusado pela acusação que fazem contra ele.

De mais a mais, o candidato Jair Bolsonaro sofreu várias acusações indevidas de “autoritarismo”. Isso não é argumento contra a exposição de suas ideias.

A extrema esquerda não precisa de motivos para acusar alguém de “persegui-los” e temos incontáveis provas disso. No caso do Escola Sem Partido, os motivos são ainda menores, pois o projeto é modesto (focado em disponibilizar cartazes, para aumentar a conscientização dos alunos).

#09: “O Escola Sem Partido é ruim pois seus organizadores não entendem de combate cultural”

Essa é outra falácia, pois os organizadores do Escola Sem Partido demonstraram muito talento ao avançar o projeto tão longe quanto fizeram. Se o fizeram sem conhecer o suposto combate cultural, o mérito é redobrado, pois se superaram.

É bastante difícil tentar tirar os méritos e as habilidades dos organizadores do Escola Sem Partido. Fica parecendo até ad hominem. 

#10: “O projeto é absurdo pois exige que o professor exponha com igual preferência as ideias”

Mais uma ampliação indevida. O projeto não fala nada disso. O projeto fala de cartazes afixados e disponibilizados aos alunos. A atuação do professor é a mesma de antes, mudando apenas a conscientização do problema. No fundo, o Escola Sem Partido abre a porta para projetos subsequentes. Mas é lamentável que tem gente lançando afirmações sobre o projeto que nada tem a ver com o projeto em si.

Em suma, o projeto Escola sem Partido não tem como forçar o professor a nada, mas tem como ampliar a conscientização do aluno para as leis que já existem a respeito da atuação dos professores.

#11: “O projeto é igual tentar fornecer jornalistas a dar mesmo espaço para as duas visões, e isso não funcionou”

A analogia é terrível, pois o jornalismo é uma atividade privada, sendo bem diferente da profissão de professor. Decerto seria absurdo aplicar uma lei exigindo que o jornalista dê o mesmo espaço para os diferentes pontos de vista para uma matéria.

Mas o ensino está em outra esfera, e não submetido às mesmas regras do jornalismo. Logo, a analogia não se aplica. Mas é pior: nem é isso que o projeto quer. Como já dito, o foco do projeto está na conscientização dos alunos dos direitos que eles já possuem. Que coisa, não? Este argumento também já foi pra caixa de areia do gato.

#12: “Os alunos hoje em dia já defendem a doutrinação”

Não é assim não. Decerto existem muitos alunos que defendem a doutrinação, mas também muitos outros que são contra ela. As redes sociais permitem que as pessoas se expressem e adquiram novos pontos de vista. Dessa feita, até mesmo a doutrinação já existente tem sido combatida.

A conscientização via Escola Sem Partido só vai aumentar esse combate, que transcende o que ocorre nas salas de aula. Assim, a existência de uma parcela de alunos que defendem a doutrinação não é bom argumento contra o ESP.

#13: “Seus organizadores não sabem ainda se defender da acusação de autoritarismo”

É um argumento estranho, além de parecer muito pouco embasado e carente de provas. Temos vários casos em que o Escola sem Partido foi defendido (e muito bem) por seus proponentes. E se os frames não estão bem encaixados, eles podem ser melhorados.

#14: “O Escola Sem Partido não é bom, pois o problema é apenas a opinião que é suprimida do aluno”

Isto está previsto no item 2 do cartaz a ser afixado nas salas de aula, lembrando que o professor não deve favorecer nem prejudicar alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas. Talvez pode-se questionar até mesmo o nome do projeto, mas o fato é que, mesmo assim, ele tem funcionado bem.

E nada impede que, após o Escola Sem Partido, que surja um outro projeto – talvez chamado de “Liberdade de aprender” -, para punir sanções que sejam aplicadas injustamente a alunos por questão de divergência. Mas este não é o foco do Escola sem Partido, cuja ênfase está na conscientização.

#15: “O Escola Sem Partido depende primeiro na vitória na guerra cultural”

O detalhe é que, em termos culturais, a esquerda politicamente correta (mais beneficiada pela doutrinação nas escolas) está apanhando por todo o mundo. Isso não ocorre apenas no Brasil. Assim, a tal “guerra cultural” já está indo muito bem. Exatamente por isso, até mesmo as restrições impostas ao ESP não se aplicam mais.

O mais importante é garantir a liberdade de expressão na Internet para que as coisas sigam fluindo do jeito que estão. O ambiente para a luta contra a doutrinação já está preparado.

#16: “Se o projeto de lei for aprovado, vai provocar uma revolta, que é justa”

Aqui temos dois argumentos juntos: “o projeto ai provocar revolta” e a suposta revolta seria “justa”. Não não seria. Não há um argumento que justifique revolta contra a conscientização via cartazes. A revolta que ocorre é injusta e deve ser exibida como mais argumentos a favor do ESP. E se o projeto causar revolta nos doutrinadores, ótimo. É um crivo de qualidade.

#17: “O projeto Escola sem Partido deve ser ruim pois tem gente de direita concordando com a esquerda na crítica”

Isso não é um argumento bom para mostrar a falta de qualidade de algo. Tão desunida como está, a direita é um poço de contradições.

Diante de quase tudo, teremos setores da direita ficando contra algumas ideias. A capitulação ao discurso da esquerda é observado várias vezes. São coisas do jogo político, mas não servem como argumento contra o ESP.

#18: “O projeto Escola sem Partido institui a deduragem, por isso é ruim”

O projeto não institui nada disso, a não ser a conscientização dos direitos. É possível, sim, que, como consequência, exista mais deduragem, mais isso advém da revolta das vítimas abatidas na guerra cultural, não sendo dependente do Escola sem Partido.

Ademais, espera-se que os professores de escolas públicas sejam questionados e observados, pois são funcionários públicos. É o zeitgeist. Esse argumento é triste.

#19: “Os professores não devem ser vigiados, pois doutrinação não é crime”.

Outra falácia horripilante. Alguém não precisa ser vigiado ou observado apenas quando comete ou está para cometer crime.

Alguém pode expor um argumento ruim também. Argumentação ruim não é crime. Dizer que não faz sentido expor uma argumentação ruim apenas “por que não é crime” é falácia para enganar crianças. Coisa feia, coisa muito feia.

#20: “O projeto vem de gente iludida que acha que política tem só a ver com partidos e eleições”

De novo, essa é uma intenção inventada. Na verdade, o projeto abrange a doutrinação como um todo, em termos de conscientização, e não a limita à luta partidária. Tanto isso é verdade que muitos dos temas discutidos pelos apoiadores do projeto tem a ver com questões da esfera cultural.

Ademais, o termo “partido” não significa necessariamente partido político. Pode ser a tomada de partido em discussões ideológicas, morais, religiosas, etc.

#21: “Os organizadores não entendem que tudo na vida tem dimensão política”

Esse é mais um argumento sobre a suposta competência dos organizadores do projeto. Porém, mesmo assim, o projeto avançou muito bem.

E nada impede que as discussões sobre a política para “todos os aspectos da vida” não sigam. Aliás, é isso que está acontecendo em todas as esferas. Mais uma inserção de restrição injustificada.

#22: “O projeto Escola sem Partido pode ser uma vitória pela força, sem ter convencido ninguém”

De novo esta é uma ampliação indevida do projeto, que tem foco na conscientização de alunos sobre a doutrinação. Nada impede que o convencimento siga em todos os espaços possíveis e imagináveis.

Essas ampliações indevidas enchem o saco…

Conclusão

Os argumentos que alguns setores da direita fizeram contra o Escola Sem Partido são até piores que os argumentos da extrema esquerda. Se tiverem mais sugestões de argumentos contra o Escola Sem Partido, basta me enviarem, que faço a parte 2 assim que tiver mais uns 20 itens.

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1 comentário em Refutando 22 argumentos contra o Escola sem Partido

  1. Só desejo efetuar um acréscimo: no item nº 2 podemos dar como exemplos as leis da própria esquerda, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, além da lei contra a discriminação dos homossexuais como lei de proteção social.

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