O possível cálculo político na suposta indicação de Carlos Bolsonaro para a Secom

O papo envolvendo a suposta indicação de Carlos Bolsonaro (filho de Jair) para a Secom gerou um baita fuzuê.  Em princípio, a notícia foi ventilada para a mídia, que dava como certa a indicação.

O Antagonista, por outro lado, desceu a botinada e disse que isso seria nepotismo. A matéria da Folha de São Paulo afirmou que Carlos Bolsonaro “quer evitar influência extrema de auxiliares dos quais ele não gosta, como Gustavo Bebianno”.

Após citar a Folha, oAntagonista afirmou: “Nesse caso, é melhor mandar Gustavo Bebianno embora. O que não pode de jeito nenhum é ter filho no ministério”.

Em seu Twitter, Carlos Bolsonaro afirmou:

O Antagonista comentou, elogiando: “Carlos Bolsonaro fez a coisa certa e recusou a oferta de seu pai para se tornar ministro da Secom (leia aqui). Ele anunciou no Twitter que volta para o Rio de Janeiro. Tem que ver se o pai vai deixar”.

Ainda no Antagonista, lemos que Jair Bolsonaro disse para a imprensa que o plano de nomear seu filho para a Secom deve “morrer”, porque ele não quer ser acusado de nepotismo.

“O nome do meu filho foi levantado. Passei para O Antagonista, que ligou para mim. Não tem nada certo, acho difícil que ele aceite ir para lá. Seria levado para o lado do nepotismo. Nunca pratiquei isso, não me interessa fazer”, disse Jair.

A bagunça não é muito difícil de entender.

Existem setores ligados às redes sociais – mais organizada em torno e pelos neoconservadores – que vislumbraram a possibilidade de um aliado estar na Secom. Isso é normal.

Moisés Naim aborda quatro canais pelos quais fluem o poder: (a) Coerção, (b) Recompensa, (c) Código, (d) Mensagem.  O último canal trata da mensagem, ou seja, do controle da propaganda e do fluxo de informações. Cargos na Secom são absolutamente estratégicos. Logo, é preciso avaliar quem irá ocupá-los.

O setor neoconservador – que pode ser descrito como um tipo diferente de conservadorismo, mais exclusivista e reacionário – está investindo muito na “guerra cultural” a partir da Internet. Canais de youtubers neocons já se tornam um grande negócio. Há uma expectativa de que surja uma blogosfera rentabilizando. Não se sabe se na Secom isso significa retirada de verbas para a grande mídia, ou mesmo da cessão de verbas para a mídia virtual. Nesse caso, os mais organizados poderiam fazer bons negócios.

Obviamente, isto não é uma acusação, mas uma análise das possibilidades e dos interesses com base nas oportunidades apresentadas e no cenário levantado. Se a Secom for ocupada por alguém que transita junto a vários setores da direita, melhor para a direita em geral. Se representar um setor específico, devem surgir alguns conflitos de interesses.

No frigir dos ovos, fica a impressão de que, por pressão dos setores mais radicais, Jair Bolsonaro pode ter usado um “balão de ensaio”, sendo o Antagonista muito útil para isso. Isto é, o nome de Carlos Bolsonaro seria “testado” em público para avaliar rejeição ou aceitação.

Carlos disse, supostamente indignado:

As tais brigas contra o Antagonista e reclamações por “desgaste” parecem mais, digamos, coisas do jogo. Se foram combinadas como teatro entre eles, não sabemos.

O certo é que o desgaste gerado pela nomeação pode ser um tipo de teste. De acordo com a narrativa do herói – exposta por de Joseph Campbell em “O Poder do Mito” -, uma negativa pode não significar muita coisa. Assim, não sabemos se Carlos Bolsonaro saiu ou não do páreo.

O jogo está sendo jogado.

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3 comentários em O possível cálculo político na suposta indicação de Carlos Bolsonaro para a Secom

  1. Temos que deixar claro que a eleição do Capitão, não foi um golpe e sim uma revolução popular contra o establishment político…. Ou deixou de ser a campanha mais barata de todos os tempos? Então não foi uma ação para tomar pra aí, as regras e artimanhas forjadas pelos Apátridas durante o período da ditadura da cleptocracia (1995 a 2018) a revolução tem por objectivo revogar todas as suas ações. Toda organização que se registrou no CNPJ como empresa com fins lucrativos na exploração do mercado das comunicações estão submetidos a outorga pública… isto tem um preço, o preço que i contribuinte impor, no mínimo tem que sair no zero a zero, o contribuinte não pode entrar com um único centavo para bancar espaço publicitário das concessionárias de comunicações,pelo contrário DEVERIA impor o benefício de Royalties sobre a comercialização publicitária. O SECOM foi pelo regime da cleptocracia outorgado das funções do ministérios das comunicações na cobrança das conceções… Ao invés de Produzir dinheiro para o tesouro cobrando pelas concessões, passou a principal contratante, patrocinador de espaços publicitários… isto tem que acabar

  2. Favor não publicar este. // 23 de novembro de 2018 às 5:47 pm // Responder

    Não precisa publicar todos os comentários (os meus), caso ache que eu passei do seu limite; eu “quase sempre” vou entender.

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