A dinâmica da treta entre Carlos Bolsonaro e Rodrigo Constantino

No dia 23 de novembro, Rodrigo Constantino publicou o seguinte em seu Facebook:

Carlos Bolsonaro – que, segundo fontes, teria sido cotado para dirigir a Secom, mas temporariamente perdido o espaço – rebateu com dureza no Twitter, num post que até o momento já teve 4900 likes:

Só se surpreende com isso quem ainda não entendeu a dinâmica das lutas internas de poder dentro da direita.

Não é preciso de nenhuma informação “insider” para saber que Carlos Bolsonaro e Rodrigo Constantino representam setores diferentes da direita. Pode-se dizer que Carlos Bolsonaro transita bem entre setores mais radicais do neoconservadorismo e alas nacional-populistas, enquanto Rodrigo Constantino é um liberal, que já foi libertário e hoje transita entre o liberalismo clássico e o conservadorismo, por vezes até o neoconservadorismo, mas de tons mais moderados (ou seja, a ala mais moderada do neoconservadorismo).

Isto significa que Carlos Bolsonaro e Rodrigo Constantino não fazem parte “da mesma turma”.

Aliás, já faz tempo que estou avisando para estudarmos os conflitos de interesses dentro da direita e entender os diferentes setores. No caso, Carlos Bolsonaro bateu forte na tentativa de marcar espaço.

Parece que Constantino fez seu post de boa vontade, falando numa “união da direita” que na verdade é uma miragem. A direita se divide em vários setores, e na correlação de forças entre esses setores é que as coisas se definem.

Ao falar “chegamos ao poder”, isso atiçou o senso de marcação de espaço de Carlos Bolsonaro.

Em vez de dizer que “chegamos no poder”, eu prefiro afirmar que a “direita chegou ao poder” (em nível geral), mas que os setores internos da direita estão às vezes negociando, enquanto geralmente medindo forças, para que cada um avance seus interesses.

Como existem diferentes setores nessa direita, há uma análise da correlação de forças entre esses setores. O posicionamento de cada um desses setores vai definir a relevância de cada um e se haverá esmagamento dos demais setores por um deles. Enquanto isso, o jogo está aberto.

Análises deste tipo não permitiriam uma rebatida como esta feita por Carlos Bolsonaro.

A política é baseada em conflitos de interesses. Conscientização política significa considerar esses conflitos de interesses. Uma vez que acreditamos na ideia de “todos no mesmo barco” o que acontece é isso aí. O crescimento do setor ligado a Rodrigo Constantino e ao Instituto Liberal é algo que não teria como agradar nem um pouco a Carlos Bolsonaro.

Em tempo: eu gosto muito do material do Rodrigo Constantino. Eu não sou do tipo que discorda de um ponto de vista e transforma isso em treta. E nem o Constantino é desse tipo. Ele é dialético, pronto a discutir seus pontos. Acredito que há muita gente ignorando os interesses de cada um dos setores (talvez por política de boa vizinhança) e isso pode gerar derrapadas.

Mas não é preciso dizer que alguém é “um zé mané” por cometer o erro de ignorar os conflitos de interesses. (E aí é erro mesmo, pois não há ganhos para isso)

Eu mesmo me arrependo amargamente de ter dito que a liderança do setor neocon era ingênua na avaliação de alguns processos de poder. Deveria ter identificado mais claramente os interesses. Acontece. Não levem a ferro e fogo a minha objeção.

Precisamos de mais conscientização política. Isso virá a partir do entendimento dos interesses envolvidos, seja entre esquerda e direita, e também entre os diferentes setores da direita. Pode-se dizer que Carlos Bolsonaro foi excessivo, mas só agiu assim por ter condições de fazê-lo. O que está definindo o posicionamento (inclusive público) é a correlação de forças.

A análise setorial pela medição da correlação de forças não é feita para “dividir a direita”, como alguns disseram.
 
Ao contrário: é feita para estimular negociações produtivas e mais estáveis a partir da equipação na correlação de forças, o que só pode acontecer a partir da conscientização política.

3 comentários em A dinâmica da treta entre Carlos Bolsonaro e Rodrigo Constantino

  1. A reação do filhinho do papai Carlos Boçalnaro já era esperada. Tudo leva a crer que os Boçalnaros irão se vingar de todos os liberais e direitistas que não apoiaram o “mito” antes e durante as eleições, só fazendo isso muito tardiamente só para não ver o PT outra vez no poder.

    Ou seja, por esse apoio tardio, os boçalnaros já gravaram quem são esses anti-petistas que não juraram amor ao patriarca boçal mor muito tempo antes.

  2. Meu nome não é vendido. // 29 de novembro de 2018 às 1:11 am // Responder

    Renato, deixe de ser ingrata (renata ingrata, trocou o meu amor por uma ilusão).

  3. Renata (alguns me chamam de varderlei). // 29 de novembro de 2018 às 1:38 am // Responder

    Põe comentário aíííí. PONTO. Ninguém tá nem aí, pra o que zé galinhas iguais a vc (A.N, R.C, ou qualquer outro vendido) tem a á à há hà dizer.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: