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Análise de frames mostra porque Fabrício tem que se explicar logo

Junto à reconstrução do material de Saul Alinsky para a direita, e da difusão dos métodos de David Horowitz, este blog, desde 2012, defende o conceito de controle de frame

Neste sentido, vimos muita evolução da direita nos movimentos pelo impeachment, bem como nas campanhas virtuais por Jair Bolsonaro. Porém, nos últimos dias, parece que há problemas no controle de frame. Algo não está bem encaixado. 

As reações diante das denúncias sobre Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro, estão sendo frágeis e dando muitas brechas. Mas o pior é que este é um aspecto das estruturas conceituais relacionadas a Bolsonaro que tanto pode lhe trazer altos ganhos como alguns tombos. 

Por que isso acontece?

Para início de conversa, os frames não estão em nossa linguagem, mas sim no cérebro. Os frames são estruturas mentais que moldam a maneira pelas quais nós vemos o mundo. 

Quando se fala em controle de frame, isto é o mesmo que falar da ativação dos interruptores certos na mente humana. Quem controla o frame é quem leva vantagem nessa ativação de interruptores.

Se alguém diz “ei, Ayan, me arruma um frame aí”, isso significa que a pessoa está pedindo frames conceituais e estruturas narrativas que se associarão a frames. Popularmente, isso às vezes também é chamado de frame. 

Nem é preciso estudar neurociência a fundo para sabe que as sinapses fazem a comunicação entre os neurônios. Um sistema moral, contido no cérebro, é como um sistema de circuitos neurais. Quando esses circuitos são ativados, é como o apertar de interruptores certos. 

A repetição tem o poder de mudar o cérebro, pois quando uma palavra ou frase é repetida várias vezes por um longo período de tempo, os circuitos neurais que computam seu significado são ativados repetidamente no cérebro. 

Quando existe um ou mais papéis semânticos fortes (e encaixados num ambiente cultural propício), temos os elementos de propaganda que buscam na mente os frames conceituais mais rapidamente. Isto é, falando da ativação dos frames mais decisivos. 

Mobilização de afetos significa direcionar as estruturas conceituais para usar os marcadores somáticos – que “marcam” na mente as emoções que direcionarão a atenção futura do indivíduo. As propagandas mais fortes são aquelas que, como disse Horowitz, ativam os símbolos de medo e esperança. 

As estruturas conceituais da propaganda de Jair Bolsonaro, ativaram fortemente os dois tipos de símbolos. Logo, funcionam muito rapidamente. Basta alguém falar em “luta contra a corrupção” que alguém lembrará a imagem de Bolsonaro como simbolo desta luta. 

Tudo operou muito bem, pois não falamos mais de uma narrativa simples, como também uma narrativa cultural, pois está encaixada em nossa cultura. É o tipo de narrativa faz amplo uso de protótipos culturais, temas, imagens e ícones. 

No nível e repetição e com a empolgação com a qual a campanha foi realizada, essa conjunção de fatores é quase como ativar os mecanismos cerebrais relacionados à paixão. Muitos sentimentos foram envolvidos e encaixados num ambiente cultural adequado, onde “corrupção” é o maior de todos os males, e o “mito” simboliza essa luta. 

Por isso mesmo, algo que arranhe a imagem de Jair Bolsonaro nas questões relacionadas a corrupção tem um efeito danoso muito maior do que teria se as denúncias fossem sobre Renan Calheiros, Aécio Neves ou Lula. 

Mas todo o sistema intuitivo de avaliação do ser humano é baseado não apenas na linguagem verbalizada, como na linguagem corporal. Uma expressão de tensão no momento do falar do assunto já será interpretada negativamente. 

Em suma, para que as denúncias não tenham o impacto de uma desilusão amorosa – pois falamos de marcadores somáticos, inseridos num ambiente cultural, e com afetos mobilizados fortemente, em que tudo se encaixa coerentemente, e muito fortemente, para uma parcela do eleitorado -, é preciso se posicionar com confiança, linguagem corporal adequada e clareza, pois, tão emocionalmente engajadas, as pessoas procuram ainda mais respostas na comunicação não verbal. 

Achar Fabrício para que ele esclareça tudo com clareza passa a ser uma prioridade. Claro que isso não impede um início de governo. Com tanta popularidade, há lenha para queimar. Mas é claro que se trata de um ponto de desgaste, que está sendo ampliado exatamente pela falta de respostas adequadas. Nesse ponto, tem muita gente que investiu suas emoções e olha ressabiado, quase com o coração partido. 

Dica: achem Fabrício rápido para que ele exponha com clareza tudo que aconteceu. Os frames na mente dos eleitores estão muito vulneráveis nesse momento, tanto para reforço de apoio como para decepção.

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