Anúncios

Damares e o truque que engoliu a esquerda raiz

Ontem o Brasil virou um hospício, com tanto esquerdistas como direitistas discutindo a questão das cores envolvendo a ministra Damares.

A esse respeito, Eric Balbinus escreve:

Se eu fosse Bolsonaro instruiria meus ministros a incorrerem nas polêmicas mais imbecis apenas para entreter os burgueses da esquerda e da direita enquanto eu sorrateiramente me engajava em assuntos mais importantes. Todo dia eu faria famosos, jornalistas e supostos intelectuais debaterem com rigor qualquer irrelevância dita por mim ou por alguém da minha equipe – de preferência ninharias que casam com o senso comum e que me dessem amplo apoio popular mesmo que a imprensa e a beautiful people fizessem minha caveira na mídia e nas redes. Como eu não sou Bolsonaro, apenas observo o padrão. Acho que ao menos nesta questão ele não fez nada muito diferente do que eu mesmo faria.

Ele está correto, mas eu iria até um pouco além.

Para início, os marqueteiros pró-Bolsonaro já estão agindo assim. Por outro, lado, a esquerda raiz já percebeu parte do truque, mas não tem condições de revertê-lo, pois estão amaldiçoados com uma espécie de paternalismo interno. Os esquerdistas nunca foram paternais com a direita, mas estão sendo paternais com o setor esquerdista adepto das pautas identitárias.

Neste momento em que existem negociações com a Câmara que abalarão a imagem do “mito que nunca erra”, Bolsonaro precisa distrair as pessoas das questões reais do poder. Por isso, usar a política do espetáculo é a melhor solução para o próprio Bolsonaro, o que não necessariamente é o “melhor para o país”, mas ele está preocupado principalmente com a própria imagem neste momento. Qualquer um faria o mesmo se estivesse em seu lugar.

Em relação à esquerda identitária, basicamente estes grupos não dão a mínima para a esquerda raiz. Eles entendem que podem capitalizar com indignações simuladas e teatrais diante da mídia (onde têm espaço de sobra) e deixarem os esquerdistas de perfil tipo Ciro Gomes – ou aqueles mais extremos como Rui Costa Pimenta – sendo feito de palhaços.

O esquerdismo identitário é um baita negócio em termos de imagem. Com isto, a esquerda identitária está coletando seus benefícios de imagem, e, por tabela, os próprios setores mais radicais ligados a Bolsonaro – em especial os setores reacionários e neocons – capitalizam também.

No fundo, tem setores da esquerda e da direita ganhando com todo esse teatro puramente artificial, enquanto setores de ambos os lados – especialmente os que têm mais conteúdo para discutir a questão política – ficam em segundo plano.

Tacada de mestre tanto de Bolsonaro como da esquerda identitária.

Twitter: https://twitter.com/lucianoayan

Facebook: https://www.facebook.com/ceticismopoliticosc/

Anúncios

2 comentários em Damares e o truque que engoliu a esquerda raiz

  1. Falta do que fazer de melhor, mostrando a mediocridade de tais mídias não é mesmo?
    O Brasil que trabalha e paga impostos nao precisa w não merece,só quee paz e ordem com progresso para seguir em frente..

  2. O jornalismo já nem faz mais questão de disfarçar sua militância, ao contrário de outros tempos. E é incrível a futilidade de setor da sociedade, que engoliu o factóide de que houve alguma polêmica no que a ministra disse.

    PS: não tenho conseguido encontrar à venda o seu livro. Nem em formato e-book. Sabe se há como? Abs

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: