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Nomeação do filho de Mourão: qual a real questão política?

Antes de ontem o novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, promoveu Rossell Mourão, filho do vice Mourão, para o cargo de assessor especial da Presidência do Banco do Brasil.

Rossell é funcionário há 19 anos. No novo cargo, Rossell terá seu salário triplicado (de R$ 12 mil para R$ 36,6 mil mensais). Novaes defende a nomeação, dizendo que Rossell é de absoluta confiança.

Então, para comentar o caso, primeiro é preciso dizer que este post não é dirigido às pessoas que fizeram as críticas à nomeação sem levar em conta os conflitos de interesses. Tem muita gente que foi sincera no que disse. Então, não me refiro a esses.

Se você não gostou dessa nomeação e não faz essa crítica pensando em “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”, então este texto não faz nenhuma crítica a você. Combinado?

Assim podemos prosseguir.

Para início de conversa, a nomeação foi feita pelo presidente do BB, que não se reporta ao General Mourão, mas a Paulo Guedes. E pode muito bem ter aspectos de estratégia, bem como ser justificada por um histórico de suposta perseguição política que Rossell teria sofrido lá na entidade, principalmente por ser anti-PT. Ademais, existem argumentos falando da extensa qualificação de Rossell.

Eu não entrarei neste mérito, pois não tenho informações.

Mas o que precisa ficar bem claro é que na ação política existem indicações. É assim que um governo é formado. De fato existem “agrados” que são feitos de lado a lado. Mas esta é uma regra geral na política.

Então, sem justificar o que aconteceu, é preciso avaliar o cálculo político de tudo isso. E, deve-se lembrar, que não é o setor militarista e nem o setor liberal que está sendo mais agraciado com cargos, mas outro setor: o neoconservador. Especificamente aquele ligado a Olavo de Carvalho.

Vimos alguns casos de neoconservadores criticando a nomeação do sobrinho de Mourão, mas tendo feito silêncio diante de nomeação de neoconservadores.

Neste caso, temos um problema, pois as críticas não são basicamente morais, mas estratégicas. É aqui que entra a lógica de “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”. E este é um problema que precisa ser discutido, pois aí teríamos pessoas da direita utilizando o duplo padrão nas disputas internas de poder, enquanto a esquerda se acostumou a usar o duplo padrão na disputa com direitistas.

Observe que, como faço análises políticas que visam tratar o leitor da forma mais adulta possível, só tenho a dizer que: politicamente, não há nada de errado em nomear neoconservadores para os cargos. Se os neoconservadores estão na base de apoio desde o início, é natural que tenham preferência por cargos. Porém, é importante alertar que a desproporcionalidade é perigosa para a democracia, e, por isso, outros setores – que também fazem parte da base de apoio – devem lutar pelo seu espaço. Em especial, os militares, que apoiam Bolsonaro bem antes de que os neoconservadores entrassem em sua campanha.

Assim enquanto há críticas legítimas à nomeação, junto a outros argumentos legítimos em favor da nomeação, e cada tipo de argumento está disputando seu espaço, existem argumentos puramente oportunistas que não estão tratando da questão em termos morais. É preciso ficar de olho nestes argumentos.

Dica: para quem resolver esmiuçar os argumentos, é conveniente observar a coerência e se não há instâncias de duplo padrão.

Fora isso, segue o jogo.

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6 comentários em Nomeação do filho de Mourão: qual a real questão política?

  1. Para acabar essas indicações de competência técnica partidária, a solução mais viável é a privatização total do banco. Qualquer indicação que ocorre posteriormente a privatização, será com intenção de resultados lucrativos. Essa é a mais moral de todas as indicações.

  2. "Antes de ontem o novo presidente do Banco do Brasil" // 10 de janeiro de 2019 às 12:49 am // Responder

    Um dia depois de amanha (é nome de “um” filme). Antes de ontem Bruce Dickinson, nem cantava essa musica; o primeiro cantor dessa musica, foi um “psi….” que não se vende (é meu “”chara””). https://www.youtube.com/watch?v=MjAQSlTVcYI

  3. Tem acabar com "TODAS" as mordomias. // 10 de janeiro de 2019 às 1:37 am // Responder

    “Militares e minha mãe, por ultimo”. Se eu “fosse” um psicopata (ou um liberal idiota), eu mataria todo o mundo [o liberal vai matar a estabilidade dos militares (da democracia)]; mas respeitaria uma ordem (primeiro, segundo, terceiro, e assim por diante); mataria “todo mundo”, mas deixaria minha mãe por ultimo. https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/todos-devem-participar-dos-cortes-na-reforma-previdenciaria-inclusive-os-militares/ . Mas tem que por alguma musica.

  4. Acho injusto colocar leitores do Olavo tudo no mesmo saco e taxar de “neoconservadores”, achei que a nomeação foi pura meritocracia, ponto.

  5. Bobagem ficar dando pano pra manga. Esse assunto também já deu.
    Se o filho do nosso Vice Presidente General Mourão foi promovido, é porque mereceu. Vários petistas ganharam altos salários por anos e ninguém reclamou. Se o garoto recebeu essa promoção, sejam menos INVEJOSOS e tenham mais respeito pela FAMÍLIA do General Mourão.

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