Carlos Bolsonaro é o mais pragmático jogador político da atualidade

Uma das principais teses deste blog é que o direitismo paternalista é o grande problema da direita. Direitismo paternalista é um filtro mental que se recusa a entender os conflitos de interesses na ação política.

Inicialmente, a tese foi desenvolvida para tratar o relacionamento da direita diante da esquerda. Ou seja, alguém diz que “o socialismo não funcionou” quando deveria estar lutando exatamente porque o socialismo funcionou. Em síntese, o direitismo paternalista entende conflitos de interesses como se fossem conflitos de entendimento.

Porém, a tese tinha um defeito: ignorava os conflitos de interesses mesmo nas disputas internas de poder dentro da direita. Com isso, o próprio direitismo crítico precisa considerar os reais interesses dentro de cada setor da direita. Se isso parece um tanto “maquiavélico”, no fundo é o que permite até mesmo a negociação racional das alianças políticas.

A tragédia cognitiva da direita é que só um setor pensa em termos de conflitos de interesses. Os demais setores da direita são paternalistas.

Sendo assim, é preciso entender que setor Carlos Bolsonaro representa, e que setores os outros contra os quais ele se bate (dentro da direita) representam. Cada um possui seus interesses. E foi assim que escrevi isso em 1 de janeiro, quando todos pareciam entorpecidos durante a posse de Jair Bolsonaro:

Pois neste dia 10 de janeiro, vimos Carlos Bolsonaro partir pra cima de Benê Barbosa, logo após ele ter feito um comentário num post de Eduardo Bolsonaro. Veja o print a seguir:

Bem, diante disso, se esperaria que víssemos direitistas se organizando e tentando compreender os interesses no embate, certo?

Nada feito. O que vimos é normalmente muitos direitistas, chocados com esse ataque de Carlos Bolsonaro a Benê Barbosa, dizendo que o filho do presidente “perdeu o juízo”.

Alguns chegaram até a usar a metáfora de que “isso prejudica a direita”. Mas não existe “a direita” quando se faz esse tipo de discussão interna. Existem pessoas que possuem interesses. Somente quando esses interesses estão em convergência (ou mesmo estejam negociados) existe algo como “visão de direita”.

Mas, no caso, vemos basicamente uma ação clara de Carlos Bolsonaro para desmoralizar influenciadores que podem abalar seu prestígio. No fundo, tudo é pragmático e lógico na manutenção de poder.

Hoje boa parte da discussões na direita envolve metáforas marotas. Por exemplo, imagine que você quer comprar um carro por 785 xelins, enquanto o vendedor quer vender por 983 xelins. Há um claro conflito de interesses. Um quer pagar o menor preço possível e outro quer vender pelo maior preço possível. Mas daí um dos lados da discussão cria uma egrégora, chamada “carrismo”. Seria uma entidade metafísica que orientaria o melhor preço para as negociações de carros. Daí um dos lados começa a falar que “o carrismo determina o preço”.

O outro lado sente que há uma enrolação aí. Mas não tem jeito. A cada vez que um luta pelos seus interesses, um dos lados invoca o tal “carrismo”, exatamente para não precisar discutir seus interesses, escondê-los e evitar a real discussão.

Claro que nem todos são desonestos. Muitas vezes a pessoa está mentindo para si própria, talvez para proteger investimento emocional. Outras vezes está mentindo para proteger seus interesses. O “carrismo” seria uma metáfora (em termos de ciência cognitiva) feita para evitar ter discussões de fato. E, assim, ninguém discute mais os interesses de cada setor

Em 26 de dezembro, eu escrevi que já notava que os liberais estão adotando o pensamento mágico. Deve ser para manter o otimismo. A análise liberal do sistema atual não compreende os conflitos de interesse na base. Já Carlos Bolsonaro, que é do setor neoconservador, é muito mais perspicaz.

Aliás, o liberalismo original se fundava na observação dos conflitos de interesses e a posterior requisição pelo estabelecimento dos limites para o poder, exatamente por ter notado os conflitos de interesses. O mesmo valia para as versões do conservadorismo dos tempos iluministas. No liberalismo brasileiro atual, o padrão é adotar o auto-engano para criar a ilusão de que os conflitos de interesses não existem enquanto são repetidas metáforas sem sentido.

Carlos Bolsonaro, pragmaticamente, começa a lançar discursos pensando em redução da base, e daí detona os liberais e conservadores, já que está no time neocon. Em seguida, liberais começam a dizer que isso é “uma bobagem”, e que ele não deveria fazer isso “em nome da direita”. Agora conservadores tendem a seguir o mesmo caminho dos liberais.

Provavelmente essa “direita” aventadas pelos liberais e conservadores é um espírito, uma egrégora, ou um grande fantasma que estaria ali para, acima dos interesses das chaves de cada grupo, decidir o que é melhor para todos. Algo como uma divindade. Ou tipo um pai, que, numa família, resolve os conflitos entre os filhos.

Podemos pensar se essa “direita” tem um WhatsApp para que possamos contatá-la e perguntar: “Ei, tem gente falando que isso que o Carlos Bolsonaro está fazendo está em desacordo com os seus objetivos, ou seja, da direita, e não está ‘em nome’ da direita. Ele fala em seu nome ou não?”.

E daí vemos que essa tal “direita” – no contexto de um ente tomador de decisão que, conscientemente, decide se as opiniões emitidas estão corretas ou não, ou podem ou não serem ditas ‘em seu nome’ – não existe conforme a metáfora dos liberais. Ou seja, o pensamento mágico cria metáforas para esconder os conflitos de interesses.

Nesse sentido, pelo menos, o Carlos Bolsonaro sabe o que quer. Os seus adversários na disputa de poder na base dependem do pensamento mágico.

Vou passar aqui mais uma vez o vídeo Rules for Rulers, que dá uma visão sumarizada da teoria do seletorado. Depois, é só observar que tudo que está acontecendo tem a ver com chaves disputando seu espaço. Algumas, dos setores liberais e conservadores, admitem coexistência. Outras chaves, do setor neocon, querem reduzir a base:

Obviamente, por ser um liberal-conservador, eu torço para que eles disputem mais posições de poder dentro da base. Mas se insistirem tão ardorosamente no pensamento mágico, tendem a ficar de fora mesmo. As perspectivas não são nada animadoras para liberais e conservadores, e extremamente positivas para reacionários e neoconservadores.

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4 comentários em Carlos Bolsonaro é o mais pragmático jogador político da atualidade

  1. É ruim de ler um post que não tem comentários. PONTO. // 16 de janeiro de 2019 às 10:02 pm // Responder

    Ai fica difícil. Eu quero a opinião do povão.

  2. Ayan,
    Vejo Olavo, Bolsonaro e sua trupe, tão conservadores/liberais quanto você, alguns mais na linha conservadora pra dizer a verdade, mas não como neocons.
    Não vejo um governo pendendo mais para um lado do que para o outro, os conservadores tiveram muito o que comemorar, os liberais tbm e ambos tiveram pelo que chorar juntos., mesmo que eu considere o saudo positivo.
    Achei a sua interpretação da linha de pensamento do Carlos muito boa, mesmo que eu não considere um neocon, mas como de uma segmentação do conservadorismo abrasileirado.
    Queria entender a sua concepção total de neocon

    • Não. Somos perfis bastante diferentes. Os valores são diferentes.
      Por exemplo, eu valorizo a precaução. O Olavo já apoiou colapso em greve de caminhoneiros.
      Neoconservadorismo, no perfil brasileiro, é como um reacionarismo que pensa como colônia dos EUA.

  3. Essa coca aí é fanta. Tem pai que é cego rapaziada. Dizem que o Carluxo é um gayzão enrustido que mora com o primo a cinco anos e juntos criam uma cadelinha maltês, da qual criaram até um instagram para ela. Começo a entender todo o ódio que o Carlos Bolsonaro tem pelos gays. Ele deve disseminar ódio contra eles no twitter porque ouviu a vida inteira o pai dizer que preferia um filho morto em um acidente de carro do que um filho gay. Bom, além do Bolsococô ter um filho bandido e ao que tudo indica assassino que é o Flávio Bolsonaro, ele também tem um filho homossexual que é o Carluxo. Bolsonazi ganhou na loteria.

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