El País NÃO fez dois discursos sobre Bolsonaro

Como disse anteriormente, com essa campanha “foi o Flavio”(ironizando as denúncias), fica uma dica de negócio para a direita caso ele seja comprovado como culpado lá na frente.

Vender saquinhos – com furinhos na posição dos olhos, para as pessoas poderem enxergar – para direitistas usarem na cabeça, de vergonha por terem tentado emular “Dilma Bolada” em escala máxima. Agora temos que torcer (e muito) para que ele seja inocentado.

Mas parece que a mania de deixar os fatos de lado está se tornando o padrão de alguns setores da direita. E por que apontar isso? Por que depois, toda a direita, mesmo os independentes, sofrerá o desgaste.

Vejamos por exemplo, o novo discurso que tenta acusar uma repórter do El País, Alícia González, de entrar em contradição em matérias sobre a participação de Jair Bolsonaro em Davos.

Um exemplo que estão usando:

De início, tudo até me pareceu bastante contraditório para o El País.

O problema é que as matérias não são contraditórias. Isso porque na versão original está escrito que “Bolsonaro anima investidores” e que, na versão brasileira, está escrito que ele “decepcionou investidores”.

Usar isso como como “prova” de que a jornalista muda as informações conforme sua conveniência é falso. A desagradável verdade é que as matérias bastante similares e possuem o mesmo tom. Existem alguns detalhes a mais na versão brasileira, mas o tom não é diferente.

O termo “anima”, em espanhol, significa “incentiva”, e foi isso que Bolsonaro fez. Mas a matéria original diz que, mesmo com esse incentivo, os investidores ficaram decepcionados. Se concordamos ou não com a interpretação, isso é outra história.

Mas traduzir “anima” como “deixou animados” (quando a tradução correta é “incentiva”) é bem complicado.

Está muito ruim esse negócio aí, viu….

Em tempo: podemos criticar a jornalista, mas não por ter dito uma coisa na versão e outra diferente na versão nacional. (Aliás, o subtítulo da versão espanhola já havia mencionado que o discurso de Jair careceu de detalhes, e, no corpo da matéria citou pessoas decepcionadas)

Cliquem aqui para ver a matéria na versão espanhola e aqui para a matéria na versão brasileira.

Em essência, a mídia está usando a ênfase, como sempre faz. Mas a militância virtual decidiu tratar tudo como se fosse mentira. O resultado é a criação de narrativas para dizer que “a mídia mentiu”, mesmo quando não tenha mentido.

Sinceramente, não concordo que essa seja a melhor estratégia.

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22 comentários

  1. Sr./Sra.,
    Mesmo não sendo de Direita, não acho tão leviana a observação dos bolsominions quanto às diferenças entre as materias. Observe-se, por exemplo, que há uma citação que deixou de constar na versão em espanhol ou que constou na versão brasileira.

  2. São iguais??? Onde estão as menções a Robert Schiler e ao ministro Ricardo Salles na versão em espanhol? Vocês leram isso lá? E a ilação quanto à queda da bolsa, onde está na matéria em espanhol? Assim fica difícil…

  3. Se um jornalista precisa causar uma gigantesca polêmica e de 200 mil pessoas para ler sua matéria 5 vezes e ter que ficar explicando e interpretando para as pessoas o que ele quis dizer me desculpe mas este profissional é de péssima qualidade! No mínimo isso!

  4. Não é preciso “torcer” para que o Senador Flavio Bolsonaro seja inocentado. Ele já foi até a televisão se explicar para quem estava dando trela para fofocas geradas pela esquerda. Não precisava NEM SEQUER fazer isso, pois o cidadão de bem confia na criação que o Capitão deu aos seus filhos e sabe que nenhum deles JAMAIS cometeria algum desses crimes dos quais estão o acusando.
    Ainda assim, ele de muito boa vontade foi até a TV e acho que é hora de darmos um basta nessas fofocas e deixarmos a família do Capitão em paz.

    • Depois de consultar, o próprio título seria errado. O título mais correto seria “Bolsonaro falha ao tentar incentivar executivos de Davos”. Isso em termos de COERÊNCIA com a matéria.

    • Sim, mas a jornalista lembrou algo, e fui consultar duas fontes, e “anima” é “REQUISITAR ÂNIMO”.

      Acho que estão confundindo “discurso de incentivo” com “discurso que incentivou”.

      Observe a construção da matéria original, que fala em discurso de incentivo, mas, no subtítulo, diz que faltou detalhes, e, no texto, diz que decepcionou.

  5. Não posso concordar com você. A manchete é tudo o que a maioria das pessoas lerá no Brasil. Pareceu-me sim contraditório apesar de aparentemente, como informou, ter o conteúdo semelhante.

  6. Nossa língua é riquíssima em palavras, fazendo com que uma simples mudança já modifique a maneira de interpretação. E meu amigo, por mais que você esteja defendendo que não houve dois discursos, com isso até podemos concordar, mas você concorda que a maneira que foram colocadas as palavras, foi tendencioso. Eu não votei no Bolsonaro, mas torço que nosso país melhore. O complicado é ver brasileiros apoiarem/deixarem ou até mesmo quererem minimizar uma reportagem claramente tendenciosa que prejudica nosso país. É lamentável…

    • O ser humano é tendencioso. Mas daí a dizer que houve contradição foi demais. Eu não disse que foi “isento de tendência”, pois eu duvido que o ser humano seja capaz disso.

  7. A crítica não foi ao conteúdo, mas sim ao título da notícia. Embora o conteúdo da matéria tenha sido quase idêntico, o título não. Se a grande maioria das pessoas não lessem apenas o título, não faria muito sentido a observação do Eduardo Bolsonaro, mas como a maior das pessoas docam apenas no título, a percepção que mais difundida é aquela presente no título, não no conteúdo.

    • Ainda que os títulos sejam diferentes eles NÃO SÃO contraditórios. A matéria foi acusada de dizer DUAS COISAS OPOSTAS. Não disse isso, nem mesmo nos títulos.

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