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O “caso Flavio” e a política da imprudência

Em relação às acusações sobre Flavio Bolsonaro – inclusive sobre suposto envolvimento com milícias -, é preciso falar do assunto seriamente. Com serenidade, precisamos entender que existem alguns resultados possíveis. Entre eles, os principais:

  • (1) é culpado
  • (2) é inocente

Entendo que alguns tenham “certeza” do resultado, mas tantos outros seguem na dúvida. Se me perguntarem sobre “culpa” ou “inocência”, eu repetirei o que tenho disso: não sei, pois não tenho informação suficiente para avaliar.

Mas há um detalhe: e se o Flavio Bolsonaro for culpado? Bem, nesse caso a direita pode ter problemas por causa de uma recente campanha focada no cinismo, que tende a custar muito caro para a imagem da direita em geral.

Por exemplo, vemos uma série de memes “foi o Flavio”, que, mesmo sendo uma forma de humor, apelam a uma forma extremada do uso do cinismo na política. Isso é feito a partir da exploração de vieses da mente humana como Desvalorização reativa e Viés do Cinismo ingênuo.

Como resultado, a mente do público adepto do político é blindada, por exemplo, para aceitar sequer discutir qualquer acusação. As mentes passam a ser treinadas – no nível inconsciente, e da forma mais apaixonada possível – para agir como os lulistas diante das acusações de corrupção sobre petistas.

Observe que não estou dizendo que Flavio é culpado. Mas estou lembrando o óbvio: numa fórmula pela teoria dos jogos, a culpa é uma das possibilidades.

Fato é que uma campanha deste tipo é claro já abandonou qualquer tipo de prudência. Se o conservadorismo era a “política da prudência”, hoje vemos a arte da imprudência dando o tom da narrativa.

Não se deve esquecer que, caso ele for considerado culpado lá na frente, todos os prints da campanha que fez piada diante de uma acusação – pelo uso da desvalorização reativa, do cinismo ingênuo e de outras formas do cinismo político – vão contar de forma muito negativa para a imagem da direita. A mania de querer virar uma “Dilma Bolada com esteróides” não é isenta de riscos.

Seja lá como for, vamos ver onde isso vai dar, pois também já pode ser um pouco tarde para que voltem atrás (há muito investimento emocional por parte de adeptos). Resta torcer para que não venham provas da culpabilidade de Flavio.

Se vierem, vai ficar ruim não só para Flavio, como para os que certamente já foram “printados” em campanhas de “passada de pano” (quando ainda não se sabe se a pessoa é culpada ou inocente) feitas no primeiro mês de um governo de direita, valendo-se de um tipo de propaganda que os petistas só fizeram depois de 3-4 anos.

Vida que segue.

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3 comentários em O “caso Flavio” e a política da imprudência

  1. Até que enfim um dos seus textos usando a escrita pra mostrar a politica como um jogo de xadrex, mostrando menos sua opinião e mais sua boa inteligencia, parabéns gostei da analise.
    Flavio perdeu o time ou não sabe o que fazer, pq até ano passado qualquer acusação, falsa ou verdadeira, era esclarecida ou desmentida pela familia bolsonaro em alguns dias, mas flavio deixou esse caso do queiroz em banho maria desde dezembro e hoje colhe os frutos, sua carreira politica estáva rachada até a virada do ano, hoje está quebrada.
    Só leva qualquer um de seus apoiadores a crer que mesmo esclarecidos os depositos em sua conta ainda tem algo de errado

    • Errado. Sou apoiador de Flavio Bolsonaro e tenho CERTEZA de sua inocência. Flavio foi criado por ninguém mais ninguém menos que o Capitão Jair Bolsonaro. É impossível alguém ser criado num ambiente de religião e VALORES, e acabar cometendo esse tipo de crime o qual estão acusando o Flavio de ter cometido. Essas acusações partem da mídia esquerdista que quer derrubar o governo. Elegeram alguém pra perseguir. Cabe a nós cidadãos de bem não dar trela para esse tipo de fofoca e deixarmos a família do mito em paz.

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