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Duas narrativas para a direita no “caso Jean Wyllys”

Ontem soubemos que Jean Wyllys abandonou seu mandato de deputado federal e disse que vai sair do Brasil em razão de supostas ameaças.

Imediatamente, Wyllys foi atacado por setores da direita, mas, posteriormente, outros setores optaram por uma argumentação mais cautelosa.

Podemos definir as duas narrativas então: narrativa acusatória e narrativa precavica.

A narrativa acusatória automaticamente queria acusar Jean Wyllys de ter feito tudo com as piores intenções possíveis. Se ele abandonou o mandato, talvez tivesse culpa no cartório. Outros disseram que ele inventou as ameaças de morte. Já foram criadas teorias da conspiração para definir tudo como parte de uma sórdida jogada política. Estes são os elementos na narrativa acusatória.

Isso tem feito parte da retórica mais “incisiva” adotada por alguns setores da direita – especialmente o setor neocon -, que tem dependido do acirramento dos ânimos. Na verdade, quase toda a linguagem política explora vieses da mente, mas esse tipo de linguagem, por vezes, exagera e escala além dos limites da prudência.

Por exemplo, para dizer que a pessoas possui determinadas intenções (maléficas), é usado o viés de atribuição hostil, que é a “tendência de interpretar os comportamentos dos outros como tendo intenção hostil, mesmo quando o comportamento é ambíguo ou benigno”. Outro viés explorado é o viés da desvalorização reativa, que é desvalorizar qualquer afirmação de que venha de uma parte identificada como “o inimigo”.

Dois outros vieses usados são a padronicidade e agencialidade, que foram muito bem teorizados por Michael Shermer. A padronicidade se baseia na identificação de padrões, mas sem informações suficientes. A agencialidade se baseia na identificação de intenções, mas, novamente, sem informações suficientes. Juntando-se padronicidade e agencialidade, junto aos outros dois vieses, pode-se configurar o pensamento mágico, que abre as portas para as teorias da conspiração.

Em suma, para ativar a narrativa acusatória, existem interruptores na mente humana que podem ser ativados.

Por outro lado, a narrativa precavida recua bastante nas alegações, e pode até fazer uso de variações mais brandas dos vieses. Por exemplo, em vez de dizer que o oponente mente, podemos exigir provas de suas alegações. Não é preciso criar teorias da conspiração, mas abordar possibilidades. Neste caso, tratamos os eventos como circunstanciais, mas com possíveis consequências.

No caso da narrativa precavida, há menos riscos para os seus proponentes. Já no caso da narrativa acusatória, há riscos bem maiores, pois, caso Wyllys apresente provas das ameaças de morte sofridas, isso vai causar um baita desgaste ao governo e seus apoiadores, pois os ataques ao deputado soarão como “acobertamento”. Ademais, o frame das “milícias” vai para a estratosfera. Mas, claro, tudo é questão de gestão de riscos.

Daí me perguntam: qual é o melhor caminho a se tomar. A resposta é: isso depende dos níveis de riscos que você quer aceitar. Esta é a forma adulta de abordar os debates políticos pela ótica da dinâmica social.

Eu opto pela narrativa precavida, neste caso. Mas cada um é cada um. Não dá para saber a personalidade de todos os leitores. Apresentar as alternativas é mais viável.

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7 comentários em Duas narrativas para a direita no “caso Jean Wyllys”

  1. O que você acha do decreto do Mourão sobre a Lei de Acesso a Informação?

  2. Nenhum jornalista disse qual seria o país de destino; então como estão escondendo, acredito que não seja nem Cuba, nem Venezuela. PS: Porque será que a skol diz que não vai ter uma “puro malte” ?

  3. Mas qual seria a tua opinião sobre esse caso?
    Acha que tetra ou nao? Se é que podes falar…

  4. Seja o que for, esse teatrinho que a esquerda hipócrita tá fazendo não me convence, ainda mais depois de fazerem caso das ameaças ao Fernando Holiday!

  5. Acho (eu) que ele vai adiar o show. // 26 de janeiro de 2019 às 9:18 pm // Responder

    Com esse “acidente” em minas, ele não vai atingir o objetivo (derrubar as peças e obrar no tabuleiro), ou seja, vai receber a “aposentadoria”, mas não vai fazer estrago.

  6. Quando se trata de esquerdistas ponho as barbas de molho.

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