Arthur do Val “inova” e cria o liberalismo de subserviência aos agressores

Isto aqui não significa uma crítica a Arthur do Val como pessoa, e nem como argumentador. Mas, enquanto admiro e elogio o trabalho dele como youtuber (e espero que faça bom trabalho como parlamentar), uma atitude recente de Arthur tem sido tão bizarra e danosa para a direita que precisa ser discutida.

Antes de tudo, que fique clara a história: a disputa de espaço dentro das redes sociais – entre início de 2016 e outubro de 2018 – foi baseada na estratégia do genocídio moral praticado pelos neocons contra os liberais. Os alvos dos neocons eram o Partido NOVO, o MBL, o Arthur, Kim e qualquer outro liberal que considerassem como obstáculo ao seu projeto de poder.

A quantidade de assassinatos de reputação de liberais chegou à estratosfera. O próprio Arthur do Val foi humilhado várias vezes por Nando Moura, que chegou ao ponto de convidar o advogado Cléber Teixeira – inimigo mortal do MBL – para apresentar provas contra o MBL um dia antes de um debate com Arthur. A lógica de Nando Moura: “contra liberais vale tudo, já que não reagem”.

Este debate, aliás, foi promovido a partir da humilhação pública lançada contra Arthur, que recebeu o apelido de “Izás”. Obviamente, Arthur sofre bullying constante de Nando. Parece que até recentemente Nando deu uma “ajudinha” a Arthur, mas, depois de tantos ataques não cobrados, isso não significa nada. Hoje há quem diga que ambos “fizeram as pazes”, mas a conta não fecha, pois isso só poderia acontecer entre adultos depois que Arthur “desse o troco”, e para isso seria preciso muitas sessões de revide antes de um “aperto de mãos”.

O que se sabe é que este genocídio moral teve consequências. Com isso, liberais hoje precisam ficar torcendo todos os dias para não serem expurgados do governo. Carlos Bolsonaro fica todos os dias dando indiretas para os liberais. Se Paulo Guedes acabar caindo, isto acontecerá, em parte, pela reputação baixa dos liberais dentro da direita. Mas o setor que destruiu a reputação dos liberais tem nome: é o setor neocon.

Basicamente, durante a reta final das eleições, havia um acordo tácito. Era como se os neocons dissessem: “Prestem atenção, amigos liberais, vamos seguir batendo em vocês, que não devem revidar, em nome da ‘luta contra o PT, ok?’”. Claro que não disseram isso publicamente, mas era evidente que o cenário era esse. Basta ver as táticas de assassinato de reputações que praticaram contra João Amoedo somente porque ele não desistiu de sua candidatura. Em suma, criou-se, entre neocons e liberais uma relação sadomadoquista. Parecia que um lado gostava de bater na medida em que o outro gostava de apanhar.

E o que se esperava, após as eleições? Num cenário normal, de conscientização política, o mínimo que se esperava é que os liberais buscassem um “acerto de contas”, certo? Isso, no mínimo, os ajudaria a recuperar um pouco da reputação perdida. (Pode-se argumentar que isso não daria likes, num primeiro momento, mas uma lógica moral baseada somente em likes, e em nenhum conceito de certo ou errado, é ainda mais condenável)

Estrategicamente, essa seria a melhor decisão: liberais e conservadores se aliarem e baterem de frente com os neocons. Claro que não é preciso jogar a merda no ventilador de imediato (e todas as ações deveriam ser testadas), mas a união, em essência, não deveria admitir nenhuma intimidação vinda dos neocons e deveria “dar o troco”, em casos específicos. Por exemplo, quem foi atacado individualmente por um neocon específico, deve dar o troco, e com juros, diante de tudo que foi feito antes das eleições. Quem ainda não foi atacado poderia até agir de forma “light”. Para a turma mais “tranquila”, poderia-se usar a estratégia “tit for tat”, que segue uma regra de dois passos: cooperar no primeiro movimento e, depois, durante os movimentos seguintes, fazer o que o outro jogador fez no movimento anterior. Ou seja, é uma estratégia de reciprocidade. Em suma, nenhuma baixaria pode ficar impune.

Seja lá como for, liberais e conservadores seguem intimidados. Mas, enquanto isso, surgiu algo bem divertido de se assistir: algo que se chama “a resistência”, que são esquerdistas moderados batendo de frente com os neocons. Como eles não dependem tanto de audiência e da “prova social” enviada por neocons, decidiram partir para cima destes. E aí temos a brilhante atuação de Henry Bugalho e vários outros esquerdistas moderados que estão fazendo contra os neocons aquilo que os liberais e conservadores deveriam estar fazendo.

Isso não significa se “aliar” aos esquerdistas identitários, mas visualizá-los como Stálin na luta contra Hitler. Claro que alguns não gostariam de se aliar a eles, e isso é justificável, mas o que Arthur do Val fez foi o exato oposto: tem agido como um “cão de guarda de Nando”. E olhem que Arthur do Val nem precisava disto, pois está eleito deputado estadual e tem muito chão pela frente. Ver liberais se tornando serviçais de neocons – que vão lutar para  solapá-los em 2020 e 2022 – significa praticamente um colapso moral.

O leitor Rodolfo chegou a comentar: “Mas veja como a tática intimidatória dos neocons é eficiente. A coisa chega ao ponto de os liberais comprarem briga deles, na esperança de que com isso sejam aceitos ou poupados”. Obviamente isso não vai acontecer, por, pela dinâmica social, Arthur do Val fica com valor reduzido perante os próprios neocons. Pode até ser aceito entre eles, mas como um “serviçal”, e jamais alguém a ser visto de igual para igual.

Arthur chegou a fazer um vídeo para defender Nando Moura de… Henry Bugalho.

Henry Bugalho respondeu:

Dead Consense também refutou Arthur:

No canal Além da Nuvem, também vemos o comentário:

Ao que parece, os ataques feitos pelos neocons devem ter desajustado alguns marcadores somáticos de Arthur em relação ao julgamento moral. Parece que os merecedores de maior defesa são justamente os que mais o agridem.

Entende-se que Arthur possa não querer se posicionar publicamente a favor de Henry Bugalho. Mas nada justifica posicionar-se a favor de Nando num momento em que os liberais correm risco de serem expurgados do governo pela via da aniquilação moral.

Arthur poderia até contra argumentar dizendo que “é preciso defender alguém que seja vítima da imoralidade”. Se a questão é essa, então por que Arthur não defendeu Pondé dos ataques baixos de Olavo de Carvalho? Eu fiz dois posts para defender Pondé: aqui e aqui.

Ou será que é mais fácil atacar Henry – que, como vimos, nem sequer promoveu linchamento público contra Arthur até mesmo em sua resposta ao primeiro – do que bater de frente com Olavo? Bem, isso significa que a moral de algumas pessoas da direita liberal está encontrando sérios problemas em qualquer análise mais profunda. Será que o bullying afetou o julgamento moral?

O que podemos fazer para ajudar os liberais e conservadores (e até o próprio Arthur do Val, mesmo que ele não perceba) é o seguinte: avisar as pessoas que estão brigando com os neocons e orientá-las a não aceitar os desafios de debate feitos por Arthur. Ele está apenas servindo como elemento de “distração”, servindo, sem querer, como auxílio aos neocons, que irão retribuir com mais rasteiras e ataques baixos, pois eles têm um projeto de poder claro que depende da retirada dos liberais do espaço público.

Eu tenho amizade com alguns neocons, mas somente com aqueles que conversem no nível da reciprocidade. O jogo é sempre base do “tit for tat” Na menor intimidação, já tomam uma cacetada de volta, em dobro. E aí, somente aí, é que surge o respeito entre os seres humanos. Mas apanhar sem revisar é algo que estimula o desrespeito. Um pouco sobre “o dilema do prisioneiro”, da teoria dos jogos:

É por isso que hoje em dia os neocons não podem mais respeitar os liberais, pois entendem que estes apanham calados. Quanto mais isso acontece, mais eles se sentem incentivados a bater. O comportamento subserviente de alguns liberais a neocons só vai atiçar a sede de sangue dos mais radicais. Quer dizer: ao se aliar aos neocons, Arthur vai incentivar mais ataques aos liberais.

Se deixarmos que Arthur interfira nessa briga entre eles, todo o restinho de respeito que neocons possuem por liberais irá se perder, e aí as consequências serão imprevisíveis.

Aliás, que fique um recadinho final a Arthur. Na semana em que ele saiu em auxílio a Nando Moura, Olavo de Carvalho postou isso:

Vai ser daí para pior. Foi apenas o “tit for tat” em ação…

Isso tudo é causado por uma coisa apenas: a cultura de subserviência dos liberais aos neocons. Eles já tem registrados em seus marcadores somáticos o seguinte, sobre liberais: “quanto mais batemos neles, mais eles parecem ‘gamar'”.

É bonito isso? Fica para a reflexão de Arthur, que é uma pessoa decente, e que pode, sem querer, causar um dano irreversível ao setor liberal.

Twitter: https://twitter.com/lucianoayan

Facebook: https://www.facebook.com/ceticismopoliticosc/

14 comentários em Arthur do Val “inova” e cria o liberalismo de subserviência aos agressores

  1. O que é certo não tem lado. // 27 de janeiro de 2019 às 5:49 pm // Responder

    Há não ser que vc seja um adolescente revoltado ou um esquerdista mamador de tetas, vc também pode a evoluir. PS: Esse Nando, não é bobão não (é meio coerente, e evoluindo). https://www.youtube.com/watch?v=KfQyzJhhcMU

  2. Essa análise foi brilhante!
    Nando Moura joga sujo contra os liberais!
    Colocou Bolsonaro como alternativa ÚNICA, expondo o João Amoedo ao ridículo, minando outra candidatura de direita que não fosse a do candidato dele. Existem vários fatores mal explicados como o fato do Nando Moura após ter se aliado ao Bolsonaro ter mudado-se para uma casa maior em condomínio de luxo ou ter aparecido com um Mustang V8 na garagem – se 3 milhões de inscritos adquiriram isso, imagine então os youtubers como o Felipe Neto que tem 30 milhões de inscritos? Poderia estar comprando um dos Parques da Disney, não?
    Mas deixando essa suspeita de lado, Arthur do Val fez um papelão duplo.
    Primeiro nesse episódio do debate.
    Ele que propôs o debate, mas quem ditou todas as regras foram o Nando Moura. Só haviam neocons lá, apenas isso. O engraçado é que os inscritos do Nando Moura estavam enfurecidos, querendo a cabeça do Arthur, reclamando do fato do Arthur ter pedido que na plateia houvessem também pessoas do MBL para que o debate pudesse ser justo. Mas não! Só haviam lá neocons, tanto que TODAS as perguntas eram destinadas a destruir o Arthur, todas. Ninguém atacou o Nando Moura, apenas o Arthur.
    Foi um debate inútil, fraco, pois apenas um lado foi atacado e ainda assim não teve nenhum momento ápice ou alguma conclusão satisfatória. Apenas uma inflação de ego ao Nando Moura e aos neocons que compareceram em totalidade.
    Sem falar que o Nando Moura trouxe para mediar o debate um tal de Canal Hipócritas que foram terríveis, controlaram mal a distribuição do tempo, e ainda ficavam reclamando no microfone que o debate precisava correr logo pois “queriam almoçar”. Uma palhaçada.

    Foi o Nando Moura promover esse linchamento público, o Arthur do Val se calou para sempre. Nunca mais atacou o Nando Moura e nenhum de seus aliados. E agora ainda veio com esse papelão de defender publicamente o Nando Moura de um ataque usando uns argumentos bem risíveis como “não mexe com a família do cara”.
    Nando Moura xinga a família de todos. Xingou a mãe do Bogs um tanto antes do Bogs ofender a memória do pai dele.
    Acho bem engraçado um dito liberal como o Arthur vir querer cagar regra no ataque dos outros, vir querer estipular regras morais, isso é bem atitude de neocon.

    Arthur do Val se tornou, como diz o excelente artigo, um cão de guarda do Nando Moura, que basta o Nando gritar e mandar pra casinha, irá de cabeça baixa e rabinho entre as pernas se recolher à sua insignificância.

  3. Esse seu artigo mostra para mim, e me dá cada vez mais certeza, de que esquerda e direita são ideologias controladas. E você faz parte disso.

  4. Comecei a ler intrigado. Mas esse Papinho de revidar revisar e dar o troco é uma mistura de infantilidade e alienação. Não sou liberal mas o mamãefalei sem dúvidas tem uma raciocínio anos luz maisena complexo do que o autor desse blog.

  5. LH,

    Não concordo em reduzir os anos de trabalho do grupo que não se identifica com as pautas do MBL e do Partido NOVO como projeto de poder e/ou assassinato de reputação.

    Quem acompanhou os debates e as trocas de elogios dos DOIS LADOS teve boas bases para defender o lado com que se identificasse mais. Não há santos e demônios de apenas um lado e, é sempre ressaltar isso, que acho não fica claro nos artigos que tratam sobre essas divergências entre esses setores que você categorizou.

    Acredito que assim como eu, boa parte dos que se interessam por política carecem de uma análise isenta do que estamos passando com essas mudanças e isso é o que mais falta hoje em dia na mídia. Ter o seu material (que poderia estar censurado) disponível é de grande ajuda, mas para mim, quando abrir o Ceticismo Político torna-se menos instrutivo do que outros materiais pela qualidade da análise há algo estranho.

    Não concordo com a perspectiva escolhida para as últimas análises, mas espero que continue com o trabalho. Importante para mim, leitor, é ter ideias para serem analisadas nessa confusão!

    Abçs!

    • Sim. Eu não reduzo a isso.
      Eu falei da ação a partir do início de 2016.
      Não é questão de santos e demônios, mas de entendimento dos conflitos dos interesses.
      O foco aqui é aumentar a conscientização em guerra política também dos setores que não entenderam a dinâmica do jogo.
      Os neocons foram bem até demais, e, por isso, até perderam o respeito pelos outros lados.

  6. Esse Arthur e o Kim apoiavam o Flávio Rocha (que desistiu), passaram a apoiar o Amoedo (não decolou) e depois lamberam as bolas do Alckimin (que chafurdou), e por último foram na casa do Bolsonaro vampirar popularidade dias antes das eleições… E agora ficam criticando um governo que não completou um mês… Como são fofos esses liberais..

  7. Ainda bem que as esquerdas estão como baratas tontas e estão divididas…Cada segmento da direita tem seu próprio projeto de poder. Quem vencerá? Aniquilar os oponentes da direita não é inteligente. As esquerdas estão se articulando há muito tempo desde a década de 20. Não morreram não.

  8. Matéria tentenciosa e mentira, eu assiste a todo o embate entra mamãe falei, Nando Moura e MBL.
    Não fez nenhum sentido está analise.

  9. Mateus Emanuel de Freitas // 28 de janeiro de 2019 às 7:13 pm // Responder

    Pq diversos comentarios são publicados e os meus não?

  10. Porque ele é seguidor. // 30 de janeiro de 2019 às 1:15 am // Responder

    Mateus Emanuel de Freitas // 28 de janeiro de 2019 às 7:13 pm // Responder

    Pq diversos comentarios são publicados e os meus não?

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